O que pensam os 30 melhores gestores brasileiros sobre 2017

Perguntamos aos maiores administradores de recursos do país o que esperam para a economia do país e os principais investimentos no ano

O que pensam os 30 melhores gestores brasileiros sobre 2017

Nesse Natal resolvi retribuir a pipoqueira e o Meu Pequeno Gradiente que tanto animaram minha infância. Comprei um brinquedo para os meus pais: uma máquina fotográfica instantânea. Foi a sensação da noite. Todos em torno de um micropapel branco, esperando as cores se formarem.

Não fui a única a ter essa ideia. Enquanto conversava com o atendente, apareceram três adolescentes com o mesmo pedido. A tal da máquina estava vendendo mais do que pão de queijo quente, soube.

A Wikipedia conta que a primeira câmera instantânea comercial foi criada em 1948. Em 2008, a Polaroid, dona da patente, pediu recuperação judicial. Você investiria no equipamento depois disso? Pois assisti a adolescentes frustrados enquanto eu comprava a última câmera instantânea de uma grande loja de eletrônicos.

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Se até a Polaroid teve seu retorno triunfal, por que não a combalida economia brasileira?

Neste mundo, o que não vai e volta? Talvez os cabelos dos anos 80. E é bom que siga assim.

Kahneman e Tversky, ao estudar o comportamento dos investidores, o que lhes rendeu o Nobel de Economia, perceberam que nós sofremos de um mal, que apelidaram de disponibilidade.

Depois de ver um carro pegando fogo à beira da estrada, o mundo se torna para você um lugar mais perigoso, ainda que a probabilidade de seu carro pegar fogo não tenha aumentado. Se você anda assistindo a muitos filmes de espionagem, vê conspirações por toda parte.

Depois de ver seu negócio ir mal em 2016, um amigo ser demitido e a economia desacelerar, você só pode pensar que 2017 será… péssimo. A verdade de hoje nos parece eterna.

Enquanto os jornais noticiavam um 2017 ruim para investimentos de risco (com os entrevistados ao alcance da mão no fim de ano), cacei meus 30 preferidos gestores brasileiros independentes de fundos de ações e multimercados para saber o que se passava pela cabeça deles, mentes menos convencionais, de gente que faz dinheiro.

Do litoral nordestino ao Japão, os gestores mandaram suas respostas. O grupo soma 104,09 bilhões de reais sob gestão. Bela amostra, não?

Os ruins eu não sei, mas os bons gestores estão bem animados.

Quanto aos investimentos em ativos brasileiros para os próximos 12 meses, 79,3 por cento estão otimistas, 20,7 por cento estão neutros e nenhum está pessimista.

Sobre a economia brasileira, 82,8 por cento dizem estar confiantes. E nenhum deles discorda que o crescimento vai ser mais forte nos próximos 12 meses.

E os juros?

82,8 por cento dos melhores gestores brasileiros esperam que a meta para a Selic esteja abaixo de 10,5 por cento ao fim deste ano, patamar apontado pela pesquisa Focus de 16 de dezembro, a mais recente quando começamos a pesquisa.

Nenhum dos 30 acredita que a meta para os juros básicos vá estar acima de 10,5 por cento. Uma boa gordura para queimar – ainda estamos em 13,75 por cento.

O movimento deve render ganhos aos títulos prefixados que 41,4 por cento dizem ter no portfólio. Eles têm dado preferência ao papel em detrimento das NTN-Bs, que estão na carteira de 17,2 por cento dos que responderam à pesquisa. Para esses, os vencimentos mais longos e a parte intermediária da curva são os mais desejados.

A preferência pelos prefixados, que pegam na veia a queda de juros, pode ter a ver com a resposta a outra pergunta. A inflação, que faz parte do ganho das NTN-Bs, não é uma preocupação para 93,1 por cento dos ouvidos.

E que tal a bolsa?

89,6 por cento estão com caixa no nível histórico ou abaixo. Somente 10,3 por cento têm mais dinheiro parado em CDI do que o normal, o que sinalizaria uma falta de oportunidades.

Lucros corporativos? 57,1 por cento acreditam que vão subir até 10 por cento em 2017; 39,3 por cento que vão crescer de 10 a 20 por cento. Ou seja, somente 3,6 por cento acham que os lucros podem cair ou passar de 20 por cento.

As empresas com maior peso nos portfólios são as defensivas domésticas, como concessionárias; e cíclicas domésticas, como varejistas.

E os ventos externos?

Trump te preocupa? 75,9 por cento dos melhores gestores brasileiros acham que a economia americana ou não terá impacto sobre a brasileira ou que ele será positivo.

Ah, é a Europa que te tira o sono? 72,4 por cento discordam sobre um impacto negativo.

A China é a que mais assusta: 37,9 por cento veem risco de impacto negativo.

Ninguém se entende sobre o câmbio, só para variar: 4 gestores ouvidos estão comprados em dólar contra real, 2 em dólar contra outras moedas, 7 vendidos em dólar, 16 preferem não se posicionar na moeda no momento e 1 não quis responder essa pergunta.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 de dezembro e 3 de janeiro.

Confesso que fiquei surpresa com um cenário tão otimista. De fato, os melhores gestores do país têm uma opinião bem diferente da que temos visto nos jornais.

Que bom! É preciso que a massa venda para quem está otimista comprar barato.

“Entrei no site da Adam Capital e verifiquei que eles disponibilizaram um plano de previdência privada: o Adam Previdenciário. Vocês poderiam falar um pouco sobre ele?”. Rafael C.

A Adam você já conhece, Rafael. É a gestora criada no ano passado por Márcio Appel, depois de oito anos à frente do Galileo, um dos multimercados brasileiros de histórico mais consistente.

André Salgado, que já comandou a corretora do Safra e foi diretor da corretora do Santander, convenceu Appel de partir em carreira solo. Nem sempre dá certo (o fim de ano me fez pensar por onde andam Sandy e Junior) e o histórico ainda é curto.

O fato, entretanto, é que a gestora começou com retornos excepcionais e é impossível ignorar o histórico pregresso de Appel. Há questionamentos no mercado, claro, como o de que as decisões de investimento são concentradas demais em um homem só.

Algumas posições diferentes do restante do mercado, como em S&P, índice da bolsa americana, também levantam polêmica.

Quem está no palco sempre é mais vulnerável, sabemos, mas acompanhamos tudo de perto. O fundo de previdência tem menos de seis meses de vida, então ainda não pode divulgar retorno pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Uma espiada na cota, entretanto, já mostra um retorno excepcional.

A previdência da Adam não é, entretanto, para amadores. “Nós não acreditamos em retorno sem volatilidade”, diz logo Salgado. Do mesmo jeito que pode ganhar muito em um mês, o fundo pode perder bastante em outro.

A ótima notícia é que há pele em jogo. O investidor entra no mesmo fundo de onde vai sair a aposentadoria de Appel. A carteira aberta em novembro é o antigo fundo exclusivo de previdência do gestor do Galileo.

O fundo se assemelha ao Adam Macro, que mira volatilidade de 8 por cento, um patamar alto para multimercados. As regras de previdência limitam a estratégia, impossibilitando, por exemplo, posições vendidas sem as correspondentes compradas. Toda a estratégia do Macro que couber no Adam previdência será feita, disse o Salgado.

As regras engessadas da previdência podem atrapalhar sim, mas, há, por outro lado, dois pontos positivos: no segmento não há cobrança de come-cotas, aquela tributação semestral, de tal forma que o imposto somente é cobrado no final (e pode chegar a 10 por cento se você optar pela tabela regressiva, contra 15 por cento de um fundo tradicional). Além disso, na previdência não há taxa de performance. Só a de administração, de 2 por cento.

A ideia é ter uma gestão arrojada. “Não queremos um produto de previdência que fique com a bunda na parede só aproveitando o benefício fiscal”, disse para mim o Salgado. Preciso dizer que gosto disso?

Até o momento, o fundo está disponível pela seguradora Icatu e também pela Credit Suisse Hedging-Griffo, para quem tem acesso à oferta do banco.

O novo fundo da Adam, que pode ser embalado em um PGBL ou um VGBL, ao gosto do freguês, está em nossa análise e ganhará um relatório em breve.

 
Será o fim? Eu também volto

Ao ver a família reunida em volta da foto instantânea, lembrei-me da minha sobrinha, que, ao ter o primeiro contato com a antiga máquina de escrever dos meus pais disse: “que legal, você escreve e já vai imprimindo”.

Já viu uma moda que rola nas redes sociais de fotografar um texto escrito à máquina e postar? Tem até matéria sobre o fenômeno jovem. Pode pesquisar.

Portanto, não se deixe levar pela ideia de que o que vale hoje para a economia brasileira será verdade amanhã.

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Um abraço,
Luciana Seabra

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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