LCI e LCA, saudades

Com os papéis de renda fixa sumidos das corretoras, seleção pelo investidor deve ser ainda mais criteriosa

LCI e LCA, saudades

Não sei porque você se foi

Quantas saudades eu senti

E de tristezas vou viver

E aquele adeus não pude dar…

Você marcou em minha vida

Viveu, morreu

Na minha história

Chego a ter medo do futuro

E da solidão

Que em minha porta bate…

E eu!

Gostava tanto de você

Gostava tanto de você…

Começo esta newsletter saudosista. E um tanto exagerada, eu sei.

É que, assim como para o Tim Maia, anda difícil aceitar que o cenário mudou. E que elas andam bem desaparecidas.

Que saudades que eu tenho daquelas aplicações fáceis e disponíveis, num tempo em que as corretoras despejavam esses papéis e era simples sentir que se estava fazendo bons investimentos na renda fixa.

Sim, estou falando delas. Das LCIs e das LCAs.

Para quem não está lembrado, vamos a uma breve recapitulação.

LCIs e LCAs são uma abreviação para Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. Tratam-se de títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar participantes do setor imobiliário (LCI) e da cadeia do agronegócio (LCA). Eles contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e têm prazo mínimo para resgate de 90 dias.

Os rendimentos costumam ser pós-fixados, expressos por um percentual do CDI. Quanto maior o percentual, maior o retorno. E com o grande diferencial da isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para investidores pessoas físicas.

Por isso, as letras viraram febre até uns dois anos atrás, quando a oferta secou, diante da piora da economia e de seu reflexo sobre a necessidade de crédito pelas empresas. Se não tem crescimento, para que se financiar?

Voltando aos dias de hoje, muita gente tem me perguntado o que fazer com esses tão estimados papéis, os queridinhos do passado. Desde que o Banco Central decidiu cortar os juros brasileiros, tenho a impressão de que acendeu uma luz amarela na casa de grande parte dos investidores, que, de um dia para o outro, chegaram à conclusão de que não dá mais para ter nenhuma aplicação atrelada ao CDI na carteira.

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Calma lá!

Não é bem por aí que as coisas funcionam.

Sim, a taxa de juros está em queda e o retorno de aplicações indexadas ao CDI (ou à Selic, como o Tesouro Selic) será menor. É um fato.

Não, não há o que fazer para mudar esse cenário. Mas você precisa selecionar melhor as instituições emissoras de LCIs e LCAs e os retornos oferecidos.

A oferta caiu drasticamente. Mas ainda há algumas boas opções.

O Julio Cezar me escreveu querendo saber quais são essas opções.

Bom dia, Beatriz, tudo bem?

Eu sou o Julio, empresário da área de cosméticos e professor de informática há mais de 10 anos. Tenho interesse em investir em LCI e LCA, mas tenho algumas dúvidas. Se você puder tirá-las, eu agradeço.

1º) É verdade que para começar investir nessa duas rendas fixas, eu tenho que começar com uma aplicação de 30 mil reais (no mínimo)?

2º) É verdade que os juros (dependendo do mercado) podem chegar a 100 por cento durante um período de 6 meses em média?

Olha, Julio, não é preciso ter 30 mil reais para investir nesses papéis. No caso das LCIs, que costumam ser mais baratas, ao fuçar nas plataformas de corretoras, encontrei algumas (poucas) opções com exigência de apenas mil reais, mas voltadas para o curto prazo.

Mas, infelizmente, não tem nada tão interessante que pague 100 por cento do CDI. Um dos papéis mais atrativos que encontrei pagava 93 por cento, num prazo de quatro meses. Como você pode conferir na nossa planilha de comparação de taxas, disponível aos assinantes do Você Investidor, esse percentual equivale a um CDB que entregue cerca de 120 por cento do CDI. Que tal?

Esse papel, contudo, apareceu como uma opção e, uma hora depois, já não estava disponível. Uma hora! Não está sendo fácil…

Ao analisar as plataformas de várias corretoras, é mesmo fácil ver que a oferta está cada vez mais escassa. E que a seleção por parte de muitas instituições está pior, com vários bancos de segunda linha que não nos agradam em nada. O risco não compensa nesses casos, mesmo com a chancela do FGC.

Por isso, fique atento.

Dá para ter LCI e LCA ainda? Dá. Mas são poucas as opções e muitas delas não têm liquidez. Portanto, se o intuito for ter um dinheiro aplicado reservado para emergências, não troque seu Tesouro Selic por LCIs e LCAs. Ainda que o retorno seja maior, você não poderá resgatar o dinheiro se precisar para alguma emergência de verdade.

E, para saber mais sobre o que cada corretora tem de melhor, confira a próxima edição do relatório Você Investidor. Nela, listamos os pontos fortes e fracos de cada instituição, para que você encontre a que mais se encaixa no seu perfil. E no seu bolso!

Tem alguma sugestão de tema para eu abordar aqui ou no Você Investidor? Então escreva para beatriz.cutait@empiricus.com.br.

Nos vemos na semana que vem!

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