Por que o novo projeto do Itaú não é feito para você

O que há por trás da oferta de gestores independentes pelo gerente do banco

Por que o novo projeto do Itaú não é feito para você

Minha mãe sempre gostou de manter os filhos embaixo das asas. Quando percebeu que pagaria de intransigente ao seguir proibindo as baladas, ela definiu as regras: “Ok, você vai. Te levo às 19h e busco às 22h”.

Minha felicidade durou até a primeira vez em que vi a Brasília despontar na esquina para me resgatar ao mesmo tempo em que o Flavinho surgia na porta com seus olhos verdes capazes de destruir um coração adolescente iludido por Jack e Rose.

A mesma área do meu cérebro – da liberdade de mentirinha – acaba de se acender às vésperas de recomendar a você o Itaú pela iniciativa de começar a abrir a sua plataforma. O que parece não é.

Explico: os jornais noticiaram que o Itaú, o terceiro maior gestor brasileiro, com 535 bilhões de reais em fundos próprios, teria decidido começar a oferecer ao cliente de varejo, assim como faz com o do private banking, fundos de outros gestores de recursos.

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De fato, os nomes dos gestores independentes começaram a surgir casadinhos com o do segmento de alta renda do banco: Itaú Personnalité Adam Macro, Itaú Personnalité Ibiuna Hedge, Itaú Personnalité Gávea Macro…

Bonito, né? Eu já ia avisar toda feliz que agora dava para pedir fundo bom ao gerente do banco. Até que vi as condições impostas para participar da festa.

Vejamos o Adam Macro. O fundo original tem taxa de administração de 2 por cento ao ano. Embalado de Itaú, o fundo tem exatamente as mesmas características, com exceção da taxa, que sobe para 2,5 por cento.

A Adam remunera os distribuidores com uma parte da taxa de administração que você paga, o chamado rebate. O Itaú não poderia se contentar com ela?

E o Gávea Macro, do Arminio Fraga? Esse não tem taxa adicional, mas o Itaú registrou na lâmina (confesso que nunca tinha visto isso) que é preciso ter 1 milhão de reais no banco para acessar o produto.

A CVM não considerou que o fundo do Arminio precisa estar restrito a investidores qualificados – quem tem mais de 1 milhão de reais em investimentos financeiros –, mas o Itaú criou suas próprias regras.

Você quer fundo de outro gestor? É só pagar a taxa dele e a minha também – diz o Itaú. E soma: aqui para ser livre é preciso ser rico. Do contrário, vai ter que se conformar com os fundos do banco.

Parabéns, Itaú, por colocar a perder mais uma iniciativa de plataforma aberta de fundos para o varejo brasileiro.

Primeiro, ao comprar o Unibanco e abafar sua prateleira de fundos de fundos. Depois, ao comprar o varejo do Citibank, que, seguindo o exemplo da liberdade da matriz americana, oferecia ao cliente brasileiro plataforma aberta de verdade.

E agora vem com essa plataforma “tipo aberta”.

Você, investidor, que sempre resistiu a sair do Itaú pela credibilidade e solidez, por que não aproveita o carimbo que o banco acaba de dar ao gestor independente para acessá-lo por outras plataformas?

“Esse multimercado é gerido por Marcio Appel, um dos gestores mais competentes do mercado e que esteve sete anos à frente do Safra Galileo, fundo com retorno muito consistente e performance admirável”, escreveu a gerente do Itaú para o Adriano, um dos nossos assinantes, surpreendido pela nossa recomendação na grade do Itaú. De fato, é um excelente fundo.

“Vale a pena esse fundo pelo Itaú? Ou é melhor pela corretora?” – perguntou.

Melhor pela corretora, Adriano. Não sabe onde está? Eu conto para você. Adam com taxa 2 por cento ao ano é distribuído por Easynvest, Geração Futuro, Guide, Órama, Rico e XP.

Quer Ibiuna Hedge? Você encontra na Geração Futuro, na Guide e na XP.

Quer Gávea Macro e não é milionário? Está na XP e acabou de entrar no BTG Pactual Digital. Basta ter o tíquete de entrada do fundo: 50 mil reais.

A mensagem do Itaú, não se engane, é: “Você quer liberdade? Vai pagar caro por ela”.

Um fundo chamou a atenção da nossa equipe ainda na chocadeira. Chama-se XP Tesouro LFT FI Renda Fixa Simples.

Você conhece os fundos simples? Esse foi um tipo de fundo criado pela CVM em outubro de 2015, liberando o gestor de alguns procedimentos, como da análise de perfil do investidor, desde que investisse somente em títulos públicos e papéis privados de risco equivalente ao soberano.

No edital da audiência pública, a CVM registrou seu objetivo: que esse fosse o primeiro acesso da classe média emergente ao mercado de capitais, por meio de um fundo “simples, seguro e de baixo custo”.

Corta para a realidade. Os fundos Simples que chegaram ao varejo estão longe de ser de baixo custo. A Caixa tem um de taxa 1,5 por cento ao ano, o Banco do Brasil, um de 1,95 por cento, o o Itaú e o Santander, 2,2 por cento, o Bradesco, 2,5 por cento.

Ou seja: os bancos se aproveitaram das facilidades criadas pela CVM, mas estruturaram produtos que não cumprem o objetivo inicial.

O fundo Simples da XP nasceu com baixo custo de verdade: taxa 0,2 por cento ao ano e aplicação mínima de 3 mil reais. Aí sim, hein?

Ainda não está na plataforma, mas soube que não vai ter risco de crédito – ele investe somente em títulos do tipo Tesouro Selic – e que vai ser distribuído pela XP em breve, provavelmente a partir de fevereiro.

O fundo tem exatamente as mesmas características de um fundo DI do BTG, que também é um excelente fundo, o que não me parece coincidência. Tem algo mais lindo para o investidor do que a concorrência?

 

Pegadinha de novo, jura?

O nosso interesse é que você invista nos melhores fundos de investimento do mercado pelo caminho mais fácil e justo possível. Adoraria que fosse possível pelo Itaú, mas não é ainda.

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Um abraço,
Luciana Seabra

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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