Alavancando a ganância

Como funciona o limite de alavancagem oferecido pelas corretoras e quais os cuidados a serem tomados

Alavancando a ganância

“Medo e ganância são duas doenças contagiosas que sempre atacam o mundo dos investimentos. O calendário dessas epidemias é imprevisível…”

“O que nós aprendemos da história é que as pessoas não aprendem com a história.”

Essas duas sábias frases são constantemente citadas pelo maior investidor da atualidade, o americano Warren Buffett.

A mensagem por trás dessas palavras está em grande parte relacionada a um produto oferecido pelas corretoras de valores e muito utilizado pelos investidores de curtíssimo prazo no mercado de capitais: o limite de alavancagem.

O produto é um limite operacional sem custo que fica disponível ao investidor em seu home broker e nas plataformas de corretoras, por meio dos quais é possível comprar e vender ativos na bolsa de valores utilizando um recurso que não faz parte do seu patrimônio.

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Como o próprio nome diz, o limite “alavanca” o sentimento de ganância e medo, levando o investidor a um estado de irracionalidade em situações extremas. Não à toa, a alavancagem é voltada principalmente para investidores com perfil de risco mais agressivo.

Afinal, por mais prejuízo que o investidor já tenha sofrido, há sempre a sensação de que na próxima vez a operação dará certo, ou que ele recuperará as perdas dobrando a aposta.

Haja coração, esse ciclo vicioso vira um jogo perigoso.

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Alavancagem ou cheque especial?

Podemos comparar a disponibilidade da alavancagem com o limite do cheque especial liberado pelos bancos nas contas-correntes de seus clientes. Você pode gastar um valor além da sua renda e, em algum momento, terá de pagar (caro) por esse empréstimo.

A diferença em relação ao limite de alavancagem oferecido pelas corretoras está no prazo. No segundo caso, a oferta é destinada para investimentos em operações de curtíssimo prazo, o famoso day trade, no qual a compra e a venda de determinada ação ocorrem no mesmo dia, portanto não há cobranças de encargos (juros e multa), caso a operação seja finalizada.

Entenda melhor, no exemplo a seguir:

Saldo em conta na corretora: 5 mil reais.

Aplicações em Tesouro Direto: 5 mil reais.

Patrimônio total: 10 mil reais.

Limite de alavancagem oferecido pela corretora (5 vezes):

5 x 10.000 reais = 50 mil reais

Perceba que, apesar de ter efetivamente apenas 10 mil reais, o investidor tem a possibilidade de investir um valor cinco vezes maior, equivalente a 50 mil reais.

Com esse montante, o cliente poderá comprar e vender ações dentro de apenas um dia, com a obrigação de zerar a posição aberta, isto é, liquidar o investimento antes do fechamento do pregão. Caso isso não aconteça, a maioria das corretoras tem autonomia para zerar automaticamente as posições.

A zeragem automática de posições alavancadas evita que o cliente passe posicionado de um dia para o outro, obrigando o investidor a pagar os 50 mil reais dados no exemplo.

O cálculo do patrimônio que vai gerar o limite de alavancagem pode variar de uma instituição para outra. As corretoras normalmente aceitam dinheiro disponível em conta, títulos públicos, ações, CDB e investimentos em fundos, dentre outros. Há preferência por ativos com liquidez imediata ou de resgate no curto prazo. A área de risco de cada corretora define seus parâmetros e suas exigências.

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O risco da alavancagem

Como pagar 50 mil utilizados pela alavancagem se o patrimônio total do cliente na corretora é de 10 mil reais?

Esse é o risco, pois, até a corretora regularizar a situação (zerando a posição assumida no day trade), a conta ficará negativa alguns dias, podendo haver cobranças de juros — em torno de 0,2 por cento a 0,3 por cento ao dia sobre o saldo devedor — e multa pro rata, que deverão ser pagos pelo investidor.

Mas o objetivo da corretora não é gerar esse descasamento, mas, sim, dar margem para estimular o cliente a fazer cada vez mais operações e extrair receita com corretagem das mesmas.

Você acha que uma alavancagem de cinco vezes o patrimônio é muito alta? E o que dizer de uma alavancagem de 25 vezes o patrimônio?

As corretoras oferecem esse limite para o investidor operar algumas ações de maior liquidez e menor volatilidade, que normalmente fazem parte do Ibovespa ou do IBX, como VALE5, PETR4, ITUB4, ABEV3, BBDC4 e CIEL3.

Então, com apenas 10 mil reais, é possível operar 250 mil reais (10.000 x 25) em ações da Petrobras, com a obrigação de encerrar a posição até o fim do pregão.

Com esse limite de alavancagem, eu posso escolher a direção, ou seja, se quero operar comprado ou vendido. Se eu estiver comprado, isto é, apostando na alta de PETR4, e a ação cair 4 por cento, eu vou perder 10 mil reais (4 por cento de 250 mil reais), logo, todo o meu patrimônio.

No cenário contrário, se o papel subir os mesmos 4 por cento, meu ganho será de 10 mil reais, o dobro do patrimônio.

Nas operações de mercado futuro, em que os ativos já são naturalmente alavancados, os limites são mais agressivos.

Para o minicontrato do dólar com vencimento em outubro, WDOV16, por exemplo, a BM&FBovespa exige margem de garantia em torno de 4,7 mil reais por contrato. As corretoras, no entanto, dispõem margem para o day trade por apenas 150 reais.

Para o minicontrato do Ibovespa, a BM&FBovespa exige margem de garantia em torno de 2,4 mil reais por contrato e as corretoras por 90 reais, também no day trade.

As corretoras são imprudentes?

Sejamos realistas. Tenho uma longa experiência em mesa de operações de corretoras de valores, desde a época em que o limite de alavancagem de ações era de apenas duas vezes o saldo disponível em conta. Vi por diversas vezes clientes mudarem de corretora, pois outras casas ofereciam um limite maior.

Por “coincidência”, normalmente, esses clientes eram os mais gananciosos, sem estratégias definidas, que não seguiam e não aceitavam orientações básicas de controle de risco, e que perdiam caminhões de dinheiro, deixando muita corretagem para as corretoras.

A corretora tem o direito de oferecer um produto mais acessível para o cliente que é trader e opera com foco no curto prazo, sem exigir tantas garantias. Mas a corretora sabe que esse cliente tem vida útil menor. Lembro que a maioria desses investidores deteriorava boa parte do seu patrimônio em menos de seis meses para, então, encerrar suas contas.

Não quero que você seja essa máquina de perder dinheiro, aquele tipo de cliente que deixa muita receita para as corretoras, mas sai no prejuízo. Por isso, tenha bastante cuidado ao se aventurar por caminhos que ainda não conhece, e não arrisque parte relevante do seu patrimônio com esse tipo de operação. Se for começar por mercado futuro, comece com apenas um minicontrato de índice ou dólar, entenda o funcionamento desse mercado, amadureça suas estratégias. No mercado de ações sugiro que não arrisque mais de 10 por cento do seu patrimônio, e se este fizer falta a você, diminua.

O risco vem de não saber o que você está fazendo.” (Warren Buffett)

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