Como operar ações via Renda Fixa

Como operar ações via Renda Fixa

Caro investidor de ações, tenho que confessar uma coisa: estou muito otimista com a Bolsa!

Eu, que acompanho a economia com lupa, estou vendo dados melhores de emprego e consumo, e estou com a sensação de que essa Selic a 7,5 por cento vai bombar nossa economia em 2018.

Como você já sabe, isso será muito bom para a Bolsa!

Mas o que você ainda não sabe é que dá para operar a melhora de ações via renda fixa também. E com retornos tão agressivos quanto.

Como funciona?

A queda de juros aumenta a confiança dos empresários e dos consumidores, reduzindo o custo de empréstimo, por exemplo. Além disso, projetos com retornos um pouco mais baixos passam a ser atrativos quando a Selic cai, estimulando investimentos. Isso tudo aumenta a demanda e o consumo. As empresas vendem mais e contratam mais pessoas. Com mais salários sendo pagos, o consumo aumenta, e assim gira a roda.

O aumento das vendas aumenta a receita das empresas e, para uma mesma margem, aumenta o seu lucro. Os acionistas ficam felizes e compram mais ações, causando uma pressão altista no preço dos papéis.

Mas também acontece outra coisa maravilhosa…

Empresas que vendem mais têm mais dinheiro para pagar suas dívidas. O aumento da receita também pode reduzir a alavancagem, melhorando o risco da empresa.

Além disso, quando a empresa vai bem, mais bancos querem emprestar para ela, e esse aumento de oferta de crédito causa a redução da taxa paga. A redução da taxa reduz os custos financeiros da empresa, que aumenta seu lucro e com isso paga mais empréstimos, girando a roda novamente.

As debêntures são títulos de dívida de empresas. Como explico em meu livro Renda Fixa não é Fixa, elas são marcadas a mercado assim como os títulos públicos.

Dessa forma, a queda das taxas das debêntures também faz com que o valor delas suba muito, como ocorre com os títulos públicos.

Então, você me pergunta:

– Mas, Marília, vamos ao que interessa. Isso pode dar quanto de grana?

E eu respondo:

– Saca só…

… no dia 31/05/2016, recomendei no Empiricus Renda Fixa a debênture RSCC14, da empresa Restoque, a 196,46 por cento do CDI. Na época, a empresa estava remando contra a maré, com queda nas vendas devido à crise econômica e a erros de gestão. Mas eu acreditava que ela ia se recuperar e virar o jogo, e, caso não se recuperasse totalmente, pelo menos conseguiria pagar a dívida.

Dito e feito. No dia 5 de junho de 2017, praticamente um ano depois, a empresa limpou o balanço e começou a surpreender nos resultado. Com isso, conseguiu pagar a dívida e honrar os debenturistas.

Neste ano, apenas com esse título, rendemos 26,85 por cento! No mesmo período, a ação rendeu -1,48 por cento. Ou seja, perdeu para a renda fixa.

Mas a perda não foi linear. Houve momentos de rentabilidade de 34,22 por cento com a ação, assim como momentos de prejuízo de 18 por cento. A ação oscilou bastante. A debênture oscilou também, mas muito menos.

Quem seguiu a recomendação via renda fixa ganhou 26,85 por cento, e quem seguiu a recomendação via ação perdeu 1,48 por cento.

Isso quer dizer que renda fixa é muito melhor do que ações? Sim!

Tô brincando, gente, não!

Se você olhar a rentabilidade da ação da Restoque logo depois de junho até hoje, verá uma alta de 44 por cento. Por que isso? Pois, depois que o balanço do segundo trimestre estampou que a melhora aconteceu, a ação ajustou na hora. Não adianta querer entrar depois que já foi provado que a empresa consegue.

Ou seja, para se dar bem em ações, você tem que correr o risco quando ninguém ainda quer correr. Para se dar bem em renda fixa, você também tem que fazer isso, porém, não precisa que a empresa mostre lucros agressivos. Precisa apenas que a empresa melhore o suficiente para pagar as dívidas.

O resultado fraco do primeiro trimestre nos rendeu 26,85 por cento. Se o resultado do segundo trimestre não tivesse sido tão agressivo, o acionista ainda estaria remando, enquanto nós da renda fixa já estaríamos tomando água de côco na praia.

A melhora da atividade será um excelente estímulo para equity, mas também para renda fixa.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Não estou preocupada que a Selic vai para 7,5. Não estou com “medinho” de não ter o que fazer com a minha carteira nesse período. Porque temos um ativo matador para períodos de Selic baixa e melhora na Bolsa.

Montei uma carteira de renda fixa para render dois dígitos daqui para a frente, independentemente da Selic. Batizei ela de FIX2D. Quer conhecer meu plano maligno para dominar o mundo? Então acesse aqui.

Conteúdo relacionado