Você conhece o gestor do seu fundo?

Como avaliar o gestor do seu fundo multimercado a partir dos prejuízos com a eleição americana

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Você conhece o gestor  do seu fundo?

Diz a sabedoria popular que você não conhece uma pessoa de verdade até que more com ela. Eu diria mais: você só vai saber de fato quem está a seu lado quando passarem juntos pelo primeiro estresse, ainda que seja um vazamento no banheiro.

Ninguém seria capaz de prever aquele vazamento, ponto! Mas como o outro reagiu ao problema? Ele discutiu uma solução e foi atrás dela? Ele fez as malas e foi-se embora? Ele instaurou a terceira guerra mundial com o vizinho de cima?

O mesmo vale para o gestor do fundo multimercado em que você investe. O que vivemos nos últimos dias foi muito mais do que um vazamento. A maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, pegou os mercados de surpresa ao eleger Donald Trump como presidente.

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Converso com gestores todos os dias, leio as cartas, vou a eventos. Você me pergunta: algum deles tinha certeza de que Trump iria ganhar e se preparou para isso? Não, nenhum!

Quem disse que sabia mentiu para você.

Quase todos os meus gestores favoritos perderam dinheiro com Trump ou, ao menos, não ganharam. Estou decepcionada com eles? Não, mesmo!

OS GRANDES BANCOS ESTÃO EMBOLSANDO O SEU DINHEIRO…

Em qual banco você guarda o seu dinheiro?

Todos os grandes bancos – sem exceção – estão embolsando boa parte do rendimento que deveria estar na SUA conta.

Mas você pode recuperar a sua parte AGORA MESMO.

QUERO O MEU DINHEIRO DE VOLTA

O que proponho agora é um exercício para avaliar seu gestor a partir da reação dele a esse vazamento.

Está longe de ser um jogo de elogiar quem previu a vitória de Trump e punir quem acreditou em Hillary Clinton.  Quando escolho um gestor de fundos multimercado, não espero que ele seja cientista político, muito menos astrólogo.

Esse é o pior momento para você decidir sacar de um fundo que perdeu. Isso é curto prazo. Quando você investe em um fundo multimercado deve ter um horizonte de, no mínimo, dois anos, já disse. De qualquer forma, esse é um bom momento para você conhecer melhor com quem investe. Trump ganhou e…

…seu gestor passou três dias ótimos, porém, no ano…

Se todo o meu dinheiro estivesse em um fundo DI, eu teria passado incólume pelo furacão Trump. Não teria aproveitado, entretanto, a alta da bolsa no ano nem o ajuste na expectativa para os juros. É aquela história: não quer que seu filho se machuque? É só trancá-lo em casa amarrado na cadeira.

Se seu multimercado andava perto do CDI até outubro e não sofreu nem ganhou com a eleição americana, tem algo errado com ele. Provavelmente, ele é um fundo DI. Vai pagar 2 por cento  de taxa de administração mais 20 por cento deperformance por um fundo DI disfarçado de multimercado?

…seu gestor sofreu, mas segue com as convicções

Esse tem minha admiração eterna.

Dentre os grandes gestores de multimercado que procurei esses dias está o Marcelo Giufrida, da Garde. Ele teve um prejuízo, em linha com o mercado nos três dias que se seguiram à eleição do Trump, de 1,3 por cento, mas continua brilhando no ano: 13,7 por cento, bem à frente do CDI (para quem tem perguntado, o fundo fechou, sim. Feliz de quem aproveitou a tempo).

Giufrida enxerga o poder de Trump sobre a economia americana – ainda mais tendo-se em conta que ele foi eleito com maioria nas duas casas legislativas – e até vê um “relativo pé no breque no plano de voo do Banco Central”. Só que, para o gestor, o mercado exagerou a reação.

Conclusão? “À medida que o mercado foi piorando, aumentamos as posições”, diz o gestor, que aproveitou a promoção e comprou mais juro prefixado e títulos indexados à inflação nos últimos dias.

Giufrida não está sozinho. Ouvi também de um grande gestor que admiro muito – infelizmente tão discreto quanto grande – que essa é a hora de “ter um pouco de paciência e aproveitar a oportunidade que o mercado está oferecendo”. Ele aproveitou: comprou mais títulos de curto prazo que vão ganhar com uma queda nos juros.

“Não vejo motivo para uma mudança fundamental no Brasil. O cenário continua de inflação baixa com atividade fraca. Não vejo esse mercado nervoso tendo vida longa”, disse para mim.

…seu gestor acha que o cenário mudou e diminuiu o risco 

A equipe de gestão da Absolute perdeu menos de 0,5 por cento nos três dias que se seguiram à eleição de Trump porque diminuiu o risco na véspera diante da falta de visibilidade.

E manteve a cautela. A equipe vê um espaço mais estreito para a queda dos juros, limitando o otimismo tanto para esse mercado quanto para o de bolsa. Vai voltar a elevar risco quando estiver mais convicta sobre o cenário. A gestora cumpriu o mandato e ajustou as posições. Está valendo também.

NO FUNDO NO FUNDO

 

Os fundamentos não mudaram 

O que mais tenho ouvido dos gestores é que o destino não mudou; talvez, a velocidade e a intensidade. O juro americano ia subir? Ainda se espera que vá. O juro brasileiro ia cair? Ainda se espera que vá.

Se Trump de fato for mais gastão, especialmente com infraestrutura, como se espera, e se isso de fato elevar a inflação americana, pressionando por uma política monetária mais sovina, com juros mais altos, isso pode adiar a festa brasileira, atrasando o ciclo de corte dos juros, dizem os gestores.

A maior parte deles concorda, entretanto, que a festa não foi cancelada: abissais 14 por cento  de juro devem nos dar conforto para cortar mesmo quando o país que é referência global está em processo de alta.

Pode haver alguma pressão inflacionária aqui por causa do dólar mais forte (os importados ficam mais caros, certo?), mas o Banco Central vai assistir de braços cruzados à falta de crescimento doméstico?

Sendo assim, a queda de juros é ainda a convicção mais forte entre os gestores de fundos multimercados brasileiros, montada por meio de títulos prefixados e indexados à inflação.

Arminio, o diferentão 

Você leu a entrevista do Arminio Fraga ao Estadão no domingo e ficou curioso para saber o que ele tem feito no fundo que gere, o Gávea Macro? Eu também. Bati um papo com o Bernardo Carvalho, economista da casa.

O Gávea Macro ganhou 0,64 por cento nos três dias que se seguiram à eleição do Trump. O que deu resultado no período foi uma visão pessimista de médio e longo prazo para crescimento global e uma preocupação sobre o endividamento e baixo crescimento de países emergentes, que Arminio Fraga defende há dois anos.

A Gávea expressa essa visão por meio de posições que ganham com a alta de juros no mundo e com a desvalorização de moedas de países emergentes. O fundo da Gávea é um dos poucos – se não o único multimercado – que não está comprado títulos brasileiros indexados à inflação ou prefixados.

O gestor da Adam, Márcio Appel, ex-Safra, provou na crise Trump que trouxe consigo o modelo de equilibrar posições para aguentar ruídos de curto prazo, que funcionava tão bem no Galileo.

Nos três dias que se seguiram à eleição americana, o Adam Macro ganhou 0,11 por cento contra 0,15 por cento do CDI. Não que o fundo viesse a passos de tartaruga. Pelo contrário. Desde que foi criado, há seis meses, o fundo rende 121,78 por cento do referencial. Nada mau!

Uma posição comprada em real contra peso mexicano, montada com base na qualidade da balança comercial, servia de proteção contra uma vitória de Trump, explicou André Salgado, sócio do Appel na empreitada.

Além disso, uma posição vendida em Ibovespa compensou a comprada em juros, que, por sinal, segue na carteira. O cenário de juros baixos de longo prazo não se altera, pois é estrutural, disse também Salgado. A casa vê apenas um estresse maior no curto prazo.

“Estruturalmente, as posições de juros seguem muito interessantes, mas a volatilidade vai ser alta. Quem tiver estômago vai colher frutos”, disse o sócio da Adam.

 

Hoje nossa crítica vai para um comportamento que cresce com a proximidade do fim do ano: gestores que penduram as chuteiras muito antes da chegada do Papai Noel.

Os últimos anos foram duros e a tentação para aproveitar que 2016 foi mais generoso com ativos de risco e ficar só na vida mansa do CDI, para não correr o risco de fechar o ano feio com o cotista, é grande. A pergunta é: a taxa de administração vai cair no período também?

É bom lembrar que o fundo capta o ano inteiro, não somente em janeiro, e tem investidor que acabou de chegar. Gestor de multimercados tem de correr risco ou não vale o preço. Troféu Cota Murcha para quem se finge de morto neste momento.

 

AÇÕES ORDINÁRIAS, LUCROS EXTRAORDINÁRIOS

Você tem uma chance única de ganhar muito dinheiro com ações da Bolsa de Valores para as quais (quase) ninguém dá bola.

São ativos ignorados por grandes bancos e corretoras, mas que nos últimos 10 meses renderam +421,53 por cento, +162,62 por cento, +96,54 por cento.

Essas empresas fora do radar que estão dobrando, triplicando, quadruplicando de valor em um ano.

DESCUBRA AGORA MESMO

 

Não aguenta? Bebe leite 

Não posso deixar de tirar o chapéu para a nossa equipe de análise: fiquei impressionada com a forma como Felipe Miranda lidou com Trump. Não, ele não tinha a menor ideia de que o candidato ia ser eleito, mas recomendou aos assinantes da Carteira Empiricus, às vésperas da eleição, puts de Petobras (que ganharam com a desvalorização do papel), além da venda de peso mexicano no Palavra do Estrategista.

Por fim, lembre-se, investidor, de que você é o par nessa relação. O gestor está fazendo a mesma análise sobre você neste momento: o investidor pessoa física que a Luciana mandou para cá é de confiança? Ele entendeu os termos da relação? Ou, à primeira queda, saiu correndo chorando? Mandou um e-mail desesperado?

Talvez você não tenha mesmo nascido para o risco. Não há nada de errado nisso. Desde que você saiba e faça as escolhas certas. Quer ajuda? Junte-se a nós.

Eu estou muito orgulhosa do nosso eleitorado: quase todos tranquilos e confiantes de que estamos em boas mãos. Recebi no máximo três e-mails desesperados. No longo prazo, a serenidade será recompensada. Em dinheiro!

Dúvidas? Escreva para fundos@empiricus.com.br.

Links Recomendados

:. O efeito Trump no mercado brasileiro

:. Querer é poder?

:. S01E03 – The Godfather

 

Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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