O que faremos com o dinheiro da Mega da Virada

Saiba o destino que os analistas da Empiricus vão dar para os R$ 210 milhões

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O que faremos com o dinheiro da Mega da Virada

Começou 2017, e você é o grande vencedor da Mega da Virada: 210 milhões de reais na sua conta. O que fazer? Montar um cinema em casa, comprar todo o Lindt em forma de bolinha do universo, ir comer um autêntico pastel de Belém em Lisboa e só depois pensar nisso?

O que nós, analistas da Empiricus, faremos? (Desculpa, a Mega já é nossa!)

Propus um desafio aos meus companheiros de análise. Você ganhou na Mega da Virada, mas junto com o dinheiro veio uma carta. Nela está escrito: “Hoje você não pode diversificar. Escolha um único ativo para aplicar tudo ou amanhã o dinheiro some da sua conta”.

Obviamente, todos eles responderam com defesas aguerridas da diversificação. Eu expliquei que o objetivo era simplesmente conhecer a maior convicção de cada um deles.

“Eu sei o que eu não faria” – disse logo o Alexandre – “comprar um imóvel”. E, tentando burlar as regras da brincadeira, completou que investiria tudo em um fundo bem diversificado: o Verde. “Se você ganhar na Mega-Sena, e o multimercado gerido por Luis Stuhlberger reabrir no mesmo dia, você está sonhando” – rebati. “Minha maior convicção no momento são os prefixados”, ele disse por fim.

Você já sabe a tese: garanta um título com uma taxa prefixada gordinha agora e, à medida que os juros esperados pelo mercado se ajustarem para baixo, assista ao seu papel virar ouro em pó.

Pausa para o que ouvi de um grande e discreto gestor de multimercados esta semana:

Se Temer continuar: juro cai.

Se Temer cair e houver eleição indireta: é muito difícil que assuma alguém pior para o mercado do que ele. E aí o juro cai.

Se Temer cair, houver eleição direta e assumir alguém de direita: com a inflação cedendo e a economia devagar, ele vai cortar juros.

Se Temer cair, houver eleição direta e assumir alguém de esquerda:  quem de esquerda vai ver a economia devagar e não cortar juros?

Também com a confiança de que todos os caminhos levam à queda dos juros, Marília reagiu ao desafio com títulos públicos: NTN-B, se tivesse que escolher um só. “Mas gosto tanto da LTN…”. Quer saber os vencimentos preferidos de nossa analista de renda fixa? Leia os relatórios dela.

Bruce foi rápido: eu compraria tudo em Itaú.

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Felipe achou a ideia da newsletter clichê e disse que não tem convicção suficiente para escolher um único papel. Felipe, tem algo mais clichê do que Papai Noel, boneco de neve e arroz com passas?

“Posso aparecer como o chato da Empiricus que não quis participar porque não tem convicções, só tem convexidade? Assim alguém passa uma ideia não clichê pelo menos”, perguntou o Felipe. Pode também! Sim, o Felipe tem uma convicção: impossível ter convicções.

Tive que quase colocar uma arma na cabeça de cada analista para convencê-los a indicar um ativo só. Perdi amigos na véspera do Natal. Mas isso me rendeu dois bons resultados:

– Não preciso dividir o prêmio da Mega com ninguém.

– Ficou clara a preferência por diversificação de toda a equipe.

Ou seja: o que não fazer com a Mega da Virada? Concentrar tudo em um único ativo.

Sabe aquela conta que você tinha feito de quanto renderia ao ano esse dinheiro aplicado no fundo DI? Minha família sempre faz essa mesma conta enquanto come farofa com chester (tá bom, eu sei que é estranho comer um animal que nunca vimos, mas confesso que espero o ano inteiro por este momento). Esqueça essa conta.

Max me ajudou e montou um portfólio simples, mas pede para avisar que você não se anime porque neste ano a Mega é dele: 50 por cento em NTN-B, 20 por cento em LFT, 10 por cento em LCA e LCI e 20 por cento em ações, sendo metade disso em boas pagadoras de dividendos.

 

NO FUNDO NO FUNDO

 

Menos uma… 

Com seis anos de vida, a gestora de multimercados Kyros Investimentos vai fechar as portas. O KGR Total, um dos multimercados da casa, crescia no gosto dos alocadores e fazia parte das carteiras de alguns produtos do private banking. O retorno desde a criação é de 97 por cento do CDI.

O que se comenta no mercado é que o fechamento foi motivado pelos resgates de alguns alocadores, como Banco do Brasil e Itaú. O sócio-fundador Fernando Telles diz que não houve um motivo específico, mas um conjunto de fatores, inclusive pessoais.

Os cotistas serão convocados para uma assembleia, e os fundos seguem operando normalmente (quem quiser pode sacar) até que se decida como será feita a devolução do dinheiro.

 

Diante de nosso próprio desafio, eu e o Bruno, assistente de análise de fundos, pensamos logo no Adam Macro. Se alguém se provou em 2016, foi Márcio Appel. Ao sair do Safra para montar a própria gestora, Adam Capital, ele merece o Cota Cheia do ano.

Desde que foi criado, em abril, o Adam Macro rendeu 166 por cento do CDI. O Avanced, mais volátil, entregou 279 por cento do referencial.

Não é isso, no entanto, o que nos chama a atenção. O prazo é muito curto para falar de retorno. O que saltou aos olhos foi o comportamento do fundo em momentos de estresse, especialmente da eleição de Trump à presidência dos Estados Unidos.

Appel deu sinais de que levou consigo o segredo de montar posições que se protegem entre si, a alma da consistência do Galileo, fundo que ele geriu por sete anos no Safra. E isso com muito patrimônio para administrar. Em menos de um ano, o patrimônio sob gestão já ultrapassa bilhões de reais.

 

O Ricardo e o Alexandre já fizeram seus protestos, mas eu não poderia deixar de fazer o meu. Um completo desserviço a coluna do Estadão na semana passada defendendo a poupança para um investimento de 250 mil reais.

O prazo é muito curto, e o dinheiro precisa ser liberado com facilidade, como diz o colunista? Até minha vó já sabe que a resposta é um bom fundo DI, não a poupança!

Caro investidor que escreveu para o jornal, existe um fundo DI no mercado, recomendado por nós, com aplicação mínima de 3 mil reais e taxa de administração de 0,2 por cento.

Se você tivesse investido seu dinheiro nele no último dia de outubro, poderia sacar, 30 dias depois, seu patrimônio acrescido de 1.976 reais. Sim, líquidos de taxa e impostos.

E se você tivesse colocado o mesmo dinheiro na poupança? O seu patrimônio mais 1.608 reais.

Ah, você precisa que o dinheiro seja liberado com facilidade? O fundo DI ganha essa disputa também. Você pode resgatar a qualquer dia em meio a esses 30 que vai ter algum retorno. Se pedir de manhã, o dinheiro está à tarde na sua conta.

E a poupança? Tem carência, lembra? A caderneta faz aniversário. Se precisar do dinheiro em menos de 30 dias, você não leva nada.

Fábio, você pode assinar o relatório aqui. Vai ser útil para seus leitores.

Agora sim…

No bom e velho clima de Natal, despedi-me de você na semana passada dizendo que aquela era a última newsletter do ano. Como você pode ver, não era.

Então essa é a última das últimas. Uma linda virada para você!

Ganhou a Mega-Sena? Escreva para mim: fundos@empiricus.com.br. Vou ajudar você a dar o melhor destino a essa dinheirama toda. Ah! Compra um Lindt pra mim? Já falei que eu gosto daquela bolinha?

 

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Um abraço,
Luciana Seabra

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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