De quanto dinheiro preciso para começar a investir? – Parte II

Descubra quais valores são necessários para aplicar nos principais produtos do mercado financeiro

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De quanto dinheiro preciso para começar a investir? – Parte II

Caro leitor,

Nesta newsletter, darei continuidade ao tema abordado na semana passada. Estávamos falando de uma questão importante para qualquer pessoa que queira construir um patrimônio, que é dúvida de diversos de nossos leitores.

Você sabe de quanto dinheiro você precisa para investir?

Na última quarta-feira, mostrei como é possível investir bem com pouco dinheiro – e construir uma base sólida para sua carteira de investimentos – com aplicações em ativos de renda fixa.

Escrevi sobre como comprar os títulos do Tesouro Direto (Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado) e títulos privados (CDB, LC, LCA e LCI) sem precisar de um grande montante inicial.

Vale lembrar também da minha recomendação de juntar, primeiramente, no mínimo 6 meses do valor referente aos seus seus gastos mensais em aplicações conservadoras, pós-fixadas atreladas ao juros (CDI) e que possuam liquidez (ex: Tesouro Selic, CDBs, Fundos DI). Isso deve ser feito antes de diversificar sua carteira com outros tipos de investimentos.

Agora vou falar sobre os valores necessários para investir em alguns ativos de renda variável, como ações, fundos imobiliários e dólar. E também em planos de previdência.

Mas antes de prosseguir com a leitura, faço uma sugestão: caso opte por investimentos em renda variável (se essa opção for adequada ao seu perfil), utilize uma pequena parcela de seu patrimônio para esta finalidade. Digo isso porque com a alta taxa de juros que temos no Brasil hoje (Selic a 14,25% ao ano), é possível obter ótimos retornos sem correr tantos riscos. Portanto tenha maior exposição à renda fixa (no mínimo 80% da carteira) e aproveite!

5) Ações: Investimento recomendado acima de R$ 2.500,00

Não existe valor mínimo para investir em ações, pois é possível comprar ações com valores bem baixos no mercado fracionário (com menos de R$ 30). Mas alguns aspectos atrapalham os pequenos investidores, como vou detalhar melhor nos comentários abaixo.

Dois critérios objetivos permitem que o investidor — por mais iniciante que seja — faça contas de próprio punho.

O primeiro critério diz respeito aos custos de transação e custódia, que variam de corretora por corretora e  podem comprometer substancialmente os retornos.

 

Taxas: de corretagem e de custódia: A taxa de corretagem é cobrada pela corretora nas ordens de compra e venda das ações e geralmente são fixas em operações executadas pelo home broker (plataforma online da corretora), ou seja, independem do valor. Corretoras baratas cobram em torno de R$ 10 por ordem. Já a taxa de custódia é cobrada mensalmente do investidor que possui ações, opções, fundos imobiliários ou ETFs em custódia. Corretoras baratas costumam cobrar em torno de R$ 10/mês e algumas isentam a taxa dependendo da quantidade de operações no mês

 

Por isso, recomendamos aos nossos leitores procurarem por corretoras independentes boas e baratas, tentar evitar as ligadas aos grandes bancos.

Indicamos algumas corretoras independentes nesta newsletter, em que também falamos sobre investimentos em ações.

Supondo que sua corretora cobre R$ 10 por ordem de compra e outros R$ 10 por ordem de venda, já são R$ 20 de custos para entrar e sair de uma ação.

Nesse contexto, eu não aplicaria algo como R$ 2 mil para deixar, de bandeja, 1% na mão da corretora.

Veja que esse 1% não invalida um investimento que pode vir a render 10% ou até 100% a longo prazo; mas é uma questão de razoabilidade quanto aos custos.

Se você pode aproveitar ganhos de escala, aproveite. Assim, caso comece com R$ 2.500,00, quando conseguir investir mais em ações terá o efeito da taxa de custódia diluído por um montante maior aplicado (ex: R$ 10 de taxa de custódia para um valor investido em ações de R$ 2.500,00 representa 0,4% ao mês, já para R$ 10 mil representa apenas 0,1%).

O segundo critério remete ao lote padrão de negociação, composto por 100 ações. O lote padrão possui muito mais liquidez que o mercado fracionário (quantidades menores do que 100 ações), existe uma quantidade maior de compradores e vendedores, assim há maior probabilidade de conseguir preços melhores negociando o lote padrão. Graças aos custos de transação, e também à liquidez do mercado, convém comprar ações em lotes múltiplos de 100.

Para o pequeno investidor de ações, que não conseguir diversificar sua carteira com pelo menos 4 ações de empresas diferentes no lote padrão, uma solução pode ser o investimento em BOVA11.

Por ser um ETF (Exchange Traded Funds), que são fundos de índices negociados na bolsa, o seu lote padrão é de apenas 10 cotas e o preço de BOVA11 (Fundo do índice Ibovespa) hoje está em torno de R$ 46, assim é possível negociar múltiplos de apenas R$ 460 no lote padrão. Como o fundo tem em sua carteira as empresas de maior representatividade da Bolsa (mais de 60) seu risco é menor do que o de  comprar papéis de apenas uma empresa, conferindo os chamados “ganhos de diversificação”.

 

ETF: Esta é a sigla de “Exchange Traded Funds”, que são fundos de índices negociados na bolsa. Ou seja, um fundo de investimento que investe em um índice de ações. Por exemplo, ao investir no BOVA11, você está investindo em um ETF que investe nas ações que compõem o índice Ibovespa. Dessa forma, terá investido em várias ações sem precisar comprar lotes de cada uma delas.

 

6) Fundos Imobiliários: Investimento recomendado acima de R$ 2.500,00.

Nos Fundos Imobiliários também incidem as taxas de corretagem e custódia que se aplicam as ações. Por isso, não recomendamos investimentos abaixo de R$ 2,5 mil.

Nos chamados FIIs, apesar de o preço da cota ser geralmente maior que o preço das ações, o lote padrão de negociação é de apenas uma cota. Assim, não há necessidade de compra em múltiplos de 100. Você pode comprar por exemplo 25 cotas de um fundo imobiliário cuja cota vale R$ 100.  No curso Investimentos para Leigos 1 temos uma aula inteira sobre FIIs.

7) Dólar: Investimento recomendado acima de R$ 1 mil.

 

 

Para o investimento em dólar, recomendamos aplicações via fundos cambiais. Entendemos que este é o caminho mais fácil, mais prático e mais seguro do que a compra do dinheiro em espécie, via corretoras de câmbio, ou compra de contratos futuros na BM&F.

Por meio de corretoras de valores independentes você poderá ter acesso à fundos cambias que exigem apenas R$ 1 mil de investimento inicial e que cobram taxas de administração menores que os fundos cambiais dos grandes bancos. Consideramos 1% ao ano (ou menos) uma taxa adequada para o fundo cambial.

Você pode também comprar papel moeda, mas se atente ao valor cobrado pela corretora de câmbio e pesquise em mais de uma casa, para evitar pagar um spread (diferença de valor) muito alto para o dólar comercial do dia.

A compra de dólares funciona como instrumento de diversificação e proteção da carteira contra uma eventual – e possível – deterioração adicional da economia brasileira, além de provável aumento dos juros nos Estados Unidos. A posição em moeda norte-americana pode ser de até 10% do portfólio, de investimentos.

8) Previdência:

Investimento por conta própria -> recomendado acima de R$ 30 mil iniciais ou R$ 1 mil/mês em seguradoras independentes.

Investimento via plano corporativo -> recomendado acima de R$ 1,00.

Os planos de previdência geralmente possuem custos maiores que os outros tipos de aplicações, pois além da remuneração da administradora do fundo há a remuneração da seguradora, o que acaba afetando o retorno do investimento.

Os planos de previdência investem através de fundos de investimento, que podem ser de renda fixa ou multimercado (com no máximo 49% do patrimônio em renda variável).

Por isso, há cobrança da taxa de administração do fundo e também podem ser cobradas as famosas (e detestáveis) taxas de carregamento, que incidem sobre as contribuições na entrada, na saída ou portabilidade.

Por que recomendo investimento inicial acima de R$ 30 mil ou R$ 1/mês em seguradoras independentes?

Pois com valores baixos nos grandes bancos (BB, Caixa, Bradesco e Itaú) você pagará taxas MUITO ALTAS que afetarão diretamente os resultados de seu investimento.

Por exemplo, analisando o site do Itaú, se você optar pelo “Itaú VGBL Proteção Familiar”, de aplicação inicial mínima de R$ 70 e que investe em um fundo de renda fixa, a taxa de administração cobrada será de 3% ao ano (muiiito maior que a taxa de 0,3% do Tesouro Direto como vimos acima).

A taxa de administração alta afeta bastante a rentabilidade, esse fundo gerou retorno de apenas 72% do CDI nos últimos 12 meses, bem abaixo dos 97,9% do CDI que conseguiria aproximadamente no Tesouro Selic.

Isso sem contar a taxa de carregamento do VGBL cobrada na entrada, que para valores abaixo de R$ 9.999,99 é de 3,5%. Ou seja, se você aplicou R$ 100, na verdade apenas R$ 96,50 vão ser investidos no fundo.

Por isso, recomendo o seguinte: se optar por um plano de previdência, faça o investimento em um planos corporativo (caso a empresa onde você trabalha ofereça essa opção). Será melhor ainda se a empresa também contribuir com uma parte, pois em planos coletivos a empresa consegue negociar taxas bem melhores ao seu grupo de funcionários.

E caso não tenha acesso à um plano de previdência corporativo e mesmo assim opte pela previdência, sugerimos investir via uma seguradora independente.  Por que? Por exemplo, na Icatu Seguros (maior seguradora independente do país), com R$ 30 mil de aplicação inicial ou em um plano de aplicação de R$ 1 mil/mês, você consegue acesso a um fundo de renda fixa que cobra taxa de administração de 1% a.a.  Além disso, tem acesso a fundos de diversas gestoras.

Para comparar, pesquisamos no site do Itaú e para ter acesso à um fundo de renda fixa com taxa de administração de 1% ao ano, o “Itaú Uniclass VGBL Premium RF”, é necessário aplicação inicial de R$ 750 mil (sim, você leu certo: setecentos e cinquenta mil reais) e tem oferecido retorno próximo de 91% do CDI nós últimos anos.

Voltando a comparar com o Tesouro Selic, que você compra com menos de R$ 100, a diferença na rentabilidade ainda é muito favorável ao Tesouro Selic, que você pode adquirir pagando taxa de somente 0,3% ao ano.

Como é possível realizar a portabilidade entre fundos de previdência entre mesma ou diferente instituição, sem perder o prazo relativo ao imposto de renda, sugerimos analisar seu plano atual (caso já possua) e verificar se vale a pena uma troca.

Para o longo prazo, a previdência possui alguns benefícios, como:

  • Imposto de renda de apenas 10%, para aplicações de mais de 10 anos, no regime tributário regressivo
  • Possibilidade de dedução de IR (até 12% da renda bruta anual) com PGBL na declaração completa do imposto de renda
  • Isenção de come-cotas
  • Na sucessão: facilidade de transmissão aos beneficiários, pois a aplicação não entra em inventário e pode em alguns casos evitar o pagamento de ITCMD (imposto sobre herança)
  • Proteção patrimonial: o cotista do fundo não é o cliente final

Espero, com essas duas newsletters iniciais, ter agregado novos conhecimentos à você leitor que ajudem-no a investir melhor daqui para frente.

Voltarei as próximas quarta-feiras buscando trazer novos assuntos relevantes e que com certeza ajudarão na sua construção de riqueza.  Caso tenha sugestões de novos temas para o CR Private, me envie um e-mail: walter.poladian@criandoriqueza.com.br. E acompanhe as newsletters!

Um abraço e bons investimentos,

Walter

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