Vou-me embora para a Fundolândia

Vou-me embora para a Fundolândia. Lá, na corretora fundo bom seria fundo bom, e fundo ruim seria fundo ruim.

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Vou-me embora para a Fundolândia

“Há maneiras de descobrir se um homem é honesto: pergunte a ele. Se responder ‘sim’, ele é um vigarista.”
Groucho Marx

Meu pai é neurologista. Sabe o que ele diz quando um representante de laboratório oferece vantagens para que um remédio seja receitado em vez de outro? Põe o moço para correr.

Minha irmã é arquiteta. Sabe o que ela fez com a comissão que ganhou da loja onde comprei o sofá lá de casa? Repassou para mim. Virou desconto.

Se meu pai ganhasse um valor diferente dependendo do remédio que ele receitasse para tratar sua esclerose múltipla, você confiaria na prescrição dele?

E se minha irmã levasse uma comissão diferente dependendo da loja em que comprasse, você confiaria quando ela indicasse o sofá lilás da Gabriel Monteiro da Silva para sua sala de visita?

E se eu disser a você que a sua corretora recebe um valor diferente a depender do fundo em que você investe? Você vai confiar na próxima oferta que chegar a seu e-mail?

Você já se perguntou quem paga a corretora pelo fundo em que você investe? Todas as corretoras brasileiras recebem o rebate: uma fatia das taxas de administração e de performance que você paga. E elas variam – e muito – de um fundo para o outro.

Quanto você acha que o gestor reconhecido, com excelente histórico, portas abertas em todos os alocadores de fortunas paga de comissão para ser distribuído? Pouco.

E quanto você pensa que o sofá lilás, digo, o gestor sem histórico ou com passado impublicável paga à corretora para brilhar na prateleira? Muito.

Eu sou capaz de listar a partir das centenas de e-mails que recebo de clientes todos os dias, encaminhando as sugestões (e pressões) que receberam de seus assessores, quem paga mais.

Vou-me embora para a Fundolândia. Lá eu serei amiga da corretora.

Na Fundolândia, a corretora seria remunerada pela distribuição de fundos, claro – nem minha irmã sobrevive fazendo projeto de graça –, mas receberia o mesmo valor independentemente do fundo que me vendesse.

Problemas resolvidos no divã à parte, a Renata jamais me estimularia a levar o sofá lilás se recebesse a mesma comissão caso eu comprasse o estofado bonitão cinza.

E se minha avó se apaixonasse pelo sofá lilás e quisesse ele e pronto? A minha irmã ganharia o mesmo de sempre e a loja do mobiliário exótico ficaria com o restante da comissão gordinha para ela? Não! Minha irmã receberia todo o rebate e transformaria o excesso de comissão em desconto para minha avó.

A Fundolândia seria assim: rebates tabelados. E toda a comissão excedente seria revertida para o cliente – viraria desconto de taxa de administração.

Lá, fundo bom seria fundo bom, e fundo ruim seria fundo ruim. E isso não mudaria ao sabor da honestidade de quem lhes apresentasse.

Sonho? Não. A Fundolândia já existe, mas só para quem tem alguns milhões de reais no bolso e acesso a um alocador de fortunas – algumas poucas famílias brasileiras.

Mas eu, aqui da Terra, sonho com a Fundolândia no varejo…

 

Quem investiu uma pequena fatia do patrimônio em um fundo cambial, como temos repetido aqui, sofreu menos o revés dos mercados em fevereiro.

Os fundos cambiais renderam por volta de 1,6% na primeira quinzena do mês, bem acima do 0,23% do CDI. Para quem estava em Bolsa, esses produtos amorteceram o prejuízo de 0,73% do Ibovespa no período.

Mais uma vez os fundos cambiais mostraram-se um excelente instrumento de proteção.

 

 

Os fortes ganhos na Bolsa de dois anos para cá fazem os fundos de ações que acompanham o índice parecerem atraentes. Avalie, entretanto, se você não está pagando caro demais para o gestor simplesmente imitar o índice.Nos grandes bancos, vejo fundos indexados ao Ibovespa na prateleira com taxa de 1,5%, como o BB Indexado Ibovespa; 2,5%, caso do Itaú Índice Ibovespa; ou de até 3,5%, como o Bradesco Indexado Ibovespa.Compare sempre com o custo de investir em ETFs (fundos atrelados a índice negociados em Bolsa) via sua corretora. Ou busque um fundo indexado barato – uma raridade –, que o Felipe e eu encontramos nesta semana. Quer conhecer? Clique aqui.

 

Meu nome é ansiedade

Estamos debruçados em um grande estudo que vai culminar com meu maior projeto na Empiricus. Conto para você na próxima quarta-feira, sem falta!