Um brinde à nossa sobriedade

Segundo historiadores, os persas colocavam seus planos em prática só se os aprovassem em ambas as condições, tanto sóbrios quanto embriagados.

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Um brinde à nossa sobriedade

Se beber, não invista.

Os persas só colocavam um plano em prática se os fundamentos táticos sobrevivessem aos efeitos do álcool.

Uma vez chegando a um parecer enquanto bêbados, eles preferiam esperar depois da ressaca para sacramentar sua decisão.

Com isso, evitavam colocar 100% do patrimônio em bitcoins.

O mais curioso, porém, é que esses persas também faziam o contrário.

Se eles tivessem chegado a um consenso perfeitamente lógico enquanto sóbrios, mandavam trazer os garrafões de vinho para julgar se a alma dionisíaca abençoaria igualmente aquele curso de ação.

Com isso, não se limitavam a investir racionalmente na zona intermediária da curva de juros reais; avançavam sobre a fronteira da lucidez rumo às Bs longas de 35, 45 ou 50.

Segundo conta o historiador Heródoto, portanto, os persas colocavam seus planos em prática só se os aprovassem em ambas as condições, tanto sóbrios quanto embriagados.

Por isso, se o Day One do Felipe um dia lhe parece correto e disciplinado, e noutro lhe parece insano, confie nos seus próprios olhos de leitor volátil.

Calhou que a vida é assim. Às vezes é carnaval e às vezes não é.

Mesmo os analistas de banco se fazem de seríssimos, o tempo todo, pois suas retaguardas são completamente loucas.

Nós não temos retaguarda. Então, devemos ser sérios e loucos numa coisa só.

Essa coisa se chama Empiricus.