Os 15 fundos mais rentáveis do semestre

E também os sete erros dos rankings que você vê por aí

Os 15 fundos mais rentáveis do semestre

Eu já fui vítima dos rankings de fundos. Confesso que já acreditei neles. Hoje costumo sentir calafrios quando vejo esse tipo de lista, especialmente pela forma como é em geral apresentada: “Os melhores fundos do semestre”.

Há uma longa distância entre os mais rentáveis e os melhores. Se você costuma usar essas listas como referência para escolher em que fundo investir, seguem sete motivos para não fazê-lo. Assim não sofro mais sozinha. Ao fim, prometo uma lista de fundos.

Erro 1: incluir fundos exclusivos e restritos

A melhor feijoada do mundo é a da minha mãe. Ela nunca apareceu, entretanto, na revista dos melhores restaurantes da cidade. Por quê? Porque ela não está e nunca esteve à venda. Por que então carteiras exclusivas ou restritas, em que os cotistas são investidores de alto patrimônio e seus familiares, aparecem nos rankings de fundos?

Fundos classificados como exclusivos ou com poucos cotistas deveriam ser eliminados da amostra, simplesmente porque não são e nunca serão acessíveis (ao contrário de fundos fechados, que um dia podem abrir as portas de novo).

Erro 2: incluir fundos de patrimônio muito pequeno

Se a minha mãe começasse a vender a feijoada dela em larga escala amanhã, por mais maravilhosa que seja, também não posso garantir que entraria na lista dos melhores restaurantes. Da mesma forma, é bem complicado colocar lado a lado na lista dos melhores fundos um que cuida de uma merreca de reais e outro que gere bilhões.

Até mesmo porque, assim que você e outros investidores que viram o ranking aplicarem no microfundo, é muito provável que a rentabilidade dele caia.

Para corrigir essa distorção, é preciso definir um corte de patrimônio, que varia de uma categoria para outra. Algo como: serão excluídos da análise fundos com patrimônio inferior a 100 milhões de reais e com menos de 100 cotistas.

Erro 3: comparar fundos muito diferentes

O que é melhor? A feijoada da minha mãe ou o doce de abóbora da minha avó? É comum que rankings comparem fundos globais com locais, ou multimercados com fundos de ações.

Às vezes, dois fundos aparecem com a mesma classificação por motivos tributários, mas cabe a quem monta o ranking saber que são completamente diferentes em estratégia e que, portanto, não são comparáveis.

Erro 4: comparar fundos iguais

Ao contrário dos EUA, em que um mesmo fundo pode ter diferentes classes, no Brasil os fundos não podem diferenciar cotistas. Sendo assim, é comum que o gestor abra fundos de mesma estratégia, porém com diferentes nomes, prazos de resgate e públicos-alvo.

Obviamente, esses fundos ficam com retornos muito próximos. É comum que os rankings, em vez de optarem por um deles, incluam todas as versões de um fundo de uma mesma casa.

Eu vejo aquilo e me sinto lendo o resultado de um concurso esdrúxulo: “Os melhores da turma são João, João de calças e João de chapéu de palha pulando em uma perna só”.

Erro 5: avaliar janelas temporais muito curtas

Nada contra ver quem rendeu mais no semestre. Ou em um ano. Tudo contra dizer que aqueles são os melhores fundos. Com exceção do Justin Bieber, ninguém tem uma história para contar sobre tão pouco tempo de vida.

Erro 6: confundir volatilidade com risco

Existem os rankings mais sofisticados, compostos por pomposas casas, que consideram também a volatilidade do fundo. Uau, hein? Eles têm em conta, em geral, o Índice de Sharpe, que pondera o retorno pela volatilidade. Fundos que rendem bem sem sacodir ganham a frente.

Resultado? O topo do ranking passa a ser ocupado por fundos que investem muito em crédito. São os melhores? Não. Somente têm o risco mascarado pela baixa liquidez do mercado de crédito. Não sacodem, mas, se der problema, vão despencar.

Erro 7: vender o ranking como um caminho para escolher um fundo

Não só de análise quantitativa deve ser feita uma escolha de fundo. Aliás, ela é secundária. Já vi até gestor dar entrevista em jornal pelo retorno passado, quando ele foi obtido por outra equipe, que já não está mais lá.

Além de avaliar diferentes janelas quantitativas, é preciso conhecer a história do gestor, considerar a composição da carteira e, inclusive, ouvir fofocas de mercado. Antes de um fundo descambar, vêm os rumores de equipe mal remunerada, gestor caminhando na praia de sunga às 11 horas da manhã e conflitos entre sócios.

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E os fundos mais rentáveis?

Os melhores fundos estão aqui. Eles são fruto de uma análise quantitativa e qualitativa e, para que ela seja independente, deve ser remunerada por você, investidor.

Agora, se você quiser saber, por curiosidade, quais foram os fundos de ações mais rentáveis do semestre, mostro abaixo. Eliminei produtos exclusivos e restritos, assim como com menos de 100 cotistas e aquém de 100 milhões de reais em patrimônio.

Palmas para o investidor que teve paciência e não saiu correndo dos fundos de risco depois do susto do 17 de maio, quando tomamos ciência da conversa gravada entre Joesley e Temer.

Quem investiu no Alaska, o primeiro fundo da lista acima, ciente de que o fundo assume altos riscos em prol de retornos no longo prazo, e manteve-se fiel ao plano, colheu os frutos.

O fundo perdeu 28 por cento somente no dia 18 de maio. Quem não tinha entendido o produto e pulou do barco perdeu o ganho de 23 por cento somente em julho. No ano, o Alaska Black rende 29 por cento, contra 9 por cento do Ibovespa.

Se você é nosso assinante e seguiu a recomendação, parabéns! Pelo fluxo, a gestora percebeu que você sabia exatamente onde estava pisando: em um fundo para quem tem estômago forte e uma pequena parcela do patrimônio disponível para correr atrás de grandes oportunidades, com altos riscos. Segurou a onda e agora colhe os frutos.

 

Dedico essa seção aos rankings que têm comparado, na onda pós-Copom, fundos DI e Simples que têm crédito privado de diferentes níveis de risco com os que investem somente em títulos públicos.

São bichos completamente diferentes.Gostaria de lembrar que fundos DI sem crédito privado no nome também podem ter crédito na carteira. E, em geral, têm. Eles só precisam fazer referência a isso na nomenclatura se ultrapassarem 50 por cento do patrimônio no ativo.

 

Cuidado

Há coincidências entre os fundos mais rentáveis e os melhores fundos? Sim. Mas há também os que foram melhores porque assumiram riscos exagerados e vão quebrar ali na esquina. Por isso, questione sua fé em rankings.

Ainda tem dúvidas sobre investimentos? Resolva todas no Rodolfo Responde especial ao vivo, nesta sexta-feira, às 16h. Didática é com ele mesmo.

Um abraço,
Luciana Seabra

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