Siga aquele Pedro

Uma dica de leitura e a apresentação de um fundo small caps

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
Siga aquele Pedro

“Somente transmitindo, bons gestores de ações estão comprando Vale” – escrevi em meu Twitter no dia 22 de fevereiro, depois de uma sequência de reuniões com casas que têm histórico de ganhar muito dinheiro em Bolsa.

“Os bons estão comprando??? Eu quero saber é o que os malvados estão fazendo” – rebateu em seguida Pedro Cerize. Desde então, a ação da mineradora caiu 23%.

Pronto, você já conhece o homem. Do contra. Sarcástico. Certeiro.

Fui apresentada ao Cerize pelo Felipe no ano passado nas andanças para escrever o livro de entrevistas com gestores de ações.

Confesso que estava apreensiva. Pedro é um mito no mercado de fundos, assim como as primeiras cartas da Skopos, a gestora fundada por ele. Já tinha tentado uma entrevista nos tempos de jornal, mas o homem sempre fugiu de holofotes.

Felipe e Cerize na mesma conversa só perdem mesmo (perdão) para Paulinho da Viola e Marisa Monte no mesmo palco, ainda que os dois também sejam navegados pelo mar.

Você faz uma pergunta idiota, que todos os gestores respondem igual, e ele rebate com autenticidade.

Intuição pode ser somente conhecimento escondido, não ache que você tem um dom divino de prever os mercados, nem que você pode ganhar todo o dinheiro disponível – um pouco do que aprendi com Cerize em menos de duas horas de conversa.

É um investidor de ações calejado – como deve ser. Contax e PDG estão entre as maiores perdas; Banespa, OHL e Ultrapar entre os grandes ganhos. Em 15 anos de fundo, 3 de prejuízo de mais de 30 por cento, 9 de ganho de mais de 30 por cento. Em seis, o retorno ultrapassou 40 por cento. Volatilidade é sua praia.

Cerize agora está na concorrência, que responde pelo nome de Inversa. Não poderia ser mais a cara dele. E, se tem algum concorrente que você deve acompanhar, está aí. Se abandonarmos nosso cérebro aos próprios caprichos, leremos somente o que corrobora nossas opiniões. É o já bastante documentado viés de confirmação.

Enfim alguém conseguiu convencer Pedro a voltar a escrever. Já cadastrei meu e-mail para receber. E recomendo fortemente que você faça o mesmo neste link.

“Gostaria de sugerir uma análise sobre os fundos de small e mid caps.

O fundo da AZ Quest tem apresentado excelentes resultados. O que vocês acham?”.

Diogenes N.

 

Um fundo de small e mid caps é um sobrevivente. A categoria apanhou mais do que cachorro sem dono entre 2013 e 2015.

Em meio à crise e falta de previsibilidade, as ações de baixa liquidez viraram rejeito. Muitos gestores sofreram com a saída de investidores e tiveram que vender às pressas. Resultado: prejuízos de dois dígitos e fundos que chegaram a fechar para resgates (ato extremo do gestor quando considera que não vai conseguir vender os ativos no ritmo necessário para honrar os pedidos).

O fundo de small e mid caps da Quest foi sem dúvida o que menos sofreu do grupo. Teve prejuízo em 2014 e 2015 como os demais, porém pequeno.

Um concorrente diria – e de fato essa é uma crítica antiga no mercado – que o fundo da Quest somente não perdeu juntamente com os demais porque não é de small caps de verdade. Ou seja, porque põe para dentro também ações de alta liquidez.

O que, entretanto, define small ou mid caps? Na verdade, não há um corte formal de liquidez. E a regra da Anbima para ser classificado como small caps permite até 15% em ações de empresas que estejam entre as 25 maiores participações do IBrX, excluídas as 10 maiores.

Quando as small caps deram a volta por cima, de 2016 para cá, de fato o fundo da Quest não pegou tão na veia. Em 2016, o retorno foi de 27 por cento. Nada mal, mas teve carteira de small e mid cap que rendeu 59 por cento no ano.

Flexível ou não, o fato é que o fundo da Quest foi dos poucos sobreviventes à devassa dos últimos anos. É bom saber, entretanto, que se você quer um fundo de small e mid cap muito puro – e o desejo vem acompanhado obrigatoriamente de um estômago igualmente forte – então seu lugar talvez não seja a Quest.

E a equipe da gestora não nega isso. A regra é que não entram no fundo de small e mid caps da casa as dez maiores ações do índice. A gestora até mudou a classificação para long only a fim de garantir flexibilidade, mantendo small e mid no nome.

Hoje o fundo está com pouco mais de 50 por cento do patrimônio em small caps, por volta de 20 por cento em mid caps e 20 por cento em empresas com mais de 10 bilhões de reais de capitalização, explicou para mim o Alexandre Silverio, que é responsável pela gestão de ações e diretor de investimento da Quest.

No portfólio atual, gerido por Welliam Wang, a busca é principalmente por ações que vão se beneficiar da queda de juros reais. Dentre elas estão Alupar, Energisa, Equatorial e BR Malls.

Desde a criação, o fundo da Quest rende 341 pontos percentuais acima do Ibovespa e 321 pontos percentuais além do Índice de Small Caps.

Estamos de olho nesse mercado que se reinventa depois de um período turbulento. E o fundo da Quest está em análise.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

A Semana

Nossas aulas na Semana Nacional de Educação Financeira já atraíram milhares de pessoas, com uma forte interação e resposta de dúvidas ao vivo. A programação segue e é gratuita. Nesta quinta-feira a Marília desvenda os mistérios da renda fixa e, na sexta, o Felipe apresenta a você o mundo das ações. Imperdível.

Você pode assistir às primeiras aulas – planejamento financeiro para investimentos, fundos e produtos bancários – no nosso canal do Youtube.

Um abraço,
Luciana Seabra.

Conteúdo recomendado