O banco não vai dizer isso a você

Em nossa nova série, vamos ajudá-lo a usar o banco a seu favor

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O banco não vai dizer isso a você

Caro leitor,

Todos nós (a equipe do Criando Riqueza, inclusive) estamos cansados de nos sentir vulneráveis às estratégias de venda dos bancos.

O gerente pede uma ajuda para bater a meta, promete reduzir a taxa do seu crédito pessoal, oferece um cartão adicional para sua esposa e outro para o seu filho, sem custos, e, sem nem pensar, você topa comprar um título de capitalização, contratar outro seguro de vida ou investir num fundo que não tem a menor ideia do que seja.

É claro que ter conhecimento sobre o mercado financeiro ajuda, mas é fato que todos nós, em algum momento da vida, lamentamos por pagar taxas desnecessárias, contratar serviços e investir em produtos que não fizeram o menor sentido. E isso teve um preço!

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Por isso, a partir de hoje, queremos ajudar você a se tornar mais vigilante com os bancos. Não é porque dependemos deles que precisamos ceder a todas as sugestões dos gerentes.

Daremos início a uma série de newsletters, chamada  de Série Bancos, para deixar você confortável em qualquer banco. Chega de pegadinhas! Chegou a hora de usar o banco a seu favor.

Alguns dos temas que escolhemos são:

  • Por que deixar o dinheiro parado na poupança não vale a pena?
  • O que é feito com os recursos que estão em modo de aplicação automática?
  • Quando devemos pagar seguros de cartões de crédito?
  • Quais são as taxas de empréstimo mais caras e as mais baratas do mercado?
  • Quais são as diferenças entre os segmentos de cada banco?
  • O que levar em conta ao selecionar um investimento?
  • Como conversar de igual para igual com seu gerente?
  • Por que o banco esconde o Tesouro Direto?

A ideia é que a Série Bancos facilite sua vida, para que seu dinheiro trabalhe por você. Ou seja, nesta nova série vamos aprender como utilizar o banco a nosso favor e não ao interesse do banqueiro.

Se você tiver mais sugestões de temas, fique à vontade para enviá-las pelo e-mail criando.riqueza@criandoriqueza.com.br. Aproveite!

Hoje, o José vai falar sobre o dia a dia nas agências bancárias, metas dos gerentes e os principais produtos oferecidos pelos bancos.

 

 

 

 

Do outro lado do balcão

Dez anos atrás, tive a oportunidade de trabalhar numa agência bancária de um dos maiores bancos comerciais do País. Lá, iniciei meu contato com o mercado financeiro e com os diversos produtos bancários.

Foi uma experiência muito interessante, pois me ajudou a enxergar o mercado pelos dois lados, dos bancos e dos clientes.

Durante essa passagem, desenvolvi muito o meu senso crítico em relação à forma de atuação dos bancos sobre os clientes, o que hoje me dá embasamento para escrever a você.

 

Bom para quem?

Constantemente, oriento e alerto a respeito de produtos financeiros oferecidos pelos bancos, na maioria das vezes, de interesse das próprias instituições, como:

  • Títulos de capitalização: que são vendidos como investimentos;
  • Seguros: que estão fora do perfil do cliente;
  • Fundos de previdência: que oferecem rendimentos baixos e custos elevados.

O maior prejudicado sempre é o cliente de menor renda ou com pouco conhecimento sobre produtos de investimentos.

São tantos produtos, muitos detalhes, taxas e, reconheço, realmente é muito difícil lidar com isso inicialmente.

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Com ele, não haverá mais problema quando o assunto for a proteção de seu patrimônio e a construção de riqueza.

QUERO APRENDER A INVESTIR

 

Nessa nova série, que também terá a participação da Beatriz e do Walter, o meu papel será analisar os principais produtos bancários, de forma individual. Vou dizer quais são os interesses do banco (que eles não iriam lhe contar) e como você, investidor, deve analisar esses ativos e saber diferenciá-los, se são bons ou ruins.

Agora, vou contar a vocês um pouco do que vivenciei e as conclusões às quais cheguei com três anos de experiência no setor.

A rotina no banco é bem corrida, fluxo frenético de pessoas entrando e saindo das agências, e, apesar das atividades individuais de cada funcionário, todos possuem metas, seja da área comercial (gerentes de conta) ou operacional (caixas, supervisor de operações, etc.).

Apesar das filas enormes no caixa, sempre há um minutinho para oferecer aquele título de capitalização “ideal”. E não pense que os funcionários do banco fazem isso porque acreditam no produto; eles possuem metas e são avaliados por isso. O trabalho deles não se restringe a lidar com o dinheiro “vivo” e   com os cuidados pertinentes àquela função: é preciso vender, também!

Não vou julgar o banco pelas metas impostas aos seus funcionários, pois qualquer empresa precisa disso para continuar a crescer e se tornar lucrativa. Mas é importante que você esteja ciente disso e tenha munição para tomar as melhores decisões para você. Vou ajudá-lo! Para isso, vou julgar os produtos oferecidos e dizer quais são os cuidados que se deve tomar com eles.


Títulos de capitalização

Muito cuidado com esse tipo de produto. Eu me lembro claramente das “semanas de capitalização”, quando as agências se preparavam para fazer o mutirão de vendas.

Todas as áreas possuem suas metas estabelecidas numa reunião matinal antes da abertura das agências.

O título de capitalização possui características de um jogo no qual se pode recuperar parte do valor gasto na aposta. Sem a ajuda da sorte, o rendimento, quando existe, é bem baixo, inferior ao da poupança.

Esses títulos são destinados a pessoas que gostam de jogar; não é uma boa alternativa como investimento.

Se um dia oferecerem a você um título de capitalização, tenha consciência de que está jogando, e não investindo.

Não gostamos desse tipo de produto, que é muito mais lucrativo para o banco. Mesmo que tenha o valor devolvido no seu vencimento, o cliente geralmente perde poder de compra pela inflação e custo de oportunidade diante de produtos muito mais rentáveis.

Como exemplo dessa experiência, posso dizer que eu era estagiário na época e tinha o objetivo de ser efetivado pelo banco. Por isso, me dedicava muito para a venda de produtos e a abertura de contas. Sem dúvida nenhuma, a venda de capitalização era vista pelo gerente geral da agência como uma porta de entrada para área comercial. Logo, quem sabia vender esse produto era visto com bons olhos dentro da área.

92% de acerto

Desde janeiro, quando começamos a usar essa estratégia, tivemos 18 operações fechadas, sendo 17 lucrativas.

SAIBA MAIS


Seguros

Os seguros também possuíam as próprias campanhas de venda e treinamento. Diversos seguros são oferecidos, muitas vezes fora de perfil do cliente.

Um bom planejamento financeiro envolve análise e seleção de seguros cuidadosas, de acordo com as necessidades de cada cliente.

Alguns passos são necessários nessa seleção:

  • Identificar os riscos aos quais o cliente está exposto;
  • Avaliar a necessidade de transferência desses riscos;
  • Analisar as coberturas disponíveis;
  • Seleção de apólices.

Por isso, questione, analise suas reais necessidades, identifique qual seguro vai atendê-lo, pesquise e compare com seguradoras independentes, solicite uma proposta e a leve para casa: faça uma avaliação com calma!

Numa situação bastante controversa, um gerente vendeu um produto de Seguro de Vida para um dos seus clientes mais antigos, porém, não passou uma das informações de maior relevância para a seguradora: o cliente possuía uma doença diagnosticada antes da contratação do seguro e, após o falecimento do cliente, a seguradora recusou-se a indenizar os beneficiários, por omissão de informações na contratação da apólice.

Não estamos alertando contra a má-fé de um profissional, e sim para a devida atenção que você deve dar no momento de contratar um seguro. Seguro não é o tipo de produto que você deve contratar para agradar um gerente que está com sede de bater metas.

Seguro é coisa séria e pode comprometer a vida da sua família quando contratado de forma errada.

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Previdência privada

Quando informamos ao nosso gerente no banco que desejamos fazer um investimento de longo prazo, não precisamos terminar de falar, o contrato de adesão ao plano de previdência estará em cima da mesa pronto para você assinar.

O que era para ser um investimento prático e rentável, de repente, fica confuso, aparecem dois tipos para escolher, PGBL e VGBL, e em seguida mais duas formas de tributação, regressiva ou progressiva, e alguns outros detalhes, como o perfil dos fundos e as taxas envolvidas.

Nessa hora, a cabeça dá um nó e a maioria dos investidores escolhe de forma errada.

Para o banco é muito interessante vender a previdência como um produto de investimento, pois possuem taxas mais elevadas, administração e carregamento, fidelizam o cliente num plano de longo prazo, em que o resgate antecipado poderá punir o investidor com uma alíquota de IR muito elevada.

Se você possui um valor para investir no curto, médio ou longo prazo, existe uma infinidade de produtos mais rentáveis do que os fundos de previdência.

Se você pensa em poupar um pouquinho a cada mês, com o objetivo de construir um patrimônio para a sua aposentadoria, uma alternativa de custo menor e consequentemente mais rentável, para aplicações de baixo valor, são os títulos do Tesouro Direto.

Os fundos previdenciários de renda fixa dos bancos chegam a cobrar taxa de administração de 3% ao ano, mais taxas de carregamento. Já no Tesouro Direto, você consegue comprar títulos pagando apenas 0,3% ao ano.

No momento, vemos boas oportunidade de compra dos títulos indexados à inflação (IPCA).

Para quem já possui um plano de previdência privada ou deseja saber quando esse produto pode valer a pena, nosso planejador financeiro, Walter Poladian, irá abordar detalhadamente esse tema no relatório mensal Você Investidor de julho.

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CONTEÚDO EXCLUSIVO PARA QUEM É PRO

 

Ficou com dúvidas sobre o assunto de hoje? Envie-as para jose.castro@criandoriqueza.com.br que irei selecionar algumas para responder em futuros textos.

Um abraço,

José Castro

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