As principais dúvidas sobre o Tesouro Direto

Muitas pessoas já conseguem juntar algum dinheiro, mas por falta de informação não obtêm lucros maiores. Tire aqui as principais dúvidas e aprenda como investir no Tesouro Direto.

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As principais dúvidas sobre o Tesouro Direto

O principal investimento de quem está começando a juntar um dinheirinho geralmente é a poupança. Talvez pela fama e tradição, pela facilidade ou simplesmente por ser recomendação do gerente do banco.

O fato é que a poupança rende pouco e está sujeita ao risco de crédito do banco, ou seja, não é a sua melhor opção.

Pelas minhas conversas com nossos leitores, noto que o principal motivo pelo qual eles não investem no Tesouro Direto é a falta de informação.

Então resolvi trazer à nossa newsletter respostas para as cinco principais dúvidas que recebo sobre o Tesouro Direto. Quem sabe esta leitura não sirva de estímulo para você começar uma nova fase da sua vida de investidor.

Vamos a elas.

1. Por onde começar?

Para ter acesso aos títulos públicos do Tesouro Direto, é preciso ter conta em um banco ou corretora. Nos bancos mais conhecidos, geralmente se paga muito caro para ter acesso a esses papéis. Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, por exemplo, cobram cerca de 0,5% de taxa sobre o seu investimento.   

Para conferir quanto cada banco cobra, utilize este link.

Então, sugerimos sempre que você procure uma corretora que cobre ZERO de taxa! Há várias delas, mas as mais conhecidas são a XP e a Easynvest.

Algumas dessas instituições dão acesso aos títulos públicos via mercado secundário. Não utilize esse canal. Invista apenas via Tesouro Direto. Por meio dele, a negociação é mais transparente, uma vez que as taxas são fixas e cobradas por fora, e não embutidas nos juros dos títulos (com o discurso de “taxa zero”).

2. Quando posso resgatar meus investimentos?

O resgate pode ser feito todo dia útil e cai na sua conta da corretora no dia útil seguinte à operação. Ou seja, se você pedir o resgate na segunda-feira, o dinheiro estará na sua conta na terça. E, ao contrário da poupança, o título vai render os juros do dia todos os dias. Por exemplo, na poupança, se você investe um valor no dia 1º e retira no dia 29, seu dinheiro não rende um tostão, pois não completou a data de “mesversário”. No Tesouro Direto, todo dia seu investimento rende, e, se você o resgatar no meio do mês, embolsará a rentabilidade proporcional aos dias em que seu dinheiro ficou investido.

3. Quais são as taxas e os impostos que incidem sobre os títulos do Tesouro?

São três taxas diferentes: taxa da B3, IOF e Imposto de Renda.

A taxa da B3 é de 0,30% ao ano (cobrada a cada semestre, proporcionalmente ao período pelo qual você carregou o título) sobre o valor total do investimento. Para se ter uma ideia, essa taxa transforma a rentabilidade do Tesouro Selic (LFT), que rende 100% do seu benchmark, em cerca de 97 a 98% da Selic aproximadamente, a depender do patamar em que ela se encontra.

Conclusão: a rentabilidade total é praticamente inalterada. E acho que não é preciso falar que o argumento do gerente (de que não há taxas) para você investir em CDB, que paga 95% do CDI, não cola, não é mesmo?

A incidência do Imposto de Renda e do IOF é a mesma para todos os investimentos de renda fixa, como CDBs e debêntures — exceção feita para LCIs, LCAs e algumas debêntures incentivadas, que são isentas.

Tanto o IR como o IOF seguem tabelas regressivas. No Imposto de Renda, a partir de dois anos de investimento, a alíquota cai para 15%. No caso do IOF, a alíquota chega a ZERO depois que o investimento completa 30 dias.

Para consultar as tabelas, basta dar um Google: tabela regressiva IR e tabela regressiva IOF.

Então, por exemplo, se você investir no Tesouro Selic pelo período de um ano, você receberá:

100% da Selic menos 0,30% da taxa da B3 = 97% da Selic

Deduzindo o IR de 17,5%, o resultado seria 79% da Selic.

3.1 Quanto renderia a poupança no mesmo período?

Pela regra da poupança, esse rendimento seria de 70% da taxa Selic. Ou seja, o título atrelado à Selic, mesmo pagando taxa e impostos, renderia 113% da poupança. Nada mal, não é mesmo?

Em um ano isso pode até não fazer tanta diferença, mas ao longo de 30 anos de investimento, pelo efeito de juros compostos, isso representa 125,4% a mais de rentabilidade. Em outras palavras, a cada 1 mil reais investidos, depois de 30 anos você ganharia mais 3 mil reais com a poupança. Porém, com o Tesouro Selic o ganho seria de mais 4 mil reais (considerando juros de 7% ao ano). São 1 mil reais de diferença!

4. Se eu compro, em ocasiões diferentes, o mesmo título, qual será vendido pelo Tesouro Direto primeiro?

Essa é uma das perguntas que recebo com mais frequência. Os investidores ficam preocupados em vender títulos que eles acabaram de comprar. Mas não há com que se preocupar. O Tesouro Direto sempre irá vender o título mais antigo, ou seja, o que você comprou primeiro, de forma que você se beneficie o máximo possível com o Imposto de Renda regressivo.

5. Qual título devo comprar?

Essa é a pergunta mais importante!

O Tesouro Direto possui três tipos de títulos diferentes: Tesouro Selic (ou LFT), Tesouro IPCA+ (ou NTN-B) e Tesouro Prefixado (LTN ou NTN-F).

O Tesouro Selic renderá sempre a taxa Selic. Não tem surpresas. Por isso, ele é o principal substituto da caderneta de poupança e dos CDBs de taxas baixas (e o mais recomendado para quem não quer correr nenhum risco).

Cada título se comporta de uma forma diferente e pode render muito melhor em determinados períodos de acordo com o ciclo de alta ou queda da Selic, bem como as taxas de mercado.

Ou seja, se estamos em um período em que as taxas estão subindo, a rentabilidade de um título se sobressairá à dos outros. E o contrário também ocorre em um ciclo de queda, quando determinado título poderá performar melhor.

Para saber qual título comprar, é necessário fazer uma análise macro para prever qual será a tendência dos juros mais à frente.

Na série Tesouro Empiricus, eu faço exatamente isso: acompanho de perto os indicadores da economia e os preços de mercado para escolher os melhores títulos do Tesouro Direto para investir.

No ano passado, mesmo com a queda nas taxas de mercado (e a realização de lucros de dezembro), nossa carteira rendeu 125% do CDI! É um quarto a mais de dinheiro para o seu bolso e, claro, para os seus projetos de vida.

Se você gosta da segurança dos títulos públicos mas quer ter mais rentabilidade do que a Selic, não deixe de conhecer a série Tesouro Empiricus.