Os Benefícios Existenciais e Psicológicos da Riqueza

Continuação da entrevista de Glenn Fisher com Mark Ford

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Os Benefícios Existenciais e Psicológicos da Riqueza

Glenn Fisher, editor da Agora Financial UK: Mark, na semana passada você mencionou a ideia de guardar 80% do dinheiro que se ganha. Conforme a renda cresce, a pessoa deve segurar os gastos para que eles não cresçam junto. É um conselho sensato.

Como você recomenda que esses 80% sejam usados? Eles devem ser investidos no mercado de ações? Ou você recomenda alguma outra estratégia?

Mark: Glenn, como você sabe, alocação de ativos tem mais impacto na criação de riqueza do que qualquer outra coisa… inclusive do que os retornos recebidos em qualquer classe de ativos em específico.

Na verdade, é o fator mais importante no sucesso de longo prazo no mercado de ações e de títulos.

Eu sempre disse que é preciso de mais que ações e títulos para ficar rico. Por isso, modelos de alocação de dívidas desenvolvidos no Palm Beach Research Group e na Empiricus — bem como no Wealth Builders Club – também incluem dinheiro, metais preciosos, imóveis de renda, investimentos diretos em empresas e muito mais.

A abordagem tradicional em relação à alocação de ativos é preconceituosa em favor da indústria financeira – em favor de ativos que costumam gerar taxas e comissões para corretores.

Nosso modelo é baseado em três fatores que importam: segurança, renda disponível para investimento e tempo.

Tenho muito orgulho dos modelos de alocação de ativos do Palm Beach Research Group e da Empiricus. Recomendo todos eles.

Glenn: Você menciona “tempo” como um fator importante. Eu concordo. Mas muitas pessoas citam falta de tempo como um dos motivos por não ficarem ricas. Você pode compartilhar sua opinião sobre como as pessoas podem organizar seu tempo? No início de sua carreira de criação de riqueza, como era sua rotina?

Mark: O problema com o tempo não é que só temos 24 horas por dia… As pessoas mais bem-sucedidas no mundo não têm mais que isso. Mas nós, as pessoas comuns, temos a tendência de usar nossas horas com menos eficiência do que os grandes construtores de riqueza.

Para fazer com que o tempo atue em seu favor, você precisa gastá-lo nos objetivos que vão trazer os resultados que você mais deseja.

O impulso humano é fazer o oposto. Nos sentimos inclinados a gastar nossas melhores horas cuidando de tarefas urgentes… tarefas que têm pouca importância a longo prazo. Apagamos incêndios, respondemos e-mails etc. Gastamos muitas horas com isso. Nós dizemos a nós mesmos que vamos chegar a nossos objetivos importantes, mas não urgentes, mais tarde. Mas mais tarde nunca chega.

E esses grandes objetivos que estabelecemos anos atrás continuam em nossa lista de coisas a fazer a cada ano.

Você pode mudar tudo isso muito rápido seguindo uma regra simples: gaste 80% de seu tempo de trabalho (e sempre a primeira e melhor hora de cada dia) em projetos de criação de riqueza que vão te trazer os melhores retornos a longo prazo.

O fator mais importante em fazer com que seu tempo trabalhe a seu favor é empregar duas “regras” de produtividade: o sistema de prioridades (popularizado por Steven Covey) e o Princípio de Pareto. Você deve passar 80% de seu tempo de trabalho se concentrando em objetivos importantes, mas não urgentes. (E certifique-se de que uma hora desses 80% seja a primeira tarefa da manhã).

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Glenn: Você está certo. É uma ideia tão simples – mas com frequência negligenciada. Todos somos culpados de deixar que as pequenas tarefas tomem conta de tudo e de adiar o trabalho “de verdade”.

Sua forma de raciocínio faz com que pensemos sobre quais são os objetivos mais importantes e isso pode assustar as pessoas. Isso ocorre porque elas percebem que ter tempo suficiente não é o obstáculo… o obstáculo é não entender quais são os objetivos… ou pelo menos quais são os mais importantes.

Compreender o que se quer alcançar na vida nos faz retornar à questão anterior: riqueza é – em parte – atingir um nível maior de prestígio. Muitas pessoas pensam que prestígio significa ter “o melhor” de tudo. É isso mesmo?

Mark: Riqueza proporciona um benefício fundamental para a existência e dois benefícios psicológicos.

O benefício existencial é a liberdade de comprar muitas coisas e muitas experiências.

Os benefícios psicológicos são segurança e prestígio.

Segurança é definida de muitas formas, mas a maioria das pessoas entendem. Segurança significa que você não precisa se preocupar com as contas ou dívidas. Você pode se sentir bem planejando gastos futuros – um carro novo, férias em família, a faculdade dos filhos – porque você sabe que tem dinheiro guardado.

Prestígio é um tópico mais difícil porque a maioria das pessoas não sabe como se sente em relação a ele. Todos nós o desejamos de alguma forma. Mas também sentimos que é um pouco fútil: se fossemos como gostaríamos de ser, não desejaríamos prestígio.

Prestígio tem valor prático. Ele traz poder. E poder, quando usado com sabedoria, pode ser benéfico.

Meu conselho é: perceba que, de modo geral, quando você compra itens de luxo, está pagando pelo benefício de ter ou usar um símbolo de status.

Se a diferença entre gastar $ 30 e $ 175 mil em um relógio é importante para você, pense em quanto valor real você está recebendo por esse prestígio.

Uma dica: pergunte-se como se sente quando vê alguém usando um relógio muito caro (ou dirigindo um carro que é símbolo de status). Você sente admiração? Ou é algo menos gentil (como ciúmes ou ressentimento)?

Se – depois de pensar sobre o custo real do prestígio que está comprando – você decidir comprar mesmo assim, vá em frente… contanto que esteja dentro de seu limite de gastos.

Mas gastar dinheiro que deveria ir para construção de riqueza em prestígio é bobagem, sob todos os aspectos.

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