O careca do terno branco quer falar com você sobre ações

Trouxemos o Mark Mobius para nos ajudar a convencer você a investir em fundos de ações

O careca do terno branco quer falar com você sobre ações

Parece, mas não é! É essa a mensagem ao investidor brasileiro de Mark Mobius, o gestor de fundo de ações de países emergentes mais renomado do mundo. Conhecido por sua careca brilhante e pelo terno sempre branco (de perto é meio creme, na verdade!), Mobius decide em que países e ações investir os 26 bilhões de dólares dos investidores.

E hoje ele está animado em investir boa parte dessa dinheirama no… Brasil.

As ações brasileiras que parecem caras no curto prazo parecerão baratas nos próximos anos – disse-me Mobius, que busca oportunidades dos escritórios da Franklin Templeton em Cingapura, Hong Kong e de aeroportos do mundo. A gestora administra ao todo 732 bilhões de dólares.

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Melhor investir em um fundo de ações brasileiro enquanto elas parecem baratas, não? (Uma pausa para contar a você que amanhã de manhã vamos lançar o tão esperado relatório de fundos de investimento, que inclui os cinco melhores fundos de ações para você ganhar dinheiro na bolsa, com aplicações a partir de mil reais).

Mobius está enchendo os bolsos com ações brasileiras. Está overweight no linguajar de mercado. Isso significa que há mais Brasil no portfólio do que manda o índice que ele segue, o MSCI Emerging Markets (o Ibovespa dos mercados emergentes).

O que estou dizendo é que o Mobius, que seleciona ações de emergentes há 40 de seus quase 80 anos (imagina o monte de crises pelas quais já passou), está animado com a bolsa brasileira, assim como nossa equipe de ações. E muito à frente do tempo de mais da metade dos gestores locais (que começou a assistir à alta da bolsa pelo retrovisor).

Infelizmente, não foi possível ter uma conversa pessoalmente com o Mobius desta vez por uma questão sazonal (ele gosta de coincidir as visitas ao Brasil com o Carnaval. Por que será?). Então, falamos brevemente por e-mail. Mesmo com todos os riscos globais, Mobius enxerga oportunidades na bolsa brasileira.

Empiricus: Como está o peso das ações brasileiras hoje nos fundos que gere?

Mobius: Os fundos da Templeton Emerging Markets estão overweight no Brasil.

Empiricus: Da última vez que nos encontramos o tema era o risco para mercados emergentes da retirada de estímulos monetários pelo governo americano. E a impressão de dinheiro segue hoje, com a soma de alguns países. Existe um risco de que esse fluxo cause uma “exuberância irracional” nas ações de emergentes?

Mobius : Sim, pode haver uma exuberância irracional. O problema agora é que com as taxas de juros bancárias tão baixas e até prestes a se tornar menores nos Estados Unidos, Europa e Japão, os investidores estão desesperadamente buscando formas de obter algum rendimento pelo seu dinheiro. Eles estão, portanto, indo para títulos e ações não somente no mundo desenvolvido, mas em mercados emergentes. Os retornos de títulos corporativos estão caindo também. Então, existe uma tendência para que os investidores aceitem mais risco, por meio da compra de títulos de maior risco, para obter retorno. O mesmo vale para ações. Existe um movimento para ações para conseguir o retorno com dividendos e também os ganhos de capital.

Empiricus: Então, depois do rali recente (o Ibovespa sobe 30% no ano), a bolsa brasileira pode estar cara?

Mobius: A partir de uma perspectiva histórica, ela não está cara. Mas, em muitos casos, os preços têm ficado à frente dos lucros das empresas. Então, no curto prazo, elas vão aparecer caras em uma base preço/lucro. À medida que os lucros se recuperarem nos próximos anos, os preços correntes vão parecer baratos.

Empiricus: Então ainda existem oportunidades no Brasil?

Mobius: Sim, há oportunidades para os investidores de longo prazo.

Empiricus: Bradesco e Itaú são as maiores posições do fundo hoje no Brasil. Uma preocupação dos investidores locais hoje é com o risco de inadimplência do setor bancário. Não preocupa você?

Mobius: Claro. A inadimplência é sempre uma preocupação, mas se olharmos para as reservas dos bancos, eles estão em bastante boa forma.

O Bradesco e o Itaú estão entre as dez maiores posições do fundo de emergentes do Mobius. No caso do Itaú, é um investimento antigo. A primeira vez que comprou a ação foi em 2009. Estão lá no portfólio dele junto com os semicondutores de Taiwan, a montadora chinesa Brilliance e outros mais.

Investiguei aqui o fundo do Mobius na Morningstar (a Disney dos fundos) e descobri que ele também tem Lojas Americanas e, de 2015 para cá, comprou Hering, Cetip, M. Dias Branco e Mahle-Metal Leve.

O que chama mais atenção em uma conversa com Mobius é a tranquilidade que ele tem sobre os ciclos econômicos de países emergentes. O mercado está desesperado? Ele não. Ciente dos ciclos (depois da baixa vem a alta) ele se apega à tese de investimento e vai com ela até o fim. É uma boa lição para o investidor de fundos de ações.

Agora, permita-me sair um pouco do mundo dos investimentos. Se você já viu o Mobius estampado nas capas de jornais do país, certamente já se perguntou por que ele está sempre de branco. Eu não resisti e perguntei da primeira vez em que nos encontramos. E ele respondeu que é porque gosta de cores. Você entendeu? Eu não…

No fundo, no fundo

A nossa coluna quinzenal de fundos em que mostramos a você quem está com tudo e quem não está com nada no mercado de gestão de fundos.

Você talvez nunca tenha ouvido falar nela e são só três anos de vida, mas a Garde Asset Management entrou no meu rol de gestores de multimercados brasileiros favoritos. A pouca idade engana. A equipe é bastante rodada. Os principais sócios trabalharam juntos por pelo menos dez anos no BNP Paribas.

Sair para abrir a própria gestora deu tão certo que já atraiu 1,98 bilhão de reais de investidores, principalmente de alto patrimônio. São 62 parceiros diferentes e 16 fundos de pensão, o que significa que o passivo está muito diversificado. Nenhum deles tem mais de 9% do fundo. Ou seja, se um decidir sair de hoje para amanhã, o fundo mal se mexe.

A fórmula, que tem funcionado, soma na linha de frente o ex-tesoureiro do BNP Carlos Calabresi (tesoureiros costumam ser bons gestores, guarde isso) e o presidente da gestora do banco francês por doze anos Marcelo Giufrida, com perfil mais executivo. Os dois montaram um mix raro de gestão rentável e administração e controle de risco prudente.

Animado em ter um canal para conversar com o leitor da Empiricus , Giufrida contou que estudou as gestoras de multimercados que deram certo e as que deram errado antes de abrir a Garde. E fez questão de que, na nova equipe, cada um fizesse o que sabia fazer melhor. Não improvisamos, não fizemos experiência, falou Giufrida. Música para os meus ouvidos.

A equipe tem quatro pessoas focadas em estratégias no mercado de juros – comprar títulos, operar a inclinação da curva (isso é difícil de fazer sozinho, caro investidor que me perguntou por que investir no fundo se você já tem NTN-Bs?), posicionar-se em inflação…

Adivinhe qual é a maior posição do fundo da Garde hoje? A que aposta na queda dos juros no Brasil (Guarde isso. Vou convencê-lo sobre a grande oportunidade de ganhar dinheiro com multimercados no relatório que lançaremos amanhã cedo. Fique atento ao seu e-mail). Vem dando certo. No ano, até agora, o retorno do fundo é de 10,22%.

A boa notícia, para terminar, é que o Giufrida pensa em você, investidor. O fundo da Garde, D`Artagnan (sim, dos mosqueteiros), está em várias prateleiras on-line de fundos, como da Geração Futuro, Guide, Órama e XP. A aplicação mínima é 50 mil reais.

 

Algo deu muito errado na venda de fundos de BDRs, as carteiras recheadas de recibos de ações americanas negociados na bolsa brasileira. O discurso dos gestores era que os investidores deveriam deixar ali permanentemente uma pequena parcela de seu patrimônio.

O plano era que o fundo servisse para diversificar o risco em bolsa (somando a americana) e moeda (já que o retorno é em dólar). Ou o produto não é legal (pode-se questionar a capacidade do gestor brasileiro em selecionar ações americanas de sua cadeira no Brasil) ou a mensagem não foi passada direito ao investidor.

O fato é que resgates nos fundos de BDRs de cinco bancos – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Safra – superam os aportes em 593 milhões de reais no ano. As perdas, tanto com a bolsa americana quanto com o dólar, são expressivas, de dois dígitos, no ano. O maior prejuízo é do fundo de BDRs do Banco do Brasil, 17%.

Perdemos uma excelente oportunidade de reduzir o viés doméstico do investidor brasileiro.

 

Até amanhã… 

Só para reforçar, você sabe que nós não recebemos comissões de gestores ou distribuidores ou de quem quer que seja, né? Meu único compromisso é com você, investidor. Nas minhas recomendações, você pode confiar (elas vão ter lugar próprio a partir de amanhã, com o lançamento do relatório de fundos no modelo mais sem conflito possível. Só você irá pagar pelo meu trabalho).

Para terminar, sabe o que eu mais gosto nas conversas com o Mobius? A forma divertida como ele encara os investimentos. Ele me presenteou com sua biografia em quadrinhos! Lá estão relatos de suas viagens por países emergentes (ele foi assaltado no Brasil, poxa!). O site em que Mobius posta suas resenhas chama-seAventuras nos mercados emergentes. Passe lá!

Também quero que nossa jornada seja divertida. Investir não precisa ser chato, muito pelo contrário. Vou sempre buscar formas leves de passar a você a mensagem. Se estiver difícil, por favor, avise-me: fundos@empiricus.com.br.

Já para as sacanagens do mundo dos fundos, não vai haver moleza. Quero contar uma a uma. E mostrar os melhores caminhos. A nossa aventura começa de verdade amanhã de manhã. Vamos declarar uma guerra. Conto com você!

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:. CARTEIRA EMPIRICUS: Carteira Empiricus simplesmente voa em julho, ampliando o saldo já bem favorável do ano. Estamos preparando mudanças importantes para agosto, que pode ser um mês simplesmente transformacional para o mercado de capitais brasileiro. A hora de entrar é já.

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Leituras sugeridas:

:. 92 + 16 = 100. Esta fórmula vai mais que dobrar seu dinheiro na Bolsa.

:. A taxa Selic deve cair. E o kiko?

:. Exclusivo: Quase 61% dos brasileiros são contra privatizações

Um abraço,
Luciana Seabra

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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