Que tal o novo bebê da Adam?

Que tal o novo bebê da Adam?

“Fazer um multimercado sem juros não é um desafio absurdo? Não é trabalhar de mãos amarradas?” – perguntei há alguns meses ao Marcio Appel, o gestor da Adam Capital, logo que soube da gestação do novo fundo da casa, o Strategy, em uma conversa para um futuro livro de gestores de multimercados. O fundo nasce nesta sexta-feira, dia 30.

“Obviamente, poder fazer juros é melhor do que não poder fazer” – respondeu para mim com sinceridade o Appel. Somou, entretanto, que um olhar retrospectivo mostra uma melhor relação entre risco e retorno na moeda do que nos juros, “onde estava toda a torcida do Flamengo”, de um ano para cá.

Ou seja: real contra dólar deu menos dor de barriga para cada unidade de prazer do que a estratégia de encher os bolsos de títulos prefixados.

Com mais de 10 bilhões de reais captados nos fundos Adam Macro e Advanced, a gestora de fato não pode mais crescer a posição em juros. Melhor assim, para quem já entrou em um dos dois fundos. Ninguém quer ser um elefante em uma cristaleira, para usar uma expressão do tempo da vovó. A liquidez do mercado de moeda é maior.

Eu acredito em pessoas. Tem um lado romântico, sim. O Adam Strategy nasce com boas perspectivas simplesmente porque tem Appel no comando – o menino que trocou a engenharia aeronáutica e o plano de trabalhar na Nasa pelo sonho de sucesso no mercado financeiro. No Safra, Appel construiu o impressionante histórico de consistência do Galileo e, em carreira solo, acumula 158 por cento do CDI em pouco mais de um ano de Adam Macro.

“Aqui só tem duas coisas possíveis: ou você rende e o negócio existe ou você não rende e o negócio desaparece. Não adianta você ser gente boa, concordar com o senso comum”, disse para mim o Appel naquela mesma ocasião. Fato.


Link recomendado

 Renda Fixa é mais variável do que você pensa…


Não invista mais um centavo antes de ler: A Renda Fixa Não É Fixa. A verdadeira identidade da Renda Fixa está revelada neste livro, da especialista Marília Fontes. Descubra toda a verdade no livro inédito sobre a forma mais segura e rentável de lucrar com esse tipo de investimento. 

Basta reserva seu exemplar gratuito.

O Strategy terá a marca de Appel, que ele explica mais ou menos assim: uma composição de teses de longuíssimo prazo que parecem inevitáveis, mas expressas via ativos que se comportem de maneira diferente no curto prazo, para que a trajetória até lá não seja muito sofrida.

Bom dizer que, além de acreditar em pessoas, acredito em incentivos. Appel é movido pela paixão, pelo desejo de fazer um fundo de alto nível e, obviamente, aqui serei menos romântica, pelo resultado financeiro. “Isso é minha vida. Meu dinheiro está quase todo aí”, diz.

Quem é o maior interessado em que o Strategy decole? Compare com os incentivos do gestor de multimercados do seu banco. Se der errado, no máximo ele perde o emprego. Talvez seja só mudado de área. A Adam é o projeto de vida do Appel.

Logo, se você perdeu o primeiro bonde da Adam (não foi por falta de aviso), que tal montar a estratégia de juros na pessoa física – aliás, o Appel prefere os prefixados de vencimento mais distante – que você pode comprar no Tesouro Direto ao custo de 0,3 por cento ao ano, e deixar o mais complexo para o Strategy?

Appel vai expressar a visão para Brasil via moeda e Bolsa – de início, comprado em Ibovespa, com uma posição adicional em Itaú.

E, além disso, o Strategy complementa sua carteira que na certa é praticamente toda doméstica, com uma posição importante lá fora.

Assim como os demais fundos da casa, o portfólio terá também S&P, amor antigo do Appel, contra tudo e todos que acham que a bolsa americana já foi longe demais. E terá também bolsas alemã e japonesa.

E, mais, será o único fundo da casa com não somente índices, mas com uma seleção de ações lá fora. As mais fortes candidatas a compor o portfólio são Amazon, Facebook, Google, Disney e J.P. Morgan.

 

No comando da seleção global, estão o excelente Ruy Alves, que tive a oportunidade de conhecer ainda na JGP, e também o Fernando Gonçalves, que já trabalhou na Gávea, no J.P. Morgan e no Merrill Lynch.

Os dois apoiam Appel, que, conta-se, tem uma carteira de ações americanas que subiu 140 por cento de 2012 para cá.

Bom dizer que o novo fundo da Adam mira volatilidade mais alta do que o Macro, de 10 por cento. Isso é bom, se você gosta de assumir risco, afinal, vai pagar a mesma taxa – de 2 por cento ao ano, com 20 por cento sobre a performance que exceder o CDI – por maior potencial de retorno no longo prazo. É como comprar amaciante concentrado pelo mesmo preço do diluído.

E mais, deixar um bom gestor correr risco, pode ser bom para você, por mais que pareça contra-intuitivo. Pelos limites de risco menos draconianos, o Strategy perderia 5 por cento no fatídico 18 de maio, contra 6,4 por cento do Adam Macro.
Quer mais detalhes? No relatório da próxima terça.

O Itaú ficou bem chateado com nossas críticas à exigência de patrimônio mínimo investido no banco para acessar fundos de gestores independentes, mas, pelo jeito, tinha fundamento. Meses depois, o próprio banco mudou as regras!

Se você é cliente do Personnalité, há duas semanas até via fundos como os multimercados da Gávea ou da Kapitalo na grade, mas com uma exigência de patrimônio de mais de 1 milhão de reais para acessá-los.

Agora, os produtos estão lá com os mesmos tíquetes mínimos oferecidos em distribuidores on-line.

“Qual não foi minha surpresa ao acessar os produtos de investimentos doPersonnalité esses dias e me deparar com a redução substancial de aplicação mínima nos produtos de terceiros. Antes os valores mínimos eram inviáveis. Existe alguma pegadinha?”. Alexandre P.

Não, Alexandre, é isso mesmo. Parabéns, Itaú, agora sim, Cota Cheia para você.

 


Se a Susep (Superintendência de Seguros Privados) desse uma forcinha, a previdência aberta poderia deixar a era do papel e adentrar no incrível mundo digital.

Enquanto a CVM e o Banco Central já preveem a possibilidade de uso de assinatura eletrônica para investir em ativos financeiros, a Susep, que regula os VGBLs e PGBLs, nada diz sobre o procedimento. Custa modernizar as regras do jogo?

Enquanto isso nós seguimos com aquela rotina ultrapassada imprime contrato, assina, “escaneia”, manda de volta.

E, Susep, se não for pedir demais, vamos padronizar os contratos? Quem sabe criar um código de identificação para cada cliente? Assim a portabilidade deixa de ser um parto e a concorrência fica mais saudável.

 

Onde?

André Salgado, o sócio de Appel na Adam, foi generoso com o investidor ao trabalhar na distribuição. Vai ter Strategy em tudo quanto é canto: Itaú Personnalité, XP, Genial, Guide, Órama, Rico e BTG Pactual Digital.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

A aplicação mínima é de 50 mil reais, mas a boa notícia do dia é que tem distribuidor se mexendo para montar fundo espelho com tíquete de entrada menor. No BTG Pactual Digital, por exemplo, a aplicação mínima será bem baixinha, de 5 mil reais.

Por falar em distribuição, meu relatório mais recente te ajuda a escolher a melhor corretora para investir em fundos. Não perca.

Um abraço,
Luciana Seabra

Conteúdo relacionado