O fundo multiúso

Dá-me dois minutos e darei a você dois anos de retorno

O fundo multiúso

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Abraço,
Luciana Seabra.

 

Tem formiga no corpo, menina? – dizia minha mãe. Melhor era ficar quieta antes que a bronca engrossasse. Ficar parada não é fácil. Uma vez um professor da faculdade sentou a turma em frente a um relógio e ordenou que ficássemos ali durante os 50 minutos da aula. Desesperador. O objetivo era que entendêssemos o valor do tempo.

Proponho a você um desafio: segurar as formigas de uma parte do portfólio por dois anos. Irei mostrar o valor do tempo. Só que em dinheiro.

Vejo uma ótima oportunidade em uma categoria de investimento: os fundos multimercados. Os saques até podem ser pedidos a qualquer momento com devolução do dinheiro em 30 dias. Mas, digo uma coisa, as previsões principais vão se realizar no período de dois anos.

Algumas das maiores referências do mercado perceberam o potencial deste momento. Nesta semana bati um papo com o André Salgado, o cara que convenceu o mito do fundo Galileo, Márcio Appel, a deixar a gestora do Safra e a fundar com ele a Adam Capital. Salgado já foi diretor das corretoras do Safra e do Santander.

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 A expectativa sobre a Adam é tanta – ela nem pode divulgar performance ainda: a CVM proíbe isso a fundos com menos de seis meses de vida –, que ela já tem 3,5 bilhões de reais sob gestão na principal estratégia, o fundo macro.

O histórico do Galileo pesou: em 5 de seus 7 anos completos de vida, sob o comando de Appel, o ganho ultrapassou 150 por cento do referencial.

Por dentro da mente de Appel

Agora, no sonho do negócio próprio, a dupla Appel-Salgado vê três oportunidades principais de ganhar dinheiro no mercado hoje:

O juro brasileiro vai cair: a posição em NTN-B (ou Tesouro Selic) com vencimento em 2050 mostra a convicção da equipe de gestão na queda da Selic. Com o ajuste para baixo na expectativa para os juros, esses papéis vão ganhar muito valor.

O gestor acaba de aumentar também a posição em juro prefixado. Por que, Salgado? “Achávamos que o risco de cauda de ter um cenário político que fosse provocar algum tipo de calote branco via inflação era mais iminente. E as NTN-Bs são mais defensivas. Hoje, como estamos mais convictos de que a convergência vai acontecer, o pré fica mais interessante.”

A equipe da Adam não tenta adivinhar quando o BC vai cortar os juros. Acredita, na verdade, que o banco vai ser até mais duro do que poderia ser, para garantir a convergência da inflação.

Assinamos embaixo. E, aliás, temos repetido isso para você há meses!

O real vai se valorizar: a gestora está comprada em real contra dólar. Ainda que o Banco Central interfira para evitar a valorização da moeda brasileira, a equipe vê os fundamentos alinhados para causar o movimento.

A bolsa americana vai subir: essa é a posição da Adam mais diferente em relação aos pares. Cerca de 30 por cento do portfólio do fundo está investido em S&P, o principal índice da Bolsa dos EUA. A exposição ao dólar é neutralizada, para que o investidor ganhe somente com a valorização das companhias locais.

Se for ajustar a relação entre preço e lucro, considerando a taxa de juros de longo prazo para os EUA, diz Salgado, a Bolsa deveria subir 50 por cento. A exposição já foi maior. Foi reduzida recentemente para dividir espaço com outras bolsas, como a de Frankfurt, por meio do índice DAX.

Veja enquanto está no ar

Os grandes bancos ficaram incomodados e estão procurando alguma inconsistência no documentário recentemente publicado pela Empiricus.

Não vão encontrar.

De toda forma, é fundamental que você veja o material enquanto está no ar.

Ele realmente está incomodando os bancos, de forma que não garantimos que ficará disponível por mais tempo.

VEJA AQUI O DOCUMENTÁRIO NA ÍNTEGRA

 

A mágica dos dois anos

O horizonte da Adam para que as previsões se realizem é de um ano. Nesse período, a gestora vai usar diferentes instrumentos para captar essas três tendências, evitando que prejuízos no meio do caminho obriguem a zerar a posição. É o que faz um bom multimercado.

“Tentar descobrir o que vai acontecer daqui a um ano é mais fácil do que fazer a mesma tentativa para o mês que vem”, diz Salgado. Fato. “Com dois anos, a chance de ganhar dinheiro aumenta bastante”, completa. Estamos juntos nessa!

Ouvi de alguns outros grandes e bons gestores de multimercados nas últimas semanas o prazo mágico de dois anos. “Será dessa magnitude o ciclo de corte de juros”, disse outro dos gênios do mercado.

One man show?

O grande charme de um multimercado é também seu maior perigo: ter O CARA para gerir seu portfólio. A questão é que é ruim estar em um fundo que não tem continuidade, que depende da disposição de uma única pessoa.

Salgado diz que nem só de Appel vive a Adam. Dentre os destaques estão Fábio Landi, que geria fundos de renda fixa no Santander – onde trabalhou com Appel – e  foi gestor no Votorantim e no Deutsche Bank, e José Vieira, economista-chefe da gestora,  que é Ph.D em Economia pela Universidade de Chicago.

Sete em meio a centenas

Dizem que o sete é o número da perfeição. Dedicamos o último mês a selecionar sete gestores de multimercado – os fundos macro são 433 – fora de bancos, e nos quais confiamos para cuidar do seu dinheiro. Uma seleção invejável. Tem antigo executivo de banco que decidiu tentar carreira solo, ex-presidente do Banco Central, ex-tesoureiro de instituição reconhecidamente ganhadora de dinheiro…

A maior parte tem aplicação mínima de 50 mil reais, mas há opção para você, que só conta com 1 mil ou 5 mil reais para aplicar. “Ah!, mas eu já invisto em um fundo multimercado do meu banco”, diz você. E se eu disser que nos últimos dois anos

Fonte: Quantum Axis.

Não dá para pagar por multimercado e ter retorno de poupança, não é mesmo? Você precisa sacar seu dinheiro desses produtos o quanto antes. Mas quais são os fundos A, B e C? Três das carteiras que indicamos no nosso relatório de multimercados, disponível desde terça-feira na área do assinante.

Perceba que os fundos que indicamos têm mais patrimônio do que os demais. O investidor de alto patrimônio já percebeu que o melhor multimercado é o do gestor independente. O que você está fazendo parado aí?

NO FUNDO, NO FUNDO

Nossa coluna quinzenal de fundos, com direito a premiação

 Tchau, mosqueteiro!

O Garde D’Artagnan, um de nossos primeiros Cota Cheia, anunciou que vai fechar para novos investidores quando chegar a 2,5 bilhões de reais de patrimônio. O fundo, criado há três anos por uma equipe que trabalhou junta por uma década no BNP Paribas, está pertinho disso, com 2,2 bilhões de reais. Eu avisei que ia fechar…

 

O nosso prêmio vai para a gestora carioca SPX, que vai reabrir a porteira. Não são os multimercados, infelizmente, mas os fundos de ações, fechados desde 2014, que vão voltar a receber aplicações em um curto intervalo: de 20 a 22 de setembro (ou até que capte 250 milhões de reais). Hoje, a SPX gere em ações 2 bilhões de reais.

E como vai funcionar? Consultei as plataformas on-line e, até o momento, Guide e XP vão oferecer os produtos. A Guide pede que o investidor faça sua reserva porque os fundos nem sequer vão aparecer na prateleira. A XP vai colocar na plataforma, mas é bom conversar já com quem o atende.

A Guide vai oferecer o Patriot e o Falcon. A XP vai ter os dois mais o Apache, para investidor institucional. O Patriot é um fundo de ações clássico. O Falcon, um long biased (sempre mais comprado do que vendido em bolsa, mas há posições que apostam na baixa).

Gosto especialmente do Falcon, mas é para investidor qualificado, com mais de 1 milhão de reais em aplicações financeiras. Espiei o retorno do Falcon desde sua criação, puxei na Quantum Axis. Bela equipe a do Leonardo Linhares. E se eu fosse você, avisaria já a corretora de que quer uma fatia.

 

Nosso antiprêmio vai para o Banco do Brasil, que deixou 591 mil reais da candidata a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, no Fundo BB 200 Renda Fixa Curto Prazo. Taxa de administração? 2,5 por cento. Em um ano, quanto o BB vai levar? 14.780 reais (será que é um gerente se vingando da taxa do lixo?).

Ah, o fundo é de curto prazo. A alíquota mínima de imposto é de 20 por cento sobre o ganho. Ou seja, não chega a 15 por cento como em um fundo DI tradicional.

O nosso relatório indica um fundo DI com taxa de 0,2 por cento. Quanto isso significa em um ano? 1.182 reais. Uma economia de 13.597 reais. Martaxa, digo, Marta, assine aqui.

Quem percebeu sua gafe na declaração obrigatória de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), candidata, não fui eu, mas um leitor.

“Sou assinante, e embora não investisse tão mal assim em fundos DI, suas dicas, Luciana, ajudaram a melhorar minhas alocações. Mas me chamou a atenção os fundos com valores consideráveis da candidata Marta Suplicy, extremamente mal-alocados em fundos com taxa de administração de 2 por cento a até 3 por cento”. Júlio C.

Orgulhosa de você, Júlio! Obrigada!

 

THE END

Da última vez em que os astros se alinharam dessa forma, os multimercados macro – um tipo específico que ganha com tendências de mercado – renderam em média 18,1 por centro, contra 8,4 por cento do CDI. Os melhores fundos ultrapassaram 30 por cento de retorno.

Não, não é uma recomendação para experts. Pelo contrário. É uma recomendação para quem quer delegar a seleção de ações, títulos, moedas para outra pessoa. E pagar por esse serviço. Se você se sente confortável em investir diretamente, lindo. O fundo pode ser uma forma de diversificar as visões do portfólio.

Está disposto a aguentar volatilidade pelos próximos dois anos? Então, hoje escrevi para você. Envie suas dúvidas e ansiedades para fundos@empiricus.com.br.

 

Um abraço,

Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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