Aprenda com a dona Yvonne

Ela morou na mesma casa por mais de 40 anos. Foi casada com o mesmo homem por 53 anos – mais da metade de sua […]

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Aprenda com a dona Yvonne

Ela morou na mesma casa por mais de 40 anos.

Foi casada com o mesmo homem por 53 anos – mais da metade de sua vida.

Há quase 30 anos, promove almoços para os netos, sempre às quartas-feiras, e para a maior parte da família, aos sábados.

Desde que me conheço por gente, seu sorvete predileto é o de coco e o salgado, o bolinho de bacalhau da Ofner.

Esfiha só se for do Miski, e a pizza é sempre do Camelo.

As placas de seus carros sempre terminam em 3232 (já expliquei o porquê aqui).

A cada dez DVDs, nove são de shows do André Rieu ou do Andrea Bocelli.

O penteado é sempre igual – e impecável – e os encontros em sua casa são sempre uma delícia, independentemente do convidado.

Se conhecesse minha avó Yvonne hoje, à primeira vista, talvez você a julgasse uma mulher conservadora. Ela gosta de repetir certas escolhas há décadas e não abre mão de algumas rotinas, tudo pela união dos Cutait.

Mas minha avó é uma pessoa bastante sábia e sempre soube que, se quisesse manter a unidade familiar, teria que ser flexível. Casada com um cirurgião que anunciava, pela manhã, que faria uma reunião em casa com 50 convidados na mesma tarde, dona Yvonne nunca se estressou com o imprevisto. Mesmo sendo uma pessoa de rotinas.

Até hoje, seu freezer sempre tem charutinhos de folha de uva congelados para eventos de última hora, e seus almoços são a prova viva de adaptação aos novos tempos.

O segredo é um só e é a base de sua essência: diversidade.

O melhor exemplo é o Natal. Os almoços do dia 25 de dezembro são à prova de carnívoros, vegetarianos e… dos puramente frescos.

Como grande parte das reuniões, a da minha família tem os pratos mais tradicionais, como peru e tender, mas tem também camarão à grega, esfihas de carne, ricota e de verduras, quibe, lombo, cuscuz paulista, charutinhos de folha de uva (inclusive vegetarianos) e ao menos uma massa. Somos em muitos!

Esse é o segredo da minha avó para deixar qualquer pessoa em sua casa feliz.

Seu “seguro” está justamente na exposição variada, sem a concentração de todos os riscos em um só prato.

E pela quantidade de pessoas que gostam dela e que sempre me perguntam dos famosos almoços quando me encontram, é fácil afirmar que ela teve (e ainda tem) bastante êxito na estratégia.

Nem todo mundo gosta de um só tipo de comida. Da mesma forma, nem sempre todo mundo vai ter a certeza de que se dará bem ao investir em um só tipo de produto financeiro, por mais conservador que ele seja.

Basta dar uma olhada no cronograma do Investidor Essencial para entender como um programa completo de formação de investidores tem um portfólio diversificado de estratégias de investimentos para garantir o sucesso. Mas sem perder o apelo de ser simples, prático e didático, é claro.

Cuide bem do seu dinheiro e tenha em mente que a diversificação pode ser a melhor chance de garantir um retorno consistente a longo prazo. Com um pouco de Tesouro Direto, uma porção de fundos de ações e multimercados, uma pitada de fundo imobiliário, uma fatia de CDBs, LCIs e companhia, e sempre com um seguro, como um fundo cambial barato, dá para ganhar mais que a média.

Lembre-se da minha avó Yvonne na hora de construir seu patrimônio. Procure rechear seu prato com ativos diferentes, que vão lhe proporcionar alegria (e talvez tristeza) por razões distintas e em momentos variados.

Bom apetite!

Melhor da semana

Finalmente, depois de mais de um ano, chegou ao fim a análise da operação de compra de parcela da XP pelo Itaú, numa aprovação com duras restrições. O Banco Central liberou a compra de 49,9% do capital total da XP Investimentos, com 30,1% de ações ordinárias (capital votante). Em 2022, o banco poderá aumentar a participação, mas até o limite de 40% das ações (o que teria que ser aprovado novamente), e ficou vetada a possibilidade de aquisição do controle da XP, pelo menos durante oito anos.

Ainda que os sócios da XP tenham razões de sobra para continuar com um sorriso de orelha a orelha, a aprovação foi mais limitada que o desejado e, portanto, positiva em termos de concorrência. Para nós, clientes e investidores, é de extrema importância não haver concentração no mercado de corretoras, especialmente por conta do já grande domínio dos bancões. Independência é bom e nós gostamos!

Agora, que é engraçado ver as declarações de Guilherme Benchimol ao “Valor” sobre a intenção de lançar ainda neste ano um banco completo da XP, depois de anos de campanhas de desbancarização, isso é…

Pior da semana

Não venha dizer que não avisamos. Já passou da hora de você dedicar uma parte do seu patrimônio para seguros, como um fundo cambial do banco Votorantim, com aporte inicial de apenas 1 mil reais. O aprofundamento da crise turca, com a lira despencando e consequente aumento da aversão a risco a mercados emergentes de forma geral, é mais uma prova da necessidade de buscar proteção.

Neste ano, o dólar sobe mais de 15% em relação ao real, com alta de 4,2% só na semana passada. Parou por aqui? Impossível dizer. Melhor do que tentar adivinhar o futuro é se precaver no presente. Mãos à obra!