S02E25 – Em Busca da Carteira Perfeita

O exemplo de Magazine Luiza (MGLU3) é um bom caso de convexidade das ações. Cem mil reais seriam hoje 8,8 milhões de reais. O que você faria se tivesse essa grana para investir? Como teria uma carteira de investimentos bem diversificada?

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Sempre que falo sobre a convexidade das ações, uso o exemplo de Magazine Luiza (MGLU3). Ajustando para o grupamento de ações, o papel chegou a ser cotado a 0,968 real em dezembro de 2015. Em setembro de 2017, fechou em 84,90 reais.

Em pouco mais de um ano e meio, uma multiplicação de quase 88 vezes.

Para se ter ideia, se alguma alma sortuda tivesse investido 100 mil reais na mínima e segurado até a máxima, teria 8,8 milhões de reais nas mãos neste momento. Ontem, em meio aos devaneios de Carnaval, me peguei pensando no que faria se tivesse essa grana para investir.

Como seria minha vida, hoje, se tivesse feito uma “fezinha” de 100 pratas em MGLU3?

Antes de mais nada, imposto sobre os ganhos de capital – 1,3 milhão de reais para o saco, sem choro nem vela.

Depois de saciar o Leão, a primeira coisa que eu faria seria garantir meu teto: de acordo com o Daniel, o Ifix (índice de fundos imobiliários) está pagando uns 6% de yield ao ano – pela isenção fiscal e natureza dos contratos de aluguel, o rendimento é real e líquido. Assim, aplicaria 1 milhão de reais em uma carteira de FIIs bem diversificada. 60 mil reais ao ano, 5 mil todo mês.

Esse valor é suficiente para pagar o aluguel de um excelente apartamento ou casa em praticamente qualquer bairro de qualquer cidade do Brasil. Mesmo no Itaim, um dos metros quadrados mais caros do país, dá para alugar um belo apartamento.

Depois do teto garantido, é preciso dar conta das despesas recorrentes. Com o aluguel encaminhado, uma renda mensal de 10 mil reais cobre o plano de saúde, o condomínio, a gasolina, o mercado, um cinema e outras coisinhas mais. Uma vida boa, mas sem grandes exageros.

Hoje, a Selic está em 6,75% ao ano. Com as previsões de inflação e a alíquota do IR, dá para chegar a mais ou menos 3% ao ano real e líquido de impostos. É pouco, mas é o que tem para hoje.

Dá para melhorar isso se você mesclar com uma carteira de dividendos bem montadinha – se misturar Itaúsa (ITSA4), IRB Brasil (IRBR3), BB Seguridade (BBSE3), Cteep (TRPL4), Ambev (ABEV3) e Vivo (VIVT4), chega a 5% ao ano.

Metade LFTs (Tesouro Selic, para quem não é um dinossauro como eu) e metade carteira de dividendos: 4% ao ano – precisaria colocar 3 milhões de reais nesse combinado para ter um “salário” de 10 mil reais todo mês.

Há quem argumente que dá para travar um rendimento real e líquido perto dos 4,5% com as NTN-Bs bem longas, com vencimento em 2045 e pagamento semestral de juros. Eu, particularmente, não acho que é hora de entrar nas NTN-Bs nem em títulos prefixados.

Se tudo que sobe tem que descer, quando se trata de juros no Brasil, tudo que desce tem que subir. Estamos nas mínimas históricas dos juros e não duvido que daqui a uns dois anos (ou menos) essa coisa toda suba novamente. Talvez apareça aí uma oportunidade de travar um rendimento bem melhor se tiver um pouco de paciência. Por mais que ainda haja espaço para que esses juros caiam mais um pouco, acho melhor ficar posicionado em juro pós por enquanto.

Sobram, assim, 3,5 milhões de reais.

Eu colocaria 1 milhão em ativos estrangeiros – BDRs, fundos cambiais, um pouco de iene e, assim que os juros lá fora dessem uma normalizada, compraria títulos dos Tesouros americano, inglês e europeu.

Um milhão iria para a mão de bons gestores de multimercados – o Strategy, da Adam, está aberto, e eu aguardaria ansiosamente por uma nova janela para investir no Nimitz, da SPX.

Quinhentos mil em ações descontadas, com boa possibilidade de ganhos de capital e/ou fundos de ações bem geridos (gosto do Alaska Black – bem agressivo).

Outros 500 mil iriam para todo e qualquer ativo convexo. Correr atrás das novas MGLU3 – bitcoins, Venture Capital, ações de empresas em dificuldade financeira. Se a convexidade nos trouxe até aqui, por que não seguir acreditando nela?

Dos 470 mil reais restantes, colocaria uns 200 mil em um fundo de liquidez diária, com taxa de administração bem baixinha – na XP tem um legal, o XP Tesouro LFT FI Renda Fixa Simples. Seria minha reserva de emergência.

Os 270 mil que sobraram? Gastaria tudo sem dó.