Corra, Lola, Corra

À procura de ideias verdadeiramente inovadoras e recomendações além do senso comum

Corra, Lola, Corra

Outlier:

Um ponto fora da curva, distante da média de uma série estatística; observação anormal, estranha; valor atípico, diferente do padrão; fora do senso comum.

Já me antecipando às perguntas, julguei por bem começar esta newsletter explicando de cara seu significado, que deve ser um velho conhecido seu: o propósito da Empiricus.

Não só eu, como toda equipe da casa, temos como missão apresentar ideias inovadoras, contra a corrente, que justifiquem seu tempo, sua dedicação e seu investimento, é claro! Somos pagos para pensar além do senso comum.

 

Afinal, se for para fazer como todos os outros players, por que acompanhar nosso trabalho?

A proposta é essa. Ideias originais, irreverentes, sempre com foco no pequeno investidor.

O relançamento desta newsletter se faz necessário para lembrar a você deste nosso papel fora da caixa, do mainstream, como o Felipe tanto gosta de dizer.

Sei que a linguagem mais informal e crítica nem sempre agrada a todos. Estamos BEM cientes de que há um preço a ser pago pelo tom mais pop da Empiricus.

Outro dia mesmo, um antigo colega jornalista resolveu me atacar em uma rede social por eu ter criticado uma matéria feita por ele e publicada em um grande jornal, que em nada agregava ao investidor — que, por sinal, deveria ser seu foco, não?

Ora, se não temos a menor humildade para refletir sobre nossos papéis como profissionais, o que estamos fazendo nesse mundo?

Estou convicta de que não errei naquele episódio. Mas certamente já me equivoquei em outros, e vou continuar cometendo erros em busca dos acertos.

Nem sempre seremos inovadores, revolucionários. A originalidade permanente é de fato insustentável.

Mas prometo que sempre tentaremos. Para isso, tenho sempre em mente um episódio que marcou meu início de carreira no jornalismo.

Corra, Lola, Corra

Logo que comecei a trabalhar em uma agência de notícias em “tempo real” — modalidade em que jornalistas se digladiam para publicar uma informação (supostamente) importante em primeiro lugar, muitas vezes com vantagens em frações de segundos —, recebi um alerta fundamental de uma ex-chefe muito querida:

“Bia, aconteça o que acontecer, não quero que você combine o lide [abertura de um texto jornalístico que apresenta sucintamente o assunto ou destaca o fato essencial da matéria] com outros colegas!”.

Lembro-me de ter me assustado com a orientação, afinal, como assim as pessoas combinavam o que escreviam nos textos? Qual seria a diferença, então, entre ler o jornal X, Y ou Z, ou acompanhar o trabalho de determinado jornalista?

No dia seguinte à conversa, ao cobrir um evento com Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, não é que lá estavam reunidos os jornalistas dos principais veículos do país, perguntando uns aos outros como “abririam” suas respectivas matérias?

Confesso que fiquei chocada num primeiro momento, mas, com o tempo, me dei conta de que o próprio sistema estimulava aquele comportamento em massa.

Na ânsia de escrever com uma pressa que gerava enjoo e chegava a doer as pontas dos dedos, e sob a pressão de deixar algum detalhe importante de fora de sua apuração, os jornalistas se uniam para fazer um trabalho em grupo, minimizando os riscos do trabalho — e, claro, evitando assim qualquer destaque.

Nem preciso dizer que esse comportamento obviamente não se restringe a jornalistas. Todos os profissionais estão sujeitos a se comportarem como verdadeiros robôs, repetindo mecanicamente os seus trabalhos.

Uma das reportagens que mais gostei de escrever tratou justamente desse comportamento no mercado financeiro.

Ao lado de uma editora que me estimulou a pensar fora da caixa, mostrei como os analistas das principais casas de investimento deixaram o pequeno investidor completamente desassistido durante a crise da OGX, então petroleira do empresário Eike Batista.

E não estou falando propriamente de projeções erradas, mas da (má) análise de dados reais. Mesmo com os papéis derretendo diante do desempenho da OGX, analistas não mudavam suas recomendações, demorando horrores para indicar aos cotistas que vendessem os papéis, que já não valiam mais que alguns centavos.

Ancoragem? Resistência a assumir perdas? Conflito de interesses? Otimismo além da conta? Efeito manada? Falta de visão crítica? Informações enviesadas?

Pode ter sido um misto de muitos fatores, mas o fato é que aquele episódio deveria ser emblemático para mostrar ao investidor pessoa física que é fundamental ter visão crítica. SEMPRE! Inclusive sobre quem lhes transmite as recomendações.

Isso vale para os analistas/corretoras, para os jornalistas, para os assessores de investimentos, para os gerentes de bancos, para os agentes autônomos, enfim, para todos nós! Exija qualidade em todas as esferas. E busque ideias que se destaquem no meio da multidão, que façam você efetivamente refletir, mudar de atitude, sair da inércia.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Esta cara nova é para dizer que estou aqui, de coração aberto, para suas críticas, suas sugestões e seus pitacos. A ideia é sempre melhorar e correr atrás do novo, fugindo da manada e torcendo para que este e-mail não seja apenas mais um em sua caixa de entrada.

Um abraço,
Beatriz

Conteúdo relacionado