Um amor ou um fiador?

Um alerta para o fato de os fundos mais conservadores do mercado terem risco de crédito e, na previdência, um embate entre Verde e Kinea

Um amor ou um fiador?

O André terminou o namoro nesses dias. O motivo: a namorada pediu que ele fosse fiador dela no aluguel de um imóvel. “Amo muito você”, ele respondeu, “mas não empresto dinheiro nem para o meu pai! Ser fiador não vai dar, mesmo!”. A namorada ficou ofendida. Ele não recuou. Fim!

Eu deveria consolá-lo, eu sei, mas não resisti ao ensejo. Apostei com o André que ele empresta dinheiro, sim! E ganhei!

Há tempos que eu tento convencê-lo a trocar o fundo DI caro do banco por um mais barato ou por um fundo de crédito decente. Foi a deixa.

Entrei no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e abri a carteira do fundo DI do André (e convido você a fazer o mesmo com o seu, é de graça!). O que tinha lá? Um monte de CDBs, letras financeiras, DPGEs… De que se trata? Títulos de dívida…

Sim, o dinheiro que você investe naquele inocente fundo DI está sendo emprestado para alguém!

O investimento que Felipe Miranda acaba de fazer para sua família

Os acontecimentos recentes, como a vitória do Trump, abriram janelas de oportunidades que não podem ser desprezadas.

Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, acaba de fazer um investimento para sua família.

Descubra agora como você pode fazer igual e lucrar com uma operação simples e óbvia, sem envolver ações.

QUERO DESCOBRIR O INVESTIMENTO AGORA MESMO

Ah, mas não vai dar em nada… 

Engano seu. Você deve ter acompanhado nos jornais que a Oi pediu recuperação judicial em junho. O que isso significa? A operadora de telefonia declarou que não vai conseguir pagar as dívidas.

Mas quem era o espertalhão que emprestava dinheiro para a Oi? Talvez, você!

Se você acompanha o noticiário, talvez também tenha visto um estudo da Economatica que mostrava onde estavam os títulos de dívida da Oi: 404 milhões de reais estavam em fundos de renda fixa do Banco do Brasil e 106 milhões de reais nos da Caixa.

O Felipe Miranda evocaria, aqui, Bertrand Russell para fazer uma referência ao peru de Natal, ou de Ação de Graças: o bichinho é alimentado religiosamente e se sente em uma linda família até que, no auge da confiança… vira ceia. Crédito é assim: num dia, céu; no outro, inferno! Não se deixe enganar pelo bom comportamento.

O mercado de crédito não anda para amadores

De janeiro a agosto deste ano, 1.235 empresas pediram recuperação judicial. Segundo a Serasa, 61 por cento a mais do que no ano passado.

Dá para fazer uma lista das empresas que deixaram investidores de crédito a ver navios recentemente: OAS, Eneva, PDG, Isolux, Queiroz Galvão… Alguns fundos caíram em um, outros em dois, outros em três. A cota andava comportada, de repente… peru de Natal!

Será que você delegou à pessoa certa a escolha de para quem emprestar dinheiro?

Vale o risco?

Meu amigo considerou que o amor da namorada não era suficiente para recompensar o risco de ser fiador. E você? Quanto você quer para emprestar dinheiro?

Vou dizer: um fundo que investe em crédito não pode render os 100 por cento que o banco entrega a você. Ele tem de ser gerido por um megaespecialista em dívida e tem de render, historicamente, 107, 110 e até 117 por cento, como os três fundos de crédito que recomendamos no último relatório. Quer saber quais eram? Junte-se a nós.

Você quer investir diretamente – e não por meio de fundos – em títulos de crédito?

Siga a Marília, então!

Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Caixa Econômica Federal…

Saiba que todos eles – sem exceção – estão embolsando boa parte do rendimento que deveria estar na SUA conta.

Veja agora mesmo como eles fazem isso e descubra uma forma inteligente de recuperar a sua parte do dinheiro.

QUERO O MEU DINHEIRO DE VOLTA

Sou assinante de vários produtos da Empiricus, os quais me norteiam em meus investimentos (…) Consultei meu atendimento do banco sobre o Itaú Prev Verde AM FI Multimercado. Meu investimento atual em previdência está no Itaú Personnalite VGBL Excellence. A consultora do banco, como não poderia deixar de ser, informou terem um fundo melhor que o Verde, que seria o Kinea Previdência. Na verdade, gostaria de uma orientação sobre as diferenças entre os três fundos, pois o que ocorre é que essa oferta me deixa perdido entre as opções oferecidas pelo banco. João Ricardo N.

João Ricardo, em primeiro lugar, a gerente tentou persuadi-lo a escolher outro fundo porque a orientação do Itaú é oferecer a previdência da Verde Asset, sobre a qual já conversamos aqui, somente a clientes do private banking.

Se o banco realmente acreditasse que o fundo da gestora do Luis Stuhlberger é pior, será que deixaria a oferta exclusiva para os clientes de maior patrimônio?

O que é a Kinea, em primeiro lugar? É uma gestora pertencente ao grupo Itaú Unibanco, criada em 2007 como uma estrutura segregada, em prédios diferentes, com jeitão mesmo de gestora independente. Mas isso explica o conflito da gerente, não? O banco ganha mais quando você compra a previdência de marca própria.

Deixemos, entretanto, essa questão de lado e analisemos de forma isenta a previdência da Kinea (eu não ganho nada, seja qual for a sua escolha). Bati à porta deles e fui muito bem-recebida pelo sócio-fundador e diretor-presidente da gestora, Marcio Verri, e o gestor de multimercados, Marco Freire.

O Marco, economista pela PUC-Rio, assumiu o posto em 2015, mas tem experiência de sete anos como diretor de investimentos da gestora Franklin Templeton no Brasil. Seu histórico na Kinea ainda é muito recente para ser plenamente avaliado, mas é fato que a rentabilidade é ótima desde que ele aterrissou por lá. Neste ano, o fundo rende 16,35 por cento, contra 12,33 por cento do CDI.

O fundo da Kinea é um multimercado completo, dentro dos limites da legislação de previdência. O gestor faz long and short de ações, opera juros, moedas, commodities e está até abrindo um veículo no exterior por meio do qual pretende investir até o limite de 10 por cento de exposição cambial autorizado pela nova regra da Previdência, a 4.444.

Qual é o porém? Marco é uma Ferrari com freio de mão puxado!

O fundo da Kinea mira volatilidade de somente 2 por cento. A taxa de administração, de 1,5 por cento ao ano, é condizente com o risco, boa notícia, mas vai ser preciso brigar para não sofrer a fatídica taxa de carregamento.

O histórico deste ano é muito curto – o fundo Verde no Itaú não pode divulgar retorno ainda porque tem menos de seis meses –, mas o gráfico abaixo, gerado na Quantum Axis, mostra a diferença entre o comportado fundo da Kinea (em vermelho) e o arrojado da Verde (em azul).

O Verde navega a maior parte do período acima do fundo da Kinea. A queda recente – em linha com o que aconteceu com ativos de risco desde a vitória de Trump nos EUA – mostra que ele está muito mais exposto a risco, que é o que dá realmente retorno no longo prazo.

João, preciso falar sobre o seu fundo, o Itaú Excellence, ou você percebeu que ele é o pior de todos ao ver a linha verde, abaixo da linha preta, do CDI?

Você não acha que o fundo da Kinea corre muito pouco risco para um investimento de tão longo prazo?, perguntei ao Marco. Ele concordou comigo: faz sentido correr mais risco com o dinheiro que vamos sacar daqui a muito tempo.

O Marco defende que, considerando que a maior parte dos investidores da previdência ainda estão na renda fixa, correr um pouco de risco já é um primeiro passo. Eu discordo. Se eu orientá-lo a dar o primeiro passo na previdência, quando espero que você dará o segundo? Na vida após a morte?

Ou devo me conformar que seus netos serão mais educados financeiramente e certamente escolherão um produto de mais alta volatilidade?

Reconheço a qualidade do fundo da Kinea – sem dúvida, é a melhor previdência dentro da oferta do Itaú ao varejo –, mas eu preferiria que o banco se preocupasse em orientar o seu cliente sobre a importância de tomar risco para o longo prazo, permitindo ao gestor usar ao máximo suas capacidades, em vez de nivelar o investidor por baixo (nunca espere isso de mim).

Se eu sei – e a Kinea também sabe – que o melhor retorno para o investidor será expor o dinheiro de longo prazo ao risco, então essa é minha recomendação: fundos multimercados ou de ações de alta volatilidade para a previdência. Você não enxerga agora, mas estou certa de que vai me agradecer quando tiver cabelos brancos.

Admiro o gestor da Kinea, mas ainda prefiro o Verde, João Ricardo. E, é bom lembrar, o fundo não está disponível para o investidor de varejo no Itaú, mas está em plataformas on-line: Guide, Órama, XP e diretamente por meio da Icatu.

Agora, se você é muito conservador, não está disposto a correr risco, e não quer tirar o dinheiro do Itaú, sim, Kinea é um bom fundo.

Era uma vez…

Borboletas no estômago. Segunda-feira será o dia do grande lançamento do livro pelo qual dei o sangue nos últimos tempos. São 15 conversas com os melhores gestores de fundos de ações brasileiros: grandes investidores contando sem cerimônias como escolhem empresas, como sabem a hora certa de comprar e vender e como construíram fortunas.

Já plantei uma árvore (eu não sei se ela sobreviveu – conta?); falta só um filho.

Dúvidas? Escreva para fundos@empiricus.com.br.

Caros leitores,

A Olivia Alonso participou do Congresso Nacional do Dinheiro e Qualidade de Vida (I Conadinq) e deixa aqui o convite a todos para que assistam à sua palestra “De Leigos a Investidores: como superar as primeiras barreiras e se tornar um investidor no Brasil”. Espero que gostem!

Links Recomendados

:. Socorro, o sistema caiu!

:. M5M_Fotos do peru do Obama

:. Uma loja virtual para chamar de sua

 

Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

Conteúdo relacionado