Por que não estou guardando dinheiro para a faculdade dos meus filhos

O que você acha de educar os filhos em casa? Entrevista sugere reflexões sobre a educação das crianças

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Por que não estou guardando dinheiro para a faculdade dos meus filhos
Nota da editora: Nesta semana, o Mark Ford sugere a leitura de uma entrevista com o Tom Dyson, que trabalha com ele nos Estados Unidos. Já adianto que a opinião do Tom sobre a educação dos filhos pode gerar polêmica. Você não precisa pensar como ele e seguir o que ele diz. Até porque ele vive nos Estados Unidos e as realidades brasileira e americana são diferentes. Mesmo assim, sugerimos a leitura. As reflexões que ele sugere ao defender seu ponto de vista são relevantes.

 

Esta semana quero que vocês leiam a entrevista com Tom Dyson. Recomendo a leitura, pois o Tom pensa fora da caixa. Se você tem filhos pequenos, não perca.

Pergunta: Tom, eu sei que você tem opiniões fortes sobre educação, pensei que isso poderia ser o tema de uma entrevista muito interessante. Vamos falar sobre educação?

Tom: É claro.

Pergunta Você está educando seus filhos em casa?

Tom: Eu adoraria educar meus filhos em casa. Infelizmente, a decisão não é só minha, também é da minha esposa, pois é ela quem teria que passar o dia inteiro ensinando as crianças. Ela concordou em tentar por um ano.

Pergunta: Por que você prefere educar em casa ao invés de educar na escola?

Tom: Quase todos os nossos amigos estão mandando seus filhos para a escola e quando ela diz que vai educar nossos filhos em casa, todos respondem da mesma forma: “Sério? Por quê?” Ninguém diz: “Que bom”.

Pergunta: Verdade?

Tom: Verdade. Bem, é um trabalho duro cuidar dos filhos o dia inteiro. É mais fácil pagar por isso e voltar para o trabalho ou para uma vida de prazer. Colocar os filhos na escola é como ter uma babá em tempo integral. É conveniente.

Pergunta: Quais são os benefícios de educar em casa?

Tom: Na minha opinião, educar em casa é um luxo. Não é uma opção para todos. Mas se você puder arcar com os custos é a melhor educação que uma criança pode ter. Para começo de conversa, você prefere que seus filhos passem o dia inteiro com professores mal-pagos que trabalham demais ou com a mãe que cuidará deles melhor que qualquer um? Eles estão melhor com a mãe, é claro, já que ela tem o bem-estar dos filhos como prioridade.

Segundo – e isso é mais aplicável à educação dos filhos mais velhos do que dos filhos que estão no jardim de infância (onde as crianças só correm e brincam o dia inteiro), o sistema educacional da atualidade é um resquício da Revolução Industrial – o sistema foi desenvolvido para produzir trabalhadores obedientes.

O sistema educacional da atualidade os ensinam a chegar na hora e a não fazer perguntas, obedecer ao invés de questionar a autoridade, a se esforçar e a levantar a mão se precisar ir ao banheiro…  Não ensina responsabilidade ou a usar a imaginação. Ensina a aprender mecanicamente – aprender fatos, vomitá-los em testes, repeti-los. Para mim, isso é criar trabalhadores obedientes.

E eu considero que trabalhar como corretor em uma seguradora ou trabalhar para a Apple ou para o Google é a mesma coisa. Continua sendo trabalho de fábrica. Continua sendo girar a manivela sob supervisão. Continua sendo trabalhar para uma empresa que deseja que você seja tão substituível quanto possível, tão barato quanto possível. Então, se não se comportar, você pode ser facilmente substituível.

Eu quero que meus filhos pensem por si mesmos e questionem tudo, especialmente autoridade. Eu quero que façam suas coisas, sejam livres e responsáveis por suas vidas. E, acima de tudo, quero que evitem a armadilha de fazer algo que odeiem por dinheiro. A vida é curta demais para isso.

O sistema educacional padrão não os ajudará nesse sentido.

Aliás, a escola não ensina nada importante antes que você tenha 12 anos. Ou pelo menos nada que não se possa aprender mais tarde. Você pode aprender aritmética mais tarde se precisar dela. Ou qual é a capital do Uruguai.

Qual é a pressa? Até os 12, quero que meus filhos sejam crianças, gostem de ser crianças e desenvolvam paixão e curiosidade pela vida. Eles não serão jovens para sempre. Então, por que não podemos deixar que sejam crianças sem toda a pressão de ter que aprender latim ou álgebra?

Pergunta: Mas os fundamentos do aprendizado não são construídos nos primeiros anos?

Tom: Como ler e escrever?

Pergunta: Sim.

Tom: Com certeza, mas ler e escrever são como andar. Você não pode impedir as crianças de aprender essas habilidades. Eu sei que analfabetismo existe, mas ele aconteceu ou por negligência ou porque os pais também são analfabetos. Nós não fizemos nada para ensinar nosso filho de 4 anos a escrever, mas ele está aprendendo mesmo assim. Acontece naturalmente. A escola não é o motivo por que aprendemos a ler.

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Pergunta: E o aspecto da socialização?

Tom: As pessoas sempre fazem essa pergunta. A resposta é dupla. Primeiro, você realmente deseja que seus filhos aprendam trejeitos com outros pestinhas? Ou você quer que aprendam como se comportar com você e com outros adultos à sua volta? Toda vez que nossos filhos brincam com outras crianças, eles adquirem um hábito ruim ou usam um palavrão que não entendem. Eu prefiro que eles aprendam como se comportar socialmente com outros adultos e outras crianças também.

Segundo, só porque não frequentam a escola não significa que eles não tenham contato com outras crianças e adultos. Nossos filhos têm primos, irmão, tias, tios, avós, etc. Algumas dessas crianças são pestinhas também. A diferença é que minha esposa pode controlar e dirigir as interações com outras crianças, com uma atenção mais voltada aos nossos filhos do que o professor que tem salas de 20 30 alunos.

Pergunta: Então, você não gosta de escolas públicas?

Tom: Não sou fã de escolas públicas. Eu desprezo o governo e não o quero envolvido na educação dos meus filhos. A escola pública faz duas coisas: primeiro, torna possível que ambos os pais trabalhem o dia inteiro. (Mais pessoas trabalhando significa mais arrecadação de impostos.)

Uma segunda coisa que a escola pública faz é deixar o governo com aparência aceitável. O governo utiliza a educação para se legitimar. Você não questiona o sistema, apenas o aceita. Como bons trabalhadores de fábrica.

Sem falar que a qualidade do ensino no sistema público é horrível. E só vai ficar pior porque o governo está quebrado.

Pergunta: E quanto à faculdade?

Tom: Eu fiz faculdade na Universidade de Nottingham, na Inglaterra, uma das melhores. Mas, honestamente, desperdicei a oportunidade. Por sorte, nunca tive problemas para passar nas provas. Eu conseguia me lembrar da grande quantidade de informações triviais e depois vomitá-las no formato exigido. Não aprendi nada lá, apesar de ter notas boas.

Eu me diverti muito e fiz amigos para a vida toda mas, sob uma perspectiva educacional, foi uma perda de tempo. Se eu fosse para a faculdade agora ninguém conseguiria me tirar da biblioteca. Eu me lembro daquela época e penso: “que desperdício”.

Não tenho nenhum problema sobre meus filhos irem para a faculdade; eles podem fazer o que quiserem. Certas profissões exigem conhecimento técnico. Mas não pagarei por isso. Se eles realmente quiserem ir, podem fazê-lo sozinhos. Eles podem trabalhar para pagar sua educação, podem conseguir uma bolsa de estudos, podem pegar dinheiro emprestado comigo, etc.

Eu preferiria vê-los utilizar o dinheiro para viajar ou montar um negócio. E então quando eles fossem um pouco mais velhos, estariam mais preparados para decidir se querem ou não fazer faculdade.

Pergunta: Mas um diploma o torna mais empregável. Seja como for, pelo menos você tem mais opções de emprego. Você não quer isso para seus filhos?

Tom: Um diploma só abrirá portas se você seguir caminhos tradicionais, como trabalhar para empresas ou se tornar um dentista.

É o caminho para o estilo de vida tradicional da classe média, no qual você tem um emprego que odeia, mas continua porque precisa do dinheiro para pagar por sua garagem com dois carros.

Eu não acredito em ser subordinado. Eu acredito que a vida é curta; você deve se divertir e ser pago por isso. E isso significa fazer algo que ama. E ter um diploma para trabalhar na Apple, na Dell, no Citigroup ou em qualquer outro lugar não é o caminho. É assim que se entra nas engrenagens da classe média, com um chefe e um financiamento imobiliário.

É aquele sacrifício clássico. Você abre mão de sua liberdade e paixão em troca de segurança e um salário decente.

Pergunta: Então basicamente você está vendendo sua alma se quiser segurança?

Tom: Você está vendendo a si mesmo, não a sua alma. Por segurança, você está vendendo a oportunidade de ter uma carreira satisfatória fazendo algo que ama. Algumas pessoas não se importam com isso. Talvez meus filhos queiram isso. Mas eu não vou pagar a conta.

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Um abraço
Mark Ford

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