Um alerta para você que tem previdência no Banco do Brasil

Diante do comunicado do banco, reforçamos nosso compromisso de recomendar o melhor destino para o dinheiro da sua aposentadoria

Um alerta para você que tem previdência no Banco do Brasil

Fui surpreendida esses dias pela mensagem de um funcionário do Banco do Brasil, enviado ao nosso atendimento:

“Sou funcionário do BB. O banco divulgou internamente um documento para se defender e ter argumentos para as críticas da Empiricus contra os planos de previdência dos grandes bancos. Os argumentos infelizmente são fracos. Segue anexo. Caso a Luciana queira usar, pode ficar à vontade, mas por favor não utilize meu nome, nem abreviado. Imagine meu pavor em ter que vender produtos ruins para os clientes todos os dias e ainda ler coisas como essa!”.

Em proteção ao seu emprego, vou chamá-lo de Alfredo. Muito obrigada por nos ajudar a orientar o investidor. Recebemos outros avisos de que o documento enviado por você foi colocado na intranet do Banco do Brasil para orientar os gerentes. O título: “Planos de previdência de bancos são atacados por empresas de análise de investimentos”.

Você, investidor, sabe bem qual é a nossa missão. Não queremos atacar ninguém. Queremos orientá-lo para que tenha uma conversa de igual para igual com o gerente do banco. Defendemos nossos princípios e nosso leitor. Apenas isso.

Da mesma forma que o Banco do Brasil prepara seu gerente para conversar com você, vou preparar você para conversar com ele. Se você decidir ficar na previdência do banco, tudo bem. Eu não ganho nada a mais ou a menos.

Nosso papel é garantir que você esteja preparado (ou preparada) para o bate-papo.

A carta do Banco do Brasil aos gerentes defende que as alocações dos fundos da Brasilprev seguem uma estratégia de diversificação com foco em ganhos em períodos maiores do que cinco anos.

Nesse ponto, você já sabe, concordamos. Melhor ainda para a previdência são mais do que dez anos. Assim você chega à menor tributação, de 10 por cento, caso tenha optado pela tributação regressiva.

O seu gerente foi orientado pelo Banco do Brasil a dizer a você que o desempenho dos planos de previdência não deveria ter o CDI como referência de retorno, já que essa é uma métrica para objetivos de retorno de curto prazo. A partir daí começamos a discordar.

O mínimo que você deve esperar de um fundo de renda fixa, caso da maior parte da oferta da Brasilprev, no longo prazo, é o CDI.

Em um prazo de dez anos, de janeiro de 2007 a janeiro de 2017, o CDI marcou 183 por cento. Somente 40 dos 1.330 fundos que recheiam os 991 VGBLs e PGBLs da Brasilprev superaram o referencial conservador. Os dados são do sistema de fundos Quantum Axis.

A carta da Brasilprev também estimula o gerente a convencer você de que comparar um fundo com 100 por cento do CDI não se aproxima das condições reais de mercado porque os fundos sofrem taxa e imposto de renda.

Se seu gerente te contar essa história, você pode argumentar que o retorno divulgado pelo fundo também não vem ainda descontado da taxa de carregamento nem da mordida do Leão. Ou seja, a nossa comparação é justa.

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No longo prazo, concordamos que seria melhor um referencial mais parrudo.

Podemos comparar os fundos da Brasilprev com o IMA-B, cesta de títulos públicos indexados à inflação, o investimento de longo prazo por definição.

O IMA-B marcou 260 por cento nos últimos dez anos. Nenhum dos fundos da Brasilprev bateu o índice de longo prazo no período. O mais rentável entregou 215 por cento.

Quem não bate o índice de curto prazo em dez anos não vai bater o de longo – você pode dizer ao gerente caso ele conteste o uso do CDI como referencial.

Se você se sente mais confortável com a seguradora do banco, está tudo bem. Pressione, entretanto, o gerente por um produto de qualidade. Se você conseguir um dos 40 que bateram o CDI na última década, pode seguir na Brasilprev. Eu já durmo mais tranquila.

Brasilprev, vou adorar quando puder dizer que os melhores fundos de previdência do mercado estão no mesmo lugar onde meu assinante tem conta bancária.

Alfredo, você virou nosso soldado, obrigada por cuidar dos investidores. Estamos do mesmo lado. Quando aparecer um produto legal aí na Brasilprev, por favor não deixe de me avisar.

NO FUNDO NO FUNDO

A festa do 19

Excelentes gestores de multimercados têm nutrido uma preferência pelo juro prefixado para 2019.

O argumento deles é que outros vencimentos podem até andar mais no caso de um movimento mais forte do que o esperado nos juros, mas essa é a posição de menor risco. Os fatores de curto prazo para um juro mais decente estão postos, dizem. Amém.

Os saques da poupança em janeiro superaram 10,7 bilhões de reais, o segundo maior nível de resgates da série do Banco Central.

Cota cheia para você que atendeu ao nosso apelo e trocou a poupança por um fundo DI barato. Aliás, recebi o seguinte e-mail ontem:

“Sou assinante ‘vitalício’ da Empiricus. Escrevo para você pois aprecio a maneira carinhosa com que você se refere a pessoas que de alguma forma participaram/contribuíram para seu desenvolvimento pessoal. Acredito portanto que conseguirá entender o ‘desafio’ em referência, que é discriminado a seguir: será que você consegue me ajudar a convencer a tia da minha esposa a retirar 1 milhão de reais da poupança?” Rogerio A.

Rogério, aceito o desafio. Um primeiro passo, enquanto você monta uma alocação com base em nossas recomendações, é transferir tudo para um fundo DI barato. Até porque, como você explicou, ela tem 90 anos e quer liquidez.

Será que o retorno de janeiro convence? A poupança entregou 0,67 por cento no mês. O fundo DI recomendado por nós 1,07 por cento. Depois do imposto, para quem ficou só um mês, o fundo entrega 0,83 por cento.

É bom lembrar que, para mais de 250 mil reais investidos na poupança, não há proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se o banco quebrar, a tia da sua esposa perde todo o resto do dinheiro. No fundo DI, o destino do dinheiro são títulos públicos.

Ou seja: o fundo DI do nosso relatório é mais rentável e menos arriscado do que a poupança. Funciona assim?

Vou pedir os créditos no próximo relatório do Banco Central.

 

Algumas aquisições têm acontecido no mercado e é provável que você receba comunicados sugerindo migração de um produto para outro. Fique atento para tomar decisões bem informadas.

A Rico enviou um comunicado a quem investiu no fundo Órama Ouro por meio de sua plataforma defendendo a performance melhor do XP Gold FIM.

Os fundos da Órama e da XP são diferentes e, por isso, servem a propósitos diversos. No da Órama, você está exposto à variação do ouro e do dólar. No da XP, a variação do dólar é trocada por CDI, somado à oscilação do ouro.

De fato, na janela de retorno mostrada, de um ano, o fundo da XP teve melhor retorno, porque o dólar jogou contra o fundo da Órama. Em 2015, entretanto, o retorno da carteira da Órama foi de 29 por cento. O da XP foi criado em setembro daquele ano.

Estou certa de que tanto a Rico quanto a XP sabem que os dois fundos não devem ser comparados pela performance de um ano e sim com base no que você pretende para o portfólio: quer ter ou não uma exposição a dólar ao investir em ouro? Quais são os seus objetivos com essa posição?

Não preciso ser muito esperta para inferir que o que motivou o comunicado não foi a diferença de performance e sim o fato de que a XP, que comprou a Rico, prefere que a corretora ofereça o fundo de ouro da XP Gestão do que o de uma plataforma concorrente.

Avalie o que é melhor para a composição de risco do seu portfólio.


Posso pedir uma coisa?
 

Todos os dias recebo centenas de e-mails lindos de investidores como você que eu gostaria de enquadrar e colocar na parede. Não resisto e mando alguns para a minha mãe. E ela se derrete (sou recompensada em pé de moleque).

Fico realmente muito feliz em sentir que estamos fazendo a diferença em seu relacionamento com o gerente do banco e no retorno de seus investimentos. E satisfeita em ver como você nos escuta e se movimenta. Percebemos claramente os fluxos para os fundos recomendados e isso dá um baita orgulho. E um enorme senso de responsabilidade.

Você deve imaginar, entretanto, que os distribuidores e gestores criticados por nós não ficam muito felizes. Quanto mais crescemos, mais incomodamos. Gostaria muito que eles entendessem que estamos apenas fazendo o nosso trabalho.

Tem dia em que me sinto correndo uma maratona em meio a um furacão (a propósito, conhece um grande investidor de ações que é campeão de Ironman nas horas vagas?).

O meu apelo é: defenda o trabalho da Empiricus a pelo menos um amigo nesta semana. Assim, seguiremos fortes para defender seus interesses.

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