Brasil, qual é o teu negócio?

Brasil, qual é o teu negócio?

Não sei se você já teve a chance de conversar com um gringo sobre investimento em ações.

Pode ser americano, alemão ou japonês; os fatores culturais são menos importantes.

A experiência é mais ou menos tal qual a de uma conversa entre você e o seu eu-futuro (assim espero).

– E então, você investe em ações?

Ele te olha com aquela cara desconfiada, como se houvessem lhe perguntado se ele faz pedidos online na Amazon.

– Sim, naturalmente, invisto em ações.

– Legal. Você se importa em falar quanto do seu patrimônio você investe em ações?

– Não, não me importo; sem problemas. Algo como 60 por cento do patrimônio em ações.

– 6 por certo?

– Eu disse sessenta por cento. Sessenta.

– Você finge que está lost in translation, sorry, segue a conversa.

– Assim, não quero me meter na sua vida gringa, mas não é muito arriscado ter 60 por cento em ações?

– Não acho nada arriscado. Por quê? Onde você coloca 60 por cento dos seus investimentos?

– Bem, a maioria dos brasileiros coloca quase todo o dinheiro em coisas como poupança, títulos públicos e imóveis.

– Uhm, lamento saber. As empresas brasileiras são ruins?

– Não é que sejam ruins. Temos, na verdade, um dos maiores parques corporativos do mundo. O empresário, no Brasil, é um vencedor só por ter sobrevivido mais de cinco anos com um mesmo negócio.

– E mesmo assim vocês acham arriscado investir em empresas e acham seguro investir em dívida do governo? O brasileiro confia mais no governo do que nas empresas?

Então fiquei imaginando uma pesquisa do Ibope com duas perguntas endereçadas à nação tupiniquim:

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1) Você confia mais no governo brasileiro ou nas empresas brasileiras?

2) Você investe mais de 6 por cento do seu patrimônio em ações?

Posso supor uma clara contradição entre as respostas.

Enquanto investidores, somos aquilo no que confiamos ou aquilo que fazemos de fato?

QUERO INVESTIR NAQUILO QUE CONFIO

Até a próxima,
Rodolfo Amstalden

Há duas semanas, recomendei aqui a leitura dos ensinamentos do Ivan Sant’Anna. Fiquei feliz de saber que vários leitores já acompanham os livros e as recomendações do Ivan. E, atendendo a pedidos de dezenas de e-mails que recebi, aqui está o link para você receber gratuitamente as newsletters semanais dele, na Inversa.

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