Um manifesto contra a falta de informação

Não pode ser tão difícil encontrar a taxa de administração e a aplicação mínima do fundo no mesmo lugar

Um manifesto contra a falta de informação

Um gestor que admiro muito, Roberto Vinhaes, sócio-fundador da IP, recomendou-me um livro chamado Daily rituals. É uma profunda pesquisa de Mason Currey sobre as rotinas de grandes mentes nos últimos 400 anos.

Benjamin Franklin, em sua meta de perfeição moral, acordava às 5h e até as 7h definia uma resolução para o dia. Das 18h às 21h, dedicava-se a examinar o que havia feito no dia, o que podia ser combinado com música e diversão.

Freud acordava às 7h, quando recebia em casa um barbeiro; almoçava religiosamente às 13h e, em seguida, caminhava com velocidade por Viena, quando comprava cigarros (ele fumava um maço por dia). Das 8h às 13h e das 15h às 21h, o pai da psicanálise atendia os pacientes.

Simone de Beauvoir começava o dia com uma xícara de chá. Trabalhava até as 13h e daquele horário até 17h encontrava amigos e alimentava o relacionamento aberto com Jean-Paul Sartre, ainda que isso significasse esticar o ofício até as 21h todos os dias.

Impossível ler o livro sem questionar a própria rotina.

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Luciana faz exercícios das 7h às 8h, toma café com algum gestor de fundos às 9h e dedica uma hora a ler as dúvidas que recebe de seus assinantes. Das 15h às 17h, ela sofre procurando informações de fundos nos sites dos bancos.

Duro, não? O tempo que Benjamin Franklin dedicava ao fino propósito de definir uma resolução para o dia, eu gasto procurando informações. E imagino que esse também seja um grande impeditivo para você escolher seus fundos. Assim fica difícil ser uma grande mente!

Por isso, hoje é dia de protesto!

Estão Destruindo O Projeto De Vida Da Sua Família

Dos 2.610 planos de Previdência Privada analisados, os famosos VGBL/PGBL, somente 5 podem lhe garantir uma renda digna no futuro.

Todos os demais, oferecidos principalmente pelos Grandes Bancos, estão destruindo o projeto de vida da sua família.

Conheça imediatamente este estudo para não terminar na miséria.

QUERO CONHECER O ESTUDO

Por que é tão difícil?

Banco, vou dizer do que precisamos: para começar, que a área de fundos seja fácil de encontrar. Chegamos lá, queremos uma tabela bem grande e bonita.

Não, Bradesco! Bloquinhos só com a aplicação inicial de cada fundo não funcionam. Nós precisamos comparar um com o outro. A tabela está escondida, não abre na página inteira e é incompleta também.

Aí vem o pedido principal. Qual é a dificuldade em ter no mesmo lugar a aplicação mínima e a taxa de administração do fundo?

Caro Bradesco, de que adianta eu saber que você tem oito fundos DI, com taxas de 0,3 por cento a 3,9 por cento ao ano, se preciso abrir um a um para ver qual eu posso ter, porque a aplicação mínima não está na tabela?

Quero o de 0,3 por cento óbvio, e clico. Abre-se uma lâmina, cheia de informações jurídicas, na qual, ao caçar a aplicação mínima, encontro 2 milhões de reais. Ah, droga, vou ter de fazer tudo de novo!

Santander e Banco do Brasil, o mesmo vale para os senhores. Com a agravante de que no BB eu preciso virar cliente do banco para saber a aplicação mínima. Ou ir atrás da lâmina no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O Itaú tem taxa e aplicação na mesma tabela. Muito bom! Mas cadê o regulamento e a lâmina? Que tal as letrinhas R e L ao lado do nome do fundo, para clicar?

Bancos, queremos os documentos dos fundos à mão. Felizmente, por pressão da CVM, a lâmina tem todas as características do fundo (já que está difícil colocar na tabela).

E o regulamento ajuda a ver a política de investimento. É ele que vai responder, por exemplo, se aquele fundo DI que andamos namorando pode ou não investir em crédito. O prospecto eu nem faço questão, porque até hoje não entendi para que serve.

E olha que eu nem vou falar da dificuldade, depois de investir no fundo, de saber quanto eu já ganhei com ele.

Um manifesto coletivo

Pensei assim: e se cada um de nós que não encontrar uma informação sobre fundo no site de um distribuidor escrever para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC)? Será que alguém vê aquilo? Eu já fiz minha parte (nos sites em que consegui encontrar o SAC).

Quem sabe, assim, eu garanto para o futuro aquelas horas com os amigos no meio do dia da Simone de Beauvoir?

 

NO FUNDO NO FUNDO

Já que hoje é dia de protesto, cedi o “Cota murcha” ao Alexandre Mastrocinque, nosso célebre analista de fundos imobiliários ( já assinou?), que anda bravo com um fundo bem conhecido dos brasileiros, o FGTS. Aí está.

Há uns dias estava dando uma olhada em minha caixa de e-mails e deparei-me com a newsletter da Luciana sobre as armadilhas de alguns fundos de renda fixa.

Ao ler a história de seu irmão, que foi alvejado por uma rajada de pedras em uma emboscada armada por seus “amigos”, preocupei-me com a sanidade da nossa analista de fundos. Aparentemente, ela cresceu em uma realidade distópica, uma versão de Mad Max com café, pão de queijo e angu – juro que sempre achei que Diamantina fosse uma cidade pacata, com uma veia musical e muita prosa no coreto.

Depois desse choque inicial, comecei a pensar que, de fato, o pior inimigo é aquele que se finge de amigo, é o lobo mau disfarçado de vovozinha, ou o gerente do banco que promete fortunas e vende títulos de capitalização a você. Nessa onda, cheguei à conclusão de que o maior amigo da onça do trabalhador brasileiro é o FGTS.

Mensalmente, valor equivalente a 8 por cento dos vencimentos dos assalariados é depositado em um fundo que rende 3 por cento ao ano (AO ANO!) e é direcionado para financiar companhias do naipe de Odebrecht e Sete Brasil, sem contar eventuais pixulecos para políticos e seus familiares.

Pense bem, 3 por cento ao ano é um despropósito! É metade – METADE – da poupança.

Em termos reais, o FGTS rendeu -7,7% nos últimos 12 meses.

Pense em seu José, que trabalhou dos 18 aos 65 anos, e teve um salário médio mensal de 5 mil reais. Durante 47 anos (564 meses), foram depositados 400 reais mensais em seu FGTS. Ao final de sua longa vida de trabalho, o saldo de seu FGTS foi de 488 mil reais.

Parece uma boa grana, não? Mas, se tivesse sido aplicado na poupança (com um rendimento anual da ordem de 6 por cento), seu José teria 1,2 milhão de reais!

Vamos mais longe ainda. Se esses valores tivessem sido aplicados em um ativo de renda fixa com rendimento médio de 10 por cento ao ano, ele se aposentaria com 4,3 milhões de reais.


Perceberam o drama?

Seu José poderia se aposentar e conhecer Veneza, Bali e o Egito. Mas, graças ao FGTS, terá de assistir reprises infinitas de A volta ao mundo em 80 dias na Sessão da Tarde.

O pior de tudo é que esse lobo mau, esse pequeno traidor disfarçado de melhor amigo, é obrigatório! Não há nada que você possa fazer para fugir do FGTS.

Há quem argumente que a contribuição é feita pelo empregador, mas isso é balela! Quem paga pela contribuição do FGTS é o trabalhador, seja na forma de um salário menor, seja na forma de produtos mais caros. As empresas, certamente, compensam o depósito de alguma forma e a conta acaba sobrando para o lado mais fraco (é tudo uma questão de elasticidade!).

Outro argumento muito utilizado para mascarar o FGTS como benefício é o do financiamento imobiliário. É verdade que parte dos recursos do fundo é destinada ao financiamento do SFH e contribui para taxas mais acessíveis. Mas não faz nenhum sentido corrigir um problema criando outro.

O problema das taxas de juros no País precisa ser abordado de uma forma estrutural. Não cabe ao trabalhador brasileiro financiar, mesmo que indiretamente, o sonho da casa própria alheio.

Por fim, o argumento mais frágil é o de que o FGTS obriga a população a fazer uma poupança e garantir seu futuro.

Veja bem, o governo não é pai de ninguém. Não tem de pegar o assalariado pelas mãos e ajudá-lo a atravessar a rua. É função do governo instruir, explicar, sugerir. Jamais obrigar a fazer uma poupança!

Pense no seguinte: se todos fôssemos obrigados a caminhar 30 horas por dia, adeus infartos! A proibição de doces reduziria a obesidade e o diabetes, e por aí vai.

Mas… esse não é o papel do Estado!

Que eu saiba, não vivemos na Londres totalitária imaginada por George Orwell no clássico 1984. Cada um é livre para comer e entupir suas veias da forma que achar melhor. Eu como o meu cannoli quando bem entender! Capisce?

Imaginem só se o Temer baixasse um decreto obrigando a colonoscopia anual, qual seria a reação da população?

Pois bem, se pudesse optar, talvez fosse melhor escolher a colonoscopia ao FGTS. Doeria menos e preveniria várias doenças!

 

O seu gerente do banco já lhe ofereceu um CDB que paga +270 por cento do CDI?

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QUERO CONHECER O SUPERTÍTULO DA RENDA FIXA

 

Não costumamos dar muita bola para desempenho de curto prazo, mas vamos abrir uma exceção para a Adam Capital porque há grande expectativa sobre como Márcio Appel, ex-gestor do Galileo, vai se comportar em carreira solo.

O fundo de maior risco da casa, o Advanced, que mira volatilidade de 20 por cento, acabou de divulgar o retorno pela primeira vez. Explico: a CVM não permite que o gestor anuncie a rentabilidade nos primeiros seis meses de vida.

A fotografia, repito, nada garante sobre o futuro, mas posso dizer que é bonita. De abril a setembro, Appel fez 30,22 por cento.

No primeiro relatório, a Adam conta como ganha dinheiro: com a convergência da trajetória de inflação brasileira (e também europeia e americana); com o fim do ciclo de dólar forte; com o novo patamar de preço do petróleo e com a recuperação gradual da economia global.

Os ganhos vieram de diferentes posições, mas a renda fixa local foi o destaque. A equipe de gestão está convicta da queda de juros e expressa essa posição por meio de NTN-Bs com vencimento em 2050.

O fundo Macro – disponível em plataformas de varejo e com menor volatilidade, por volta de 8 por cento – pode divulgar retorno a partir de novembro. Os dois produtos já somam patrimônio de 4,8 bilhões de reais, o que é um bocado de dinheiro dado o pouco tempo de casa.

Negócio fechado?

Se você reclamar das informações de fundos nos sites dos bancos e receber resposta, por favor, escreva para mim: luciana.seabra@empiricus.com.br. Se eles me responderem, escrevo para você. É sobre FGTS? Escreva para alexandre.mastrocinque@empiricus.com.br.

 

 

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Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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