Retrospectiva 2015 e Oportunidades 2016

Como se comportaram os investimentos em 2015 e qual caminho seguir em 2016

Retrospectiva 2015 e Oportunidades 2016

Caro Leitor,

O ano passado foi muito ruim para o Brasil, economicamente falando. Tivemos recessão (queda no PIB de 3,7%) com inflação alta e descontrolada (acima de dois dígitos). Além disso, tivemos perda de grau de investimento do país, aumento dos juros e da dívida pública, crescimento do desemprego, escândalos de corrupção, entre muitas outras mazelas que já estamos cansados de escutar.

2016 também deve ser difícil, permeado pela continuidade da crise política. Mas não devemos ser negativos neste momento e nem baixar a cabeça. Ao contrário, temos de nos atentar para aproveitar as oportunidades que surgem com a crise e, assim, receber a recompensa quando a situação começar a melhorar.

Veja as expectativas do mercado para os indicadores econômicos em 2016. Os dados foram extraídos do último Relatório Focus do Banco Central do Brasil, do dia 31 de dezembro de 2015.

Fonte: Banco Central do Brasil

O Boletim Focus, como também é chamado, é publicado semanalmente pelo BC e reporta a mediana das previsões de mais de cem analistas financeiros, de diversas instituições (bancos, gestoras, corretoras…).

Pudemos perceber no ano passado que quase toda semana as expectativas do mercado para os indicadores pioravam. O que leva a crer que a maioria dos analistas estavam otimistas demais e erraram seus palpites, ou as instituições não queriam gerar conflito com o governo divulgando previsões piores.

Já os analistas da Empiricus acertaram muito mais que o mercado em suas estimativas e ajudaram seus leitores a proteger seu patrimônio.

Portanto devemos nos preparar para dados piores do que os indicados no Boletim Focus para 2016.

Retrospectiva Investimentos 2015

Na tabela abaixo, você vê as rentabilidades da poupança, do CDI, do Ibovespa (índice da bolsa), do IFIX (índice de fundos imobiliários) e do dólar em 2015.

Fontes: Anbima e BM&FBovespa

Como podemos ver, a rentabilidade da poupança não foi suficiente nem para compensar a inflação.

O CDI que acompanha de perto a Taxa Selic (taxa de juros básica da economia) rendeu 13,24%. Isso corrobora nossa indicação aos nossos leitores, desde o começo do ano, de ter sua posição de caixa no título Tesouro Selic em vez da poupança. E, para o médio prazo, compra de LCAs e LCIs, pós-fixadas ao CDI, com isenção de IR.

O Ibovespa, índice oficial da bolsa brasileira, foi afetado pela crise econômica e política do país e mais uma vez decepcionou, com queda de -13,31%. Os leitores que seguiram nossas recomendações também conseguiram escapar dessa alta queda, com pouca exposição em bolsa e em ações defensivas que performaram melhor que o Ibovespa.

E vimos também uma grande alta dólar, que se valorizou 47% frente ao real somente neste ano. Movimento primorosamente previsto pelo nosso estrategista Felipe Miranda, que alerta os leitores da Empiricus desde que a a taxa de câmbio estava abaixo de R$ 2,00.

Oportunidades de Investimentos em 2016

Renda Fixa

Tesouro Selic: continuo recomendando o título do Tesouro indexado à taxa Selic para 2016. Nossa expectativa é que o juro (hoje em 14,25% ao ano) suba mais neste ano.

A posição no Tesouro Selic serve como “colchão de liquidez” para atender as necessidades de curto prazo. Como possui rentabilidade diária atrelada ao juro, não tem risco de venda antecipada e o investidor pode resgatar os valores no dia seguinte da venda.

Recomendo juntar no mínimo 6 meses dos seus gastos mensais no Tesouro Selic ou em outra aplicação conservadora de liquidez diária (ex: CDB ou Fundo DI), antes de investir em outros ativos.

LCAs e LCIs: enquanto isentas de IR, continuam sendo ótimas aplicações para o médio prazo. O governo já está propondo cobrança de impostos sobre as letras de crédito, mas entendemos que essa mudança não afetará emissões anteriores e só deverá valer para 2017.

Portanto sugiro comprar LCAs ou LCIs de prazo até 360 dias. Para taxas de retorno melhores, procure letras de crédito emitidas por bancos de médio porte, via uma corretora independente. E não ultrapasse o valor assegurado pelo FGC (R$ 250 mil), por banco.

Tesouro IPCA+: como vimos, a variação da inflação hoje já atinge 2 dígitos e deve permanecer acima da meta em 2016. Portanto recomendamos a compra dos títulos do Tesouro indexados ao IPCA, pois além proteger seu patrimônio da alta da inflação, estão pagando uma taxa prêmio historicamente alta (acima de 7% ao ano). Uma ótima oportunidade para travar este alto retorno real no longo prazo.

Tesouro Prefixado: os títulos do tesouro prefixados também estão pagando taxas historicamente altas (aproximadamente 16,15% ao ano) e considero uma boa opção para diversificação da carteira, visando uma melhora na economia no longo prazo, com taxa de juros e inflação menores. Percebemos que com a expectativa de alta dos juros em 2016, o mercado já começa a precificar juros futuros mais longos com recuo nas taxas.

Recomendo ter a maior parte de seu portfólio de investimentos em renda fixa, pois entendo que com o juro alto que temos hoje no Brasil é possível obter ótimos retornos sem correr tantos riscos.

Renda Variável

Ações: com a recessão da economia brasileira, perda do grau de investimento, Ibovespa abaixo de 42 mil pontos e disparada do câmbio, entendemos que a bolsa brasileira ficou barata, principalmente ao olhar dos investidores estrangeiros, que são responsáveis pela maior parte do volume de negócios da bolsa brasileira.

Recomendo a leitura da nossa tese da Virada de Mão na bolsa brasileira.

Há companhias excelentes ainda com níveis de rentabilidade razoável, com preços ainda mais descontados.

Repito aqui a famosa frase: “Compre ao som de canhões e venda ao som dos violinos”

Entendemos, portanto, que o investidor já possa montar uma posição em ações, privilegiando empresas defensivas, com boas margens, pouca dívida, sólida barreira à entrada e histórico longo de boa lucratividade.

No curso Investimento para Leigos – Tópicos Especiais, Felipe Miranda cita 5 papéis que possuem este perfil.

Lembro que ações, dólar e fundos imobiliários são ativos de renda variável e por isso possuem riscos maiores.

Fundos Imobiliários: considero os FIIs uma boa opção de investimento para o longo prazo. No entanto, acredito que as cotas dos fundos poderão sofrer no curto prazo com expectativa de alta dos juros e cenário ruim para o setor imobiliário.

Os fundos estão bastante descontados em relação ao seu valor patrimonial e devem se recuperar com o tempo. A vantagem do rendimento mensal isento de imposto de renda é bastante atrativa para pessoas físicas como alternativa a investimentos em imóveis e que necessitam de uma renda mensal extra para cobrir seus gastos.

Dólar: Entendemos que o grande ajuste na taxa de câmbio já aconteceu. Mas isso não significa que você não deva manter posições na moeda norte-americana. O dólar é um instrumento importante para diversificação e proteção do patrimônio.

Devemos ter mais um ano de recessão profunda e a inflação alta retira valor da nossa moeda. A crise política impõe instabilidade adicional e a subida de juro nos Estados Unidos pode refletir na retirada de fluxo de recursos do nosso país, penalizando o real.

Por fim, agradeço todos os elogios, sugestões e dúvidas que tenho recebido por e-mail.

Infelizmente não consigo responder a todos.

Por adequação regulatória que visa garantir isonomia no acesso à informação a todos os nossos leitores e assinantes, as recomendações do Criando Riqueza e Empiricus sobre investimentos são transmitidas apenas dentro das newsletters, dos guias didáticos e dos relatórios de análises.

Todas as dúvidas são lidas e tratadas, conforme relevância e recorrência, também dentro das newsletters, guias e relatórios.

Para evitar que haja quaisquer vantagens de informação entre assinantes, não respondemos a dúvidas técnicas individualmente.

Agradeço sua compreensão.

Um abraço e feliz 2016!

Walter

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