O fundo ideal para o juro de um dígito só

O fundo ideal para o juro de um dígito só

“Papai, jacaré não come tartaruga?” – perguntou o menino com o pacote de Fandangos ao observar os animais apinhados no sol da janelinha do jipe. O veículo que nos conduzia pelo zoológico sacolejou e voou mais uma conchinha de presunto.

“Pelo jeito, não” – respondeu o pai, meio impaciente.

Eu, que já tinha sacado o celular para perguntar ao Google se a tartaruga que repousava tranquilamente sobre o jacaré corria risco, dei-me por satisfeita, assim como o baixinho.

Por que não olhar para a realidade em vez de recorrer às teorias e fazer conjecturas?

O fato hoje é: chegamos ao incrível mundo do juro de um dígito! O Banco Central acaba de cortar a Selic, juro que serve de referência à economia, pela sétima reunião seguida, chegando a 9,25 por cento. E o que isso significa para o seu portfólio de investimentos? Duas coisas.

1.É muito provável que seu fundo DI seja pior do que a poupança

Os juros caíram, mas para a reserva de emergência não tem saída. Multiplique seu custo mensal por três – é o mínimo que você deve ter em um fundo DI ou em LFTs. Se a sua opção for por fundos DI, peço um minuto de sua atenção.

Na última vez em que o juro brasileiro chegou a esse patamar, apenas 20 dos 83 fundos DI dos grandes bancos ganharam da poupança.

Tudo indica que a trajetória de corte de juros pelo Banco Central vai continuar. Os fundos DI em que você não vai perder para a caderneta têm taxa de 0,2 por cento ao ano. Há três opções disponíveis no mercado. Uma eu apresento logo abaixo. As outras você pode conhecer aqui.

 

 

2.Você precisa correr mais risco para não perder dinheiro

Para conseguir o mesmo retorno de ontem, você precisa colocar um pezinho no risco. E a boa notícia é que a queda dos juros também deve criar oportunidades nesse campo.

Com juros mais baixos, as famílias e as empresas gastam menos dinheiro com dívidas. A tendência é uma economia mais animada, não? Ou seja, uma Bolsa mais pulsante.

Você pode investir em ações diretamente, se não quiser pagar taxa para ninguém, ou usar um bom fundo de investimento para tal. Neles, um gestor escolhe para você de 10 a 20 ações que tendem a ganhar no longo prazo.

 

“Gostaria de recomendação de onde alocar 1 mil reais para meu fundo de emergência, mas tenho medo de investir fora do banco. Pode me dar alguma sugestão?” Ana P.

Ana, apresento a você um fundo chamado Órama DI Tesouro. Ele investe somente no ativo mais seguro para manter sua reserva: LFTs, ou seja, títulos públicos que rendem a taxa Selic.

É o fundo DI mais barato disponível a um investidor de varejo que só tem 1 mil reais para aplicar. A taxa é de 0,2 por cento ao ano. Aposto que no seu banco você não encontra produto com taxa menor do que 1 por cento ao ano para este valor de investimento. Eu já procurei, pode acreditar.

Ah, mas você tem medo de investir sua reserva de emergência em um fundo que não seja do banco? E se eu disser a você que, no fim das contas, é lá que os seus investimentos vão dormir?

Os fundos têm uma figura chamada custodiante, que guarda os ativos do fundo. No caso do fundo DI da Órama, ele é ninguém menos do que o Bradesco. Pode espiar no regulamento. Hora de migrar.

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O jacaré e a tartaruga

Deixe, portanto, a discussão de se os juros vão cair mais ou não para os economistas e foque no que realmente importa para o seu portfólio agora: os juros já caíram e isso já está prejudicando os seus ganhos.

Um abraço,

Luciana Seabra

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