Manifesto: pelo direito de ir e vir

Na hora de abrir conta e investir no tal do fundo, vale assinatura eletrônica, vale até um “ok” por telefone. Mas e para sair? É possível fazer a portabilidade do fundo de investimento?

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Manifesto: pelo direito de ir e vir

“Não estamos no ramo de café para servir pessoas,
estamos no ramo de pessoas para servir café.”

A rede de cafeterias Starbucks paga para seus funcionários cursarem o nível superior. Li certa vez uma entrevista com um executivo da companhia em que ele foi questionado sobre o risco de grande rodízio dos empregados – um graduado tende a deixar o balcão em troca de uma função mais bem remunerada em outra empresa.

Não me lembro das palavras exatas, mas a resposta do executivo da Starbucks foi algo nessa linha: “Eu sei que ninguém quer servir café a vida inteira, mas quero que meu funcionário esteja feliz enquanto estiver atendendo o meu cliente”.

Confesso que não entendo a fixação por aquele café (minha pedida é o Vanilla Latte), mas passei a ver a marca Starbucks com outros olhos. Se você é bom, por que obrigar alguém a te engolir?

Da mesma forma, a Starbucks poderia aproveitar seu porte para pagar menos pelo grão e oferecer o café barato, colocando em risco seus concorrentes. Ao contrário, ela costuma pagar mais.

A disputa pelo cliente se dá onde? Na qualidade dos produtos, no conforto da loja, na internet que sempre funciona e na forma como o cliente é tratado pelos funcionários, não nos bastidores (embora haja gente por aí que adora afogar a concorrência por trás das cortinas). Na gigante do café, é o consumidor que escolhe.

E minha caixa de e-mails acusa que tem muito distribuidor de fundos precisando tomar um café. Venti, por favor.

O e-mail mais recente de um dos nossos clientes tem como título “Not Easy”. Nele, o Fábio conta que “foi custoso, como diz o mineiro”, transferir seus fundos de uma corretora para outra. Investido em multimercados, ele não via sentido em sacar e pagar os impostos a fim de depois aplicar nos mesmos produtos em outra casa. Certíssimo. “Foi um verdadeiro parto”, relatou.

Por que o Fábio decidiu trocar uma corretora por outra? Provavelmente porque não foi muito bem tratado na casa de origem – que achou por bem maltratá-lo até o fim.

O distribuidor não pode impedir o investidor de mudar – me disse o Guilherme Cooke, do Velloza Advogados, que conhece todas as regras do segmento. O problema, completou, é que não há regulamentação para a tal troca de casa. E, na falta de regra, cada um inventa o que quiser. Não há nada que proíba dificultar a vida do investidor nessa hora, mas certamente não é uma boa prática, disse o advogado.

Não há prazos mínimos, não há um rito a ser seguido. Daí vêm os abusos.

Foi outro leitor, o Leandro, que me mandou a lista de exigências de uma dessas corretoras – depois de preencher um formulário detalhado e assiná-lo é preciso reconhecer firma da assinatura em cartório. Na hora de abrir conta e investir no tal do fundo, vale assinatura eletrônica, vale até um “ok” por telefone… Mas se é para sair, então preciso enfrentar uma fila no cartório e provar que eu sou eu?

Já ouvi relatos de corretora que entrou em contato com a concorrente para levar o cliente e teve o telefone desligado na cara, e até de corretora joão sem braço: “Portabilidade de fundo? Não existe isso não. Só na previdência”.

E assim a portabilidade de fundos chega a demorar meses. Está certo que a previdência não é nenhum modelo de qualidade de produto, mas está na hora de o restante da indústria aprender com ela os bons modos na hora da despedida.

Faz tempo que escuto que a portabilidade de fundo ganhou um grupo de trabalho na Anbima, associação que representa o mercado. Trabalharam, trabalharam e seguem trabalhando. Nada mudou no código de boas práticas.

O que eu defendo aqui é a liberdade de escolha: se você não conseguiu segurar o cliente pela qualidade, não o faça pela força.

Meus informantes dão conta de que as corretoras que têm sido mais legais na portabilidade de fundos são a Genial e a Órama. Pontos positivos para as duas.

 

 

 

Nosso destaque negativo de hoje vai, obviamente, para as corretoras que escancaram as portas para o cliente na entrada e trancam na saída. Serei elegante aqui e não vou revelar nomes, por enquanto. Vou dar um tempinho para vocês refletirem sobre seus atos. Aproveitem.

 

“Você vai comprar mais essa briga, Luciana?” – me perguntou um amigo do mercado.

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