De quanto dinheiro preciso para começar a investir?

Descubra quais valores são necessários para aplicar nos principais produtos do mercado financeiro

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De quanto dinheiro preciso para começar a investir?

Uma das dúvidas mais frequentes de quem nunca investiu ou está começando é descobrir quanto dinheiro é necessário para começar a investir.

Muitos acreditam que investimento é “coisa de gente rica”, portanto, só vale a pena para quem tem um alto capital para aplicar. Aplicar na Bolsa, então, seria algo só para profissionais.

No entanto, engana-se quem pensa assim. É possível investir bem com pouco dinheiro!

Basta ter disciplina com suas finanças e saber onde encontrar os melhores investimentos.

Se você está lendo esse texto, já está em vantagem, pois na Empiricus trabalhamos para te ajudar a fazer as melhores escolhas para o seu dinheiro. E, além das nossas assinaturas pagas, contamos com o um amplo acervo de conteúdo gratuito para você ir se familiarizando com este universo. Na área logada, temos um acesso especial sem custo para que você conheça um pouco daquilo que cada assinante recebe ao contratar uma das nossas publicações. Veja a explicação da Luciana Seabra no vídeo abaixo.

Vou mostrar logo abaixo como é possível ter retornos investindo a partir de R$ 30.

Mas, antes de seguir, preciso dizer que mais importante do que pensar no valor que você tem para investir é saber quais produtos são os adequados ao seu perfil.

Muitas das dúvidas que chegam à Empiricus diariamente, referem-se à quantia a ser investida. Uma pergunta muito como é “onde posso aplicar R$ 1 mil ou R$ 5 mil?”.

Mas a resposta para esta pergunta vai depender não somente do valor, mas principalmente da situação e do perfil de cada um. Só porque você tem disponível o valor que permite comprar ações, não quer dizer que necessariamente teria de comprá-las. A decisão depende de outros aspectos.

O primeiro passo para investir

Antes de investir, busque responder a estas três questões:

– Vou precisar desse dinheiro no curto prazo?
– Qual o objetivo desta aplicação?
– Quanto risco estou disposto/a a correr para ter um retorno maior?
– Já possuo uma reserva de emergência que me permite correr esse risco?

É muito importante saber que para não basta você ter disposição para correr risco, é preciso ter capacidade para corrê-los. Em poucas palavras, isso quer dizer que se você perder o dinheiro, ele não vai te fazer falta.

A partir daí, você já terá alguma diretriz e poderá escolher o produto que esteja mais próximo dos seus objetivos.

Por isso, além de dizer os valores necessários para investimento, optei em dividir os tópicos abaixo por produtos.

Vamos começar com os títulos do Tesouro Direto, que costumam ser a porta de entrada para os novos investidores.

#1 Tesouro Direto – título Pós-fixado Tesouro Selic

Tesouro Selic é um título público pós-fixado, emitido pelo Tesouro Nacional, cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic, a taxa de juros básica da economia (hoje em 6,50% ao ano).

Esse título possui rentabilidade diária e seu valor de mercado, por acompanhar a taxa Selic, apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda antecipada.

Ou seja, o investidor não corre o risco de perder dinheiro se precisar vender o título antes da data de vencimento. Em comparação a rentabilidade da poupança ocorre apenas nos “aniversários” – de mês em mês – após a data de aplicação, o que gera perda de rendimentos para quem resgatar antes dessa data.

Nos títulos do Tesouro Direto há incidência de Imposto de Renda (retido na fonte), o que não ocorre na poupança – que é isenta de IR, mas mesmo assim sua rentabilidade continua bem mais atrativa do que na caderneta. A alíquota de IR é regressiva, ou seja, diminui com o tempo, conforme a tabela abaixo:

Tempo de AplicaçãoAlíquota do IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20,0%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%

 

Com Selic a 6,50%, a poupança está rendendo 4,55% ao ano mais a TR, que tem sido zero em 2018. O que significa que a poupança tem rendido apenas os 70% da Selic. Ou seja, é como se a poupança te pagasse a Selic, mas te cobrasse um imposto de 30%

Quanto custa investir no Tesouro Direto? 

No Tesouro Direto há a cobrança da taxa de custódia pela Bolsa no percentual de 0,3% ao ano sobre o valor investido.

É importante alertar que algumas corretoras cobram uma taxa extra, cujo valor varia de instituição para instituição. No entanto, há casas independentes que têm taxa ZERO para você investir no Tesouro Direto. Dê preferência a elas.

No site do Tesouro Direto, você pode verificar as taxas aplicadas por todas as instituições no Ranking dos Agentes de Custódia.

Tesouro Direto ou fundos DI?

Um fundo DI simples basicamente compra títulos do Tesouro Direto. Uma das vantagens de investir diretamente pelo Tesouro Direto frente aos fundos DI é a ausência de cobrança de Imposto de Renda via come-cotas, que é recolhido semestralmente nos fundos. No caso do Tesouro, a cobrança do IR só acontece no resgate. Assim, esse valor continua a render juros, favorecendo seu retorno final.

Por isso, para compensar a desvantagem tributária, só vale a pena trocar a poupança por um fundo DI se a taxa de administração cobrada for muito baixa, no máximo de 0,2% ao ano. Neste caso, fuja dos grandes bancos, pois seus produtos costumam cobrar taxas de administração bem mais elevadas. Podemos citar como exemplo um fundo do Bradesco chamado HiperFundo, que cobra taxa de administração de 3,9% ao ano, o que faz com que essa opção seja ainda pior que a poupança.

Para evitar cair em armadilhas, assista ao vídeo da Luciana Seabra e descubra quais são os piores fundos de renda fixa do mercado.

#2 Tesouro Prefixado – LTN

Esse é outro tipo de título do Tesouro Direto, porém, neste caso, você sabe exatamente a rentabilidade que irá receber se mantiver o título até a data de vencimento.

Veja abaixo tabela do site do Tesouro Direto com as taxas e preços dos títulos públicos:

Título
Vencimento
Taxa de Rendimento (% a.a.)
Valor Mínimo
Preço Unitário
Indexados ao IPCA
Tesouro IPCA+ 202415/08/20244,51R$46,47R$2.323,80
Tesouro IPCA+ 203515/05/20355,24R$38,61R$1.287,06
Tesouro IPCA+ 204515/05/20455,24R$30,93R$773,40
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 202615/08/20264,58R$33,94R$3.394,26
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 203515/05/20355,05R$34,75R$3.475,98
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 205015/08/20505,14R$35,14R$3.514,51
Prefixados
Tesouro Prefixado 202101/01/20217,84R$32,63R$815,97
Tesouro Prefixado 202501/01/20259,49R$32,73R$545,60
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 202901/01/20299,70R$31,51R$1.050,36
Indexados à Taxa Selic
Tesouro Selic 202301/03/20230,01R$94,61R$9.461,61
Última atualização em: 19/04/2018 às 10:00. Fonte: Tesouro Direto

A quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 título, ou seja, 1% do valor de um título, desde que respeitado o valor mínimo de R$ 31,51. O investidor pode comprar 0,01 título; 0,02 título; 0,03 título e assim por diante.

Você ainda pode optar por títulos com pagamento de juros semestrais ou com resgate apenas no vencimento.

O ideal é escolher o prazo que mais se adeque ao seu plano de investimento e antes de comprar pense em manter o título até o vencimento, pois apesar de possuir liquidez diária, o preço é marcado a mercado – o que significa que pode flutuar para cima ou para baixo, o que pode acabar penalizando resgates antecipados se eles forem feitos em momento de baixa.

#3 Tesouro IPCA+

Este tipo de título do Tesouro Direto proporciona rentabilidade real, ou seja, aumento do poder de compra do seu dinheiro, pois seu rendimento é composto por duas variáveis: uma taxa de juros prefixada mais a variação da inflação (IPCA) do período.

Desse modo, independentemente da variação da inflação, a rentabilidade total do título sempre será superior a ela, se levado até o vencimento. O juro real, nesse caso, é dado pela taxa de juros prefixada, contratada no momento da compra do título.

Assim como nos títulos prefixados, você pode optar por títulos com pagamento de juros semestrais ou apenas no vencimento. .

Escolha o prazo que mais se adequa ao seu plano de investimento e mantenha os títulos até o vencimento; como no caso do prefixado, apesar de possuir liquidez diária, o preço do título é marcado a mercado e você pode ser penalizado em resgates antecipados.

#4 Renda fixa privada

Aqui, estamos considerando renda fixa privada os títulos de renda fixa em que emprestamos dinheiro para bancos e/ou instituições financeiras, tais como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), LC (Letra de Câmbio), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letra de Crédito Imobiliário).

Por oferecerem isenção de IR para pessoas físicas, na maioria das vezes as LCAs e LCIs oferecem rentabilidades melhores que os CDBs e as LCs, em que há incidência do imposto, conforme a tabela regressiva de renda fixa.

No entanto, para escolher entre esses papéis, a tributação é apenas um fator da equação.

Para descobrir qual seria o equivalente em uma LCI/LCA para uma taxa de CDB, por exemplo, é necessário descontar o IR adequadamente.

A fórmula fica assim:

Taxa de juros da LCI/LCA = Taxa de juros do CDB x (1 – Imposto de Renda)

Lembrando que, na fórmula acima, a taxa do CDB é o percentual do CDI que o título oferece, e o imposto é regressivo, variando conforme o prazo da aplicação.

De um modo geral, boas LCAs e LCIs pagam acima de 93% do CDI. Já os CDBs e as LCs devem ter taxa de retorno maior que 100% do CDI.

Esses investimentos geralmente possuem vencimentos fixos, portanto não permitem resgates antes do vencimento. Por isso, escolha o prazo que melhor atende aos seus objetivos.

Os valores mínimos para aplicação dependem do banco emissor e podem variar. Mas, de modo geral, a aplicação mínima é de R$ 1 mil, apesar de ser possível encontrar opções com ticket de entrada menor.

Esses títulos ainda contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que assegura até R$ 250 mil em investimentos por CPF e por instituição financeira, para o caso de quebra do banco.

Apesar da proteção do FGC, na hora de fazer o investimento, fique atento ao emissor.  Prefira instituições com boa saúde financeira, que tenham pouca alavancagem, sejam rentáveis e tenham geração de caixa para pagar suas dívidas.

#5 Investir em renda variável

Daqui para a frente falarei sobre renda variável: ações, fundos imobiliários e dólar. Além dos planos de previdência privada.

Ao optar por esses ativos, é importante avaliar o quanto de risco você está disposto e tem capacidade de correr. Em outras palavras: quanto de dinheiro topa perder?

Com a queda da taxa Selic e a perda dos retornos gordinhos da renda fixa, muitos investidores estão se arriscando mais em ativos de renda variável para conseguir retornos maiores. No entanto, é preciso estar ciente dos riscos.

Lembre-se: maior retorno é igual a maior risco. Por isso, jamais invista todo o seu patrimônio nesses tipos de ativo.

Ações: a partir de R$ 1 mil

Por mais iniciante que seja, qualquer pessoa consegue investir em ações por conta própria. Só é preciso ficar atento para não cair em armadilhas.

Não existe valor mínimo para investir em ações. O montante varia conforme o preço do papel. No entanto, isso não significa que deve se investir valores muito baixos – inferiores a R$ 1 mil. Até porque é preciso levar em consideração as taxas cobradas pelas corretoras e pela Bolsa.

Basicamente existem duas taxas cobradas pelas corretoras sobre a compra e venda de ações: a de custódia, que costuma ser mensal, e a de corretagem, que é cobrada por cada ordem de compra ou venda do ativo.

A taxa de corretagem pode variar entre R$ 0,80 e R$ 20. Já a taxa de custódia, em algumas instituições bancárias, por exemplo, pode chegar a R$ 30 mensais, o que contrasta com o custo zero encontrado em algumas corretoras independentes.

Antes de investir em ações, outro ponto a ser considerado pelo pequeno investidor remete-se ao lote padrão de negociação, composto por 100 ações.

O lote padrão possui muito mais liquidez que o mercado fracionário (quantidades menores do que 100 ações), pois há uma quantidade maior de compradores e vendedores. Por conta dos custos de transação, e também da liquidez no mercado, convém comprar ações em lotes múltiplos de 100.

Para o pequeno investidor de ações, que não conseguir diversificar sua carteira com pelo menos quatro papéis de empresas diferentes por lote padrão, uma solução pode ser o investimento em BOVA11(Fundo do índice Ibovespa).

Por ser um ETF (Exchange Traded Funds), que são fundos de índices negociados na Bolsa, o lote padrão do BOVA11 é de apenas dez cotas. Como o fundo tem em sua carteira as empresas de maior representatividade da Bolsa (mais de 60) seu risco é menor do que o de comprar papéis de apenas uma empresa, conferindo os chamados “ganhos de diversificação”.

Fundos imobiliários: a partir de R$ 1 mil

Os fundos de investimento imobiliário (ou FIIs) captam recursos no mercado para investir em empreendimentos imobiliários com o objetivo de gerar retorno com a locação, arrendamento e/ou venda de imóveis.

Comprar uma cota significa que o investidor se torna dono de uma fração dos empreendimentos imobiliários que compõem o fundo, isto é, não é preciso ser dono do imóvel para entrar e não há valor mínimo para investir.

Mas, assim como nas ações, nos fundos imobiliários também incidem as taxas de corretagem e custódia. Por isso, o mais aconselhável é que a aplicação mínima seja a partir de R$ 1 mil.

Apesar de o preço da cota ser geralmente maior que o preço das ações, o lote padrão de negociação dos FIIs é de apenas uma cota. Assim, não há necessidade de compra em múltiplos de 100. Você pode comprar por exemplo 25 cotas de um fundo imobiliário cuja cota vale R$ 100.

Dólar: a partir de R$ 1 mil

A forma mais simples, fácil e segura para investir em dólar é via fundos cambiais. Esses fundos investem pelo menos 80% de suas carteiras em moedas estrangeiras.

Mas, antes de entrar em um fundo de câmbio, é preciso pesquisar sobre a liquidez, as taxas de administração (de até 1%) e o valor da aplicação inicial de cada fundo, pois o ticket de entrada pode variar de R$ 1 mil a R$ 5 mil, por exemplo.

Nesse tipo de investimento existe a cobrança de Imposto de Renda, com alíquotas regressivas de 22,5% a 15%. Também é preciso ficar atento às operações com menos de 30 dias, pois nesses casos será cobrado IOF. Ou seja, não é um investimento para o curtíssimo prazo.

Você pode também comprar papel-moeda, mas se atente ao valor cobrado pela corretora de câmbio e pesquise em mais de uma casa, para evitar pagar um spread (diferença de valor) muito alto para o dólar comercial do dia.

A compra de dólares funciona como instrumento de diversificação e proteção da carteira contra momentos de crise e incertezas, como problemas na economia brasileira ou o aumento dos juros nos Estados Unidos. A posição em moeda norte-americana pode ser de ao menos 5% do portfólio de investimentos.

Previdência Privada

Os planos de previdência geralmente possuem custos maiores que os outros tipos de aplicações, pois além da remuneração da administradora do fundo há a remuneração da seguradora, o que acaba afetando o retorno do investimento.

Os planos de previdência investem através de fundos de investimento, que podem ser de renda fixa, multimercados ou ações.

cobrança da taxa de administração do fundo e também podem ser cobradas as famosas (e detestáveis) taxas de carregamento, que incidem sobre as contribuições na entrada, na saída ou portabilidade. Prefira os planos que não cobrem taxa de carregamento na entrada.

Veja abaixo três fundos de previdência que você deve evitar a todo custo.

Caso a empresa onde você trabalha ofereça a opção de um plano de previdência corporativo, pode ser um ótimo investimento, pois neste caso ela pode contribuir junto com você e em planos coletivos a empresa consegue negociar taxas bem melhores ao seu grupo de funcionários.

E caso não tenha acesso a um plano de previdência corporativo e mesmo assim opte pela previdência, invista via uma seguradora independente. Pois elas oferecem taxas bem menores que as corretoras dos grandes bancos.