Oportunidade: invista toda a sua previdência na dívida russa

Veja se sua aposentadoria está bem investida ou concentrada em um único ativo

Oportunidade: invista toda a sua previdência na dívida russa

Que tal fazer os aportes mensais que vão garantir sua aposentadoria em títulos do governo e das empresas russas?

Parece exótico? Arriscado demais para o dinheiro da sua previdência?

Imagino que um russo também não toparia investir toda a aposentadoria dele na dívida pública e privada brasileira.

Mas, vem cá, não é o que você faz?

Vejo aqui as estatísticas da Anbima e confesso que fico chocada: 97 por cento do valor investido em previdência no Brasil está em fundos de renda fixa.

Dos 496,9 bilhões de reais investidos em previdência no Brasil até dezembro, 480,3 bilhões de reais estão em fundos de renda fixa.

E esses fundos aplicam em quê? Títulos públicos e de crédito de empresas brasileiras.

Por que você escolheu esse fundo? Aposto que sua resposta será: porque sou conservador com a previdência. Afinal, é o dinheiro da minha aposentadoria.

É mesmo? Do ponto de vista de um investidor russo, estou certa de que você parece bem arrojado: toda a sua aposentadoria nas dívidas de um país em desenvolvimento.

Não seria mais sensato ter o dinheiro de longo prazo não somente em títulos públicos e privados, mas também em ações de empresas consolidadas (e com parte da receita no exterior) e moedas de diferentes países?

Que tal uma fatia da sua aposentadoria no exterior? Pode? Sim. O Banco Central percebeu que a diversificação é valiosa para o dinheiro de longo prazo e autorizou por meio da Resolução 4.444 que até 10 por cento do patrimônio esteja sujeito à variação cambial.

Seu fundo não faz nada disso? Você segue uma estratégia arriscada – todo o patrimônio da aposentadoria em um único tipo de ativo – mas pelo menos tem tido retorno com ela, certo?

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Puxei aqui o retorno dos 2.410 fundos de previdência em 2.016. Foi um ano de muitas oportunidades para garantir uma aposentadoria mais gordinha: o Ibovespa rendeu 38,94 por cento.

Um total de 887 fundos, ou 37 por cento do total, perderam para o CDI.

Pode piorar. Separei somente os fundos com mais de 1 bilhão de reais (que recheiam os PGBLs e VGBLs oferecidos pelo gerente, onde você provavelmente está).

Dos 248 fundos, 51 por cento perderam para o CDI em 2016. Será que não é o caso do seu? Pode conferir.

Mas, antes que você se desespere, também tenho uma boa notícia: nunca vi serem criados tantos fundos interessantes, diversificados e rentáveis na previdência.

Gestores consolidados de multimercados invadiram a área. E estão fazendo um ótimo trabalho. Alguns deles você pode conseguir sem sair do seu banco.

Não ganho nem um centavo a mais por recomendar esses fundos a você em vez do fundo medíocre em que está hoje sua aposentadoria. Desculpa, é medíocre.

Só peço uma coisa: escreva uma carta para mim quando for um vovô ou uma vovó comendo aquele bacalhau no Porto.

Posso apostar que você já portou o seu celular de operadora. Depois daquele dia chuvoso em que ficou sem sinal, bateu na porta da concorrência em busca do privilégio de manter uma conversa sem a ligação cair.

O mesmo você pode fazer com a sua previdência, sabia? Nem precisa avisar a seguradora do seu fundo atual. É só bater lá na porta da nova e dizer que quer transferir o saldo.

Ah, mas você está perto de chegar ao prazo de dez anos da contribuição, em que o imposto cai a 10 por cento? Sem problemas. Na portabilidade, o prazo não zera. Você carrega a vantagem tributária com você.

Hoje o Cota Cheia vai para você que fez a portabilidade em 2016. Ou seja, que escolheu um fundo melhor e tomou a atitude de mudar. No ano passado, até outubro, 9,3 bilhões de reais foram portados segundo a Susep.

O que você está esperando para entrar na estatística de 2017?

 

Hoje o Cota Murcha vai para quem olha a lâmina do fundo, mas não disseca o regulamento. No caso, eu, na semana passada, ao escrever para você sobre a distribuição do fundo da Adam pelo Itaú. E peço desculpas por isso. Fica registrada aqui a correção.

Escrevi que o espelho do Adam distribuído pelo Itaú tinha taxa de administração de 2,5 por cento, enquanto os demais tinham de 2 por cento. Na verdade, a lâmina chamava somente de taxa de administração, mas o regulamento deixava claro que essa era a taxa de administração máxima.

O que é a taxa máxima? É o máximo de custo que o fundo pode ter para você. E ele é o mesmo no espelho do Itaú e nos demais produtos derivados da Adam distribuídos no mercado.

E a taxa efetiva? Essa é a cobrada de fato pelo fundo. Essa só vamos saber ao fim do primeiro mês completo do produto: janeiro.

Por enquanto, só conseguimos espiar o retorno. Em janeiro, até dia 19, o espelho do Adam no Itaú rende 3,56 por cento. Os demais, distribuídos em plataformas, 3,63 por cento. Bom dizer que a taxa tende a pesar mais no começo de um fundo, pelo patrimônio pequeno para dividir os custos.

Lição do dia: leia sempre o regulamento.

Estou perdido

Está inseguro sobre trocar sua previdência? Normal. Sua aposentadoria é assunto sério. Podemos conversar mais sobre suas dúvidas. Escreva para fundos@empiricus.com.br.

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Um abraço,
Luciana Seabra

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