Tá se achando?

Se você pensou em recorrer ao ranking de 2016 para escolher o melhor fundo para 2017, saiba quantas vezes a técnica funcionou nos últimos anos

Tá se achando?

João Espertão repete a mesma estratégia há uma década. Virou o ano, ele observa o ranking de fundos multimercados macro dos últimos 12 meses. Está em todos os jornais. É só escolher o fundo mais rentável. Será o mesmo no ano que vem.

O fundo mais rentável de 2008 foi o mesmo de 2007. João ficou muito animado. A estratégia deu errado em 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016. Mas João é persistente. Vai repeti-la em 2017.

Maria Sabichona faz diferente. Achar que o melhor de um ano será também o melhor do ano seguinte é ingenuidade do João, pensa.

Maria observa o ranking e investe nos dez fundos mais rentáveis do ano anterior. Certamente esses fundos estarão no Top 10 do ano seguinte!

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Em 2008, Maria acertou um fundo. Em 2009, nenhum. Em 2010, seis dos fundos mais rentáveis do ano anterior se repetiram.

Em 2011, Maria só acertou um. Em 2012, cinco. Em 2013, quatro. Em 2014, quatro. Em 2015, dois. Em 2016, nenhum.

As estratégias de João Espertão e de Maria Sabichona parecem ruins, mas não trágicas, até que observemos as “evidências silenciosas”, como diria Taleb.

O que aconteceu com os fundos escolhidos por Maria que não estavam nos dez primeiros do ano seguinte?

Vou dar um exemplo. Ao comprar os dez fundos mais rentáveis de 2015, Maria Sabichona amargou prejuízo em oito deles em 2016. Em sete deles, a perda foi de dois dígitos. Em um dos fundos, o prejuízo chegou a 29,88 por cento.

Os dados são da vida real, apurados no sistema Quantum Axis a partir dos 439 multimercados macro, retirados apenas os fundos exclusivos, de um único cotista.

Fui clara? A segunda pior ideia que você pode ter hoje (depois de investir seu dinheiro na poupança) é usar o ranking de 2016 para escolher os melhores fundos a investir em 2017.

Esse é um recado para o investidor, mas também para você, gestor. Foi bem em 2016 e está se achando? “São aqueles que sobrevivem que tendem a crer que são indestrutíveis”, para citar Taleb de novo.

O BTG Pactual abriu, enfim, sua plataforma de fundos. Desde que foi criada, em meados de 2016, a plataforma BTG Pactual Digital distribuía somente produtos do próprio banco a investidores de varejo.

Quando o BTG me chamou para apresentar o novo site, logo protestei contra a venda restrita a fundos do próprio banco. Que ultrapassado isso de escolher pelo investidor!

A boa notícia veio nesta semana. Três multimercados de gestores independentes entraram na plataforma: Adam, Vintage e Gávea. E soube que vem mais aí.

Assim, o sexto maior gestor independente e um dos maiores bancos do país, com R$ 78,84 bilhões em fundos, deu o direito de escolha ao investidor: eu vendo o meu fundo, mas, se você quiser, pode aplicar no do concorrente.

Não vou me achar e concluir que esse tipo de comportamento tem a ver com a nossa briga e com o trabalho dos distribuidores on-line de fundos, como XP, Guide, Geração Futuro, Órama e Easynvest em prol de uma indústria em que o investidor seja livre para escolher. Mas, por via das dúvidas, vamos seguir com a campanha.

 

Me foi oferecido o BB Renda Fixa LP Parceria 10 mil. Há uma taxa de saída de 1,20 por cento, que vai decrescendo até zero quando completar os dois anos do investimento. Preciso reunir coragem para abrir uma conta em uma corretora e começar a investir no Tesouro Selic, porquanto nesta última conversa com minha gerente, não me foram oferecidas outras opções além desta que lhe falei”. Marcos V. 

Gostaria de entender por que o Banco do Brasil se sente no direito de cobrar taxa de saída em um fundo que compra praticamente só títulos pós-fixados óbvios e rende, desde a criação, míseros 93 por cento do CDI.

Um argumento usado pelos bancos para a existência desse tipo de produto é a taxa de administração baixa. De fato, é uma das mais baixas dentro do Banco do Brasil: 0,8 por cento ao ano para aplicação mínima de R$ 10 mil.

Eu te dou taxa baixa se você aceitar ficar preso aqui por pelo menos dois anos, diz o banco.

Eu digo a você: tem fundo DI em plataforma de varejo com aplicação mínima muito menor, de R$ 3 mil, taxa de administração muito menor também, de 0,2 por cento ao ano, e sem punição para o resgate. Se você pede o saque pela manhã, está na conta à tarde.

Quanto rende desde a criação? 97,37 por cento do CDI. Precisa tomar coragem mesmo, Marcos.

O que eu faço com o ranking?

Um estudo quantitativo para períodos longos somado a uma análise qualitativa minuciosa é no que acreditamos para escolher os melhores fundos para o seu portfólio. E muitos deles vão passar anos sem ocupar uma posição no primeiro quartil.

O resto é aleatório.

Em 2017, não seja o João Espertão nem a Maria Sabichona.

Só para encerrar nosso encontro de hoje, muitos investidores me perguntam se é possível assinar todos os relatórios da Empiricus de uma vez. É sim. É como ter passe livre no parque de diversões. E vai ficar mais caro em breve. Melhor correr.

Links Recomendados

:. 10 formas de evitar o infarto e permanecer ativo

:. Os 60 milhões de reais de Lula

:. S01E11 – Um dia a Casa Cai

:. Descubra o Método 30 em 1

Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

Conteúdo relacionado