Por que fundo DI e poupança não protegem você do Lula

Saiba por que alocar seu patrimônio em fundo DI e poupança não te protege do maior medo do mercado, um governo sem disciplina fiscal materializado na figura de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Por que fundo DI e poupança não protegem você do Lula

Ontem meu sobrinho fez dois anos. Uma das diversões preferidas dele é se esconder. Preciso segurar o riso ao vê-lo com o rosto atrás da cortina e todo o restante do corpo para fora, bem ao alcance dos meus olhos, sentindo-se totalmente seguro.

Aliás, na internet, você encontra algumas listas hilárias de crianças que são péssimas na brincadeira de esconde-esconde. Parece que há uma explicação cognitiva para isso: até uma certa idade, as crianças de fato acham que, se não veem algo, ninguém mais vê.

Talvez você esteja se comportando como uma dessas crianças ao concentrar todo seu patrimônio em um fundo DI (ou no título Tesouro Selic), na esperança de que vai passar ileso pela volatilidade da disputa eleitoral de 2018. Preocupa-me ver que um quarto de todo o dinheiro investido em fundos, quase R$ 1 trilhão, está no tipo renda fixa duração baixa, que concentra os fundos DI.

A pergunta é: essa é sua reserva de emergência? Então não há mesmo o que fazer, nossa conversa termina aqui. Esse é o único destino com liquidez e baixo risco para o dinheiro que você vai precisar a qualquer momento.

 Agora, se esse é seu patrimônio de uma vida, então precisa pensar agora em diversificá-lo. Vou explicar por quê.

Se o seu maior medo é, como o de boa parte do mercado, um governo sem disciplina fiscal – que tem se materializado na figura de Luiz Inácio Lula da Silva – então você está se escondendo como meu sobrinho.

Um Luis que admiro muito mais – o Stuhlberger, do renomado fundo Verde, conhecido pela fixação por se proteger – tem se posicionado em juros via NTN-Bs, com vencimento em 2026, títulos que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação.

Se a disciplina fiscal predominar, Stuhlberger terá garantido uma taxa prefixada gordinha, e vai embolsar a valorização de seu papel.

Se Lula ganhar, ou por qualquer outro caminho não houver continuidade, o cenário mais temido é o de disparada do dólar e pressão inflacionária – nesse caso, o gestor da Verde se protege com o componente indexado à inflação dos mesmos títulos. Ganho e proteção: dois em um.

E você? No fundo DI, se a disciplina fiscal predominar, você vai ganhar perto de 6% de juros nominais – ou talvez menos do que isso, porque nesse cenário o Banco Central pode seguir com a trajetória de corte – o que, na melhor das hipóteses, vai significar 3% de juro real. E se ocorrer o pior cenário? A inflação deve ser maior e pode comer todo o seu ganho.

Resumindo: no fundo DI, você ganha pouco se tudo der certo e perde poder de compra se tudo der errado.

Só há uma opção pior do que essa: a poupança. Sob as novas regras, é bom lembrar, a caderneta rende 70% da Selic. Ou seja, você ganha menos ainda se tudo der certo. Se der errado, o ganho é comido ainda mais rápido pela inflação.

Stuhlberger não é o único gestor a recorrer às NTN-Bs com vencimento por volta de 2020. Em minhas andanças e conversas com gestores de multimercados nas últimas semanas, a opção preferida dos investidores profissionais cautelosos tem sido as NTN-Bs, não as LFTs.

Você pode imitá-los – e a Marília pode ajudar você com isso – ou investir nos fundos deles – nesse caso, pode contar comigo para apontar os melhores.

Para ser justa, quem me despertou para essa assimetria pior do que nunca dos títulos pós-fixados – pouco a ganhar e muito a perder – foi o diretor de investimentos da Vinci, Fernando Lovisotto. Ele gosta das NTN-Bs 2022 e 2026 e tem evitado deixar dinheiro em caixa.

Vai sacudir no meio do caminho? Muito provavelmente. É por isso que as NTN-Bs não servem para o dinheiro de que você vai precisar no curtíssimo prazo.

Esconderijo de mentirinha é fofo para o meu sobrinho. Já para você…


“Vi que o BTG abriu um espelho do Constellation com valor de entrada baixo. Gostei da entrevista com o Bartunek no livro ‘Conversas com Gestore’. Será recomendado por vocês?” Kellen G.

Bem observado, Kellen! A Constellation é uma gestora de ações bastante reconhecida, especialmente por estrangeiros que querem acessar a Bolsa local. Hoje, 74% dos 3,4 bilhões de reais geridos pelo fundo são de investidores institucionais. A novidade é que a casa acaba de se render ao charme do investidor de varejo, chegando às prateleiras de fundos online.

Florian Bartunek, sócio-fundador e gestor, é figura conhecida no mercado. A semente da Constellation é uma carteira de ações comandada por ele na então Utor, fundada pelos antigos sócios do Banco Garantia, dos quais na certa você já ouviu falar: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

A Constellation de fato nasceu em 2002, das mãos de Lemann e Florian. Mais recentemente, somou-se à sociedade o fundo americano Lone Pine Capital.

Na seleção de ativos, a equipe da Constellation dá menos atenção ao balanço – uma ferramenta eliminatória, porém pequena no processo, defende Florian – e mais na análise qualitativa e nas estratégias de longo prazo. Pouco importa, por exemplo, o resultado da Natura no próximo trimestre, mas sim, tem peso, como ela tem se estruturado para abrir lojas físicas.

Hoje a gestora tem dado preferência a companhias com histórias próprias, com potencial para se destacar em relação à média do mercado, como Rumo, Fleury, Alpargatas, Somos Educação e IRB. Empresas de maior consenso, ainda que pareçam caras a um primeiro olhar, ajudam a compor uma carteira diversificada, idealmente com mais de 15 ações, segundo Florian. É o caso de Raia Drogasil, no momento.

De forma geral, o gestor está otimista com o ambiente de negócios brasileiro, o que não significa que está completamente alocado. Ele tem dinheiro fora da Bolsa para aproveitar oportunidades que vão surgir no meio do caminho.

Em contato permanente com o investidor estrangeiro, o gestor diz que enquanto o capital arisco, de curto prazo, está preocupado com as eleições do ano que vem, os endowments, grandes investidores institucionais de longo prazo, como os bolsões de dinheiro que sustentam universidades, têm olhado o Brasil com carinho. “Eles não necessariamente vão esperar as eleições, porque sabem que podem perder o timing”, diz.

Com porta para bolsos pequenos – inclusive com aplicação mínima baixa, de 5 mil reais – o fundo volta à nossa análise. Acompanhe os relatórios da série Os Melhores Fundos de Investimento para saber o resultado.

 

E agora?

Lovisotto foi somente um de sete gestores renomados que me contaram como estão posicionados para 2018. Quer saber o que os investidores profissionais têm feito? Então não perca nosso relatório mais recente.

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