Carnaval sem estre$$e

Quatro lições diretamente do meu Carnaval 2018 para as suas finanças

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Carnaval sem estre$$e

Não sei você, mas eu sou louca por Carnaval.

Já comecei a semana com glitter na bolsa, confete no chão de casa e serpentina separada.

Nunca desfilei em avenida propriamente, mas adoro ver as pessoas na rua, festejando e lembrando as marchinhas antigas, que eu cantava desde pequena com minha avó.

Sei que muitos aqui vão torcer o pescoço e pensar que esta news vai ser inteira dedicada ao feriado, mas calma que existe uma razão para a analogia.

Já faz uns dez anos que viajo para pular Carnaval e confesso que, mesmo sendo um tempo de pura folia, também foi de grande aprendizado. São lições que extrapolam a sabedoria de tampar a lata de cerveja para evitar os confetes ou se abaixar a qualquer sinal de crianças com spray de espuma nas mãos.

Estou falando de experiências que hoje me impedem de cair em algumas roubadas e que podem — e devem — ser incorporadas para também evitar as ciladas do dia a dia que recaem sobre nosso dinheiro.

Explico.

Lição número 1: fuja do efeito manada

Todo bom folião morre de medo de muvuca, daquele tipo em que você é obrigado a seguir o fluxo se não quiser ser atropelado. Eu mesma vivi isso na pele quando tentei ir ao bloco de um tal Sargento Pimenta num Rio de Janeiro lotado, e me arrependi perdidamente.

Adaptando a lição para nossas queridas finanças cotidianas, não tem nada pior do que investidor que só aplica depois de receber aquela “dica esperta” dos amigos ou dos primos, que coloca boa parte do dinheiro em aplicações de risco, como moedas digitais, só para imitar os outros. É fácil visualizar esse investidor sendo arrastado pela multidão, sem ter ideia da direção tomada. E, em grande parte dos casos, perdendo o controle e dando adeus ao seu dinheiro…

Lição número 2: diga não à superalocação

Um bom carnavalesco que se preze sabe que não dá para concentrar todas as fichas em um bloco só, porque o resultado é sempre desastroso: você se joga na folia no sábado e passa os três dias seguintes como um zumbi tentando acompanhar o ritmo dos amigos. Não estou dizendo que não dá para aproveitar com intensidade, mas uma leve moderação sempre cai bem.

O mesmo acontece com seu dinheiro. Já faz tempo que você nos ouve sugerir a entrada ou uma maior exposição à renda variável, mas tem muita gente com quase todos os recursos aplicados em renda fixa, sem sair dos famigerados CDBs, das LCIs e do Tesouro Direto. A taxa básica de juros está a um dia de cair abaixo dos 7% ao ano e você segue aí, esperando o “melhor momento” para entrar na Bolsa. É hora de acordar!

Dias mais tensos para o mercado, podem inclusive servir de oportunidade para quem estava em dúvida sobre quando dar o primeiro passo… Mais do que nunca, o Bruce tem orientado quem quer começar na Bolsa, mas tem pouco para aplicar.

E o mesmo vale para o sentido inverso. Já cansamos de escutar gente chegando agora ao mercado financeiro querendo colocar todas as fichas em moedas digitais. Regra imprescindível: destine uma parcela pequena aos investimentos de altíssimo risco. Lembre-se de que esse dinheiro poderá se perder…

Lição número 3: não encare uma Antarctica se puder garantir uma Heineken

Todo Carnaval tem um verdadeiro drama: onde encontrar aquela marca de cerveja realmente gostosa? Já corro o risco de me debater com centenas de foliões para garantir uma latinha que, muitas vezes, está meio morna, então não abro mão de lutar até o último momento por uma cerveja minimamente de qualidade.

É claro que é tentador agarrar a primeira Brahma, Skol ou Antarctica que aparecer pela facilidade e a grande oferta, mas quase sempre topo andar um pouco mais para comprar a desejada Heineken.

Outro dia, um investidor me perguntou qual era, afinal, a diferença entre os fundos multimercados ofertados nos bancos e nas corretoras, já que ele enxergava as mesmas taxas de administração e de performance. Ele simplesmente não via as vantagens…

Hoje mesmo a Luciana comentou sobre um fundo multimercado de uma gestora independente temporariamente aberto para novas aplicações que já rendeu 35,6% (ou 193,59% do CDI) desde sua criação, em junho de 2016.

Será que não vale a pena destinar uma fatia maior do seu patrimônio para um fundo desse calibre? Estou para ver algum fundo de um grande banco entregar o mesmo retorno que isso…

Lição número 4: cuide do seu próprio dinheiro

Ninguém melhor do que você para se responsabilizar pelo seu dinheiro. Não adianta se jogar nos blocos e beber todas e depois voltar para casa sem celular ou cartão de crédito, louco para responsabilizar a turma pelos roubos do dia.

E esse cuidado deve obviamente valer para a gestão dos seus investimentos. Aprenda e selecione por conta própria suas aplicações financeiras, vivendo os riscos e as delícias de ter o mérito pelos resultados!

Agora chega de lições!

Um ótimo Carnaval e boa folia!

P.S.: já está no ar a publicação do Você Investidor tratando das oportunidades remanescentes no Tesouro Direto. Sim, ainda vale a pena ter títulos públicos na carteira. Confira!