Fim de festa

Retorno passado não é garantia de rentabilidade futura. Está na hora de entender como tratar a renda fixa daqui para frente

Fim de festa
  • — Bom dia. Gostaria de investir no produto TURBO.
  • — Pois não. A senhora concorda com os termos e as condições para ter a rentabilidade de 100 por cento neste mês em 30 dias?
  • — Só 100 por cento???
  • — Perdão, senhora, mas é o melhor que conseguimos fazer. Se quiser aguardar, mês que vem o retorno pode ficar melhor…

Sonho. Ilusão. Alucinação. Chame do que quiser, mas acorde para a vida: seu dinheiro não vai duplicar de uma hora para outra!

As chances de faturar muito em tão pouco tempo são maiores no Show do Milhão, o famoso programa do Dr. Silvio, que está de volta. Melhor preparar a inscrição…

Mas por que tanta irritação, Bia?, você pergunta.

Desculpe a franqueza, mas admito: ando assustada com alguns MUITOS e-mails que têm chegado.

Legal, você tem um dinheiro sobrando e finalmente conheceu a Empiricus e entendeu que dá para melhorar seus rendimentos. Ótimo, fico verdadeiramente feliz por você.

Mas não dá para chegar atrasado e querer sentar na janelinha, sabe? Já leu as letrinhas miúdas de lâmina ou regulamento de fundo de investimento? Está lá: RENTABILIDADE PASSADA NÃO GARANTE RENTABILIDADE FUTURA.

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Por isso, o que é possível é transformar seu modo de enxergar o futuro. E começar a assumir que os termos do jogo mudaram.

A farra dos juros de 1 por cento ao mês está chegando ao fim. Ponto. Não fique na “sofrência”. Aceita que dói menos…

E isso quer dizer que as oportunidades na renda fixa secaram?

Não. Mas os retornos estão menores.

Com a queda da taxa Selic, todas as aplicações que rendem um percentual do CDI estão entregando rendimentos mais baixos.

O mesmo vale para investimentos vinculados à inflação, aqueles que entregam uma taxa de juros real (hoje na casa dos 5 por cento ao ano), mais a variação do IPCA.

Isso está claro para você?

Sei que foi ótimo enquanto durou pensar na renda fixa como uma aplicação segura e altamente rentável. O problema (que não é verdadeiramente um problema) é que os tempos de juros de dois dígitos estão ficando para trás.

Estamos caminhando para juros (e, portanto, retornos) estruturalmente mais baixos, o que deve provocar algumas mudanças na sua forma de pensar.

Se você continua apegado a aplicações conservadoras, há pelo menos três opções:

  1. Alongar o prazo das aplicações — Se o dinheiro não vai fazer falta, por que não escolher papéis com vencimentos mais longos para garantir os retornos atuais por mais tempo?;
  2. Buscar papéis com retornos prefixados — Os títulos prefixados ainda apresentam um prêmio em relação à Selic prevista pelo mercado, com taxas acima de 10 por cento ao ano, em meio a uma Selic esperada de 9 por cento ao fim de 2018. Embora pequena, essa diferença ainda pode ser oportuna se você vender o papel antes do vencimento ou se carregar até o prazo final, considerando um cenário de juros básicos estruturalmente menores.
  3. Correr mais riscos — Mesmo você se considerando uma pessoa conservadora, se estamos falando de retornos menores na renda fixa, talvez seja a hora de aumentar a parcela do seu patrimônio alocada em ativos mais arriscados, como ações, fundos imobiliários e moedas. Essa exposição pode ser feita via fundos de ações ou multimercados, se você não se sente seguro para selecionar os ativos sozinho.

Na Empiricus, é possível começar a investir em ações acompanhando as recomendações do Bruce e as boas pagadoras de dividendos do Herrera, por exemplo, ou descobrir os fundos imobiliários indicados pelo Alexandre ou os fundos de ações e multimercados bons e baratos por meio das recomendações da Luciana.

Mas daí vem uma das perguntas do TOP 5 do Você Investidor: quanto do meu patrimônio deveria estar alocado em risco?

Pensando na ideia de ter a maior parte do seu dinheiro protegido, o ideal defendido sempre foi dedicar à renda fixa a maior fatia dos seus recursos. Podem ser 60, 70, 80 e, dependendo do seu grau de risco, até 90 por cento.

Esse percentual, no entanto, varia de pessoa para pessoa, com diferentes fases de vida, graus de aversão a risco e necessidades de curto, médio e longo prazo.

Só para você ter uma referência, na Carteira Empiricus, investimentos de renda fixa (como títulos públicos) representam 70,5 por cento das indicações.

Mas somos uma casa plural. E como o mercado acionário está no nosso DNA, nada mais natural do que estarmos, mais do que nunca, de olho nas novas oportunidades colocadas no Brasil.

Nas recomendações do Rodolfo no Programa de Riqueza Permanente, a renda fixa conta hoje com 40 por cento de participação, numa carteira que não inclui seu colchão de liquidez (a tal reserva separada para emergências, lembra?).

E o Rodolfo tem um excelente argumento, até para os parâmetros da responsável por essa newsletter de renda fixa.

A renda fixa brasileira vive um estado de exceção. E vem ocupando um espaço que, em mercados mais desenvolvidos, seria naturalmente da renda variável, facilitando seu trabalho nos últimos anos. Você já viu alguém ficar rico nos Estados Unidos investindo em ativos financeiros sem risco?

A renda fixa ainda cumpre seu papel essencial de proteção e de gerar renda, ressaltou o Rodolfo em nossa conversa. Mas o fato é que essa alocação deixou de ser tática para virar estrutural.

Então, não espere turbinar seus investimentos com um CDB, um fundo de renda fixa, uma LCI ou um título público. Se é para ganhar dinheiro de verdade, prepare-se para correr mais risco. Simples assim. Mas não abandone a renda fixa!

Atendendo a pedidos…

Muitos leitores me escreveram num tom indignado nos últimos dias, criticando o fato de eu ter usado o retorno bruto do CDI na comparação com a poupança. Fui até acusada de estar “escondendo” o jogo dos investidores…

Para sanar de vez essa dúvida, reapresento aqui a tabela da semana passada e, ao lado, a tabela com o retorno líquido das aplicações.

Fonte: Quantum Axis

E aí, alguém encontrou a poupança vencedora em algum ano?

Dúvidas

Em março, quando começa a entrega da declaração do Imposto de Renda, teremos um guia no Você Investidor para responder as principais dúvidas sobre a tributação de cada investimento. Tem alguma questão? Envie-a, então, para o e-mail duvidasIR@empiricus.com.br.

Tem alguma sugestão de tema para eu abordar aqui no Você Investidor? Então escreva para beatriz.cutait@empiricus.com.br.

Nos vemos na semana que vem!

Um abraço!

Beatriz

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