Quatro passos para lidar com desastres

Ter uma disposição positiva é muito útil na hora de encarar um desafio – grande ou pequeno

Quatro passos para lidar com desastres

Você vai pegar a caneca, mas derruba tudo e o café cai em cima do notebook.

Você chega em casa e percebe que esqueceu a carteira – com todos os documentos – no metrô.

O médico lê o eco cardiograma e diz: “Nossa, nunca vi isso antes!”

A vida distribui desastres, grandes e pequenos. A forma como reagimos a eles diz muito sobre nosso caráter e tem grande impacto em nossa habilidade de ter uma vida feliz e bem-sucedida.

Se não consigo encontrar minha carteira, costumo pensar que ela foi roubada por alguém que já “roubou minha identidade” e esvaziou minhas contas bancárias.

Esperando pelos resultados de qualquer exame médico, imagino o pior.

Por algum motivo, é assim que funciono.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Minha esposa, K., é o oposto. Ela é uma otimista, não se preocupa com os pequenos desastres (exceto aqueles que envolvem jantares) e confronta a maioria deles com uma atitude positiva.

Ter uma disposição positiva é muito útil na hora de encarar um desafio – grande ou pequeno.

E, apesar das emoções estarem profundamente arraigadas e de ser muito difícil – se não impossível – erradicá-las, é possível desenvolver hábitos mentais que ajudam a superar medos e a reagir a crises – grandes e pequenas – de forma produtiva.

Recentemente, meu sobrinho teve problemas na escola e me disse que eles haviam causado uma sobrecarga emocional – ele não conseguia dormir, não conseguia estudar e mal conseguia comer.

Pelo que sabia da situação, achei que ele estava exagerando. Mas eu entendia – porque também funciono assim – que aqueles medos eram reais para ele.

Mandei uma mensagem com o seguinte conselho, baseado em minha própria luta contra os pensamentos e sentimentos negativos:

1. Durma com o inimigo.

O que te assusta? Provavelmente é algum “pior cenário possível” que fica martelando na sua cabeça.

Um otimista, como K, lhe diria para não se preocupar. Ele o lembraria, de forma acertada, que há grandes chances de que algo melhor que o “pior cenário possível” aconteça.

Mas o conselho é inútil para a pessoa que já tem o pior cenário possível na cabeça. Afinal, é um filme muito assustador e você é a estrela. Não pensar não é uma opção.

A solução que encontrei foi deixar o filme seguir por completo. Eu me permito e imagino o pior… em detalhes. Depois, encontro uma maneira de me ver aceitando a “realidade” nefasta.

Se, por exemplo, meu filme mental tem ladrões de identidade roubando todo o meu dinheiro, eu dirijo uma cena em que estou sentado com o gerente do banco e ele me dá a péssima notícia. Então há um close e um sorriso surge em meu rosto.

O gerente olha para mim, surpreso e confuso. “Sr. Ford, o senhor ouviu o que eu disse? O senhor perdeu todo o seu dinheiro. Não tem mais nada.”

“Sim, meu jovem” – eu me vejo dizendo – “Entendi o que você disse. Estou livre do fardo de toda aquela riqueza.”

Então eu saio, ainda sorrindo, enquanto ele me observa… estupefato.

Estou dramatizando, mas também estou falando sério. Aprendi essa técnica ao longo dos anos e ela funciona muito bem.

O simples fato de se imaginar lidando bem com algum desastre imaginário é calmante. E se você fizer a mesma coisa repetidas vezes, o sentimento de calma vai se fixar em seu subconsciente, exorcizar seu medo e o tornar mais forte e mais produtivo.

2. Invente um terceiro ato.

O truque de criar uma cena mental de filme é bastante poderoso. Recentemente, comecei a fazer outra coisa que intensifica o efeito benéfico – crio um terceiro ato em meu filme mental.

Como você se lembra, o segundo ato terminou comigo saindo do banco com um sorriso no rosto. Não é nada mal, mas ainda não é o fim.

Para que o filme tenha um final feliz, você precisa de um terceiro ato. E o terceiro ato sou eu encontrando o lado positivo.

Todo desastre tem um lado positivo. Uma lesão no ligamento pode deixá-lo acamado por algumas semanas, mas também lhe dá a chance de ler aqueles 10 livros na mesa de cabeceira. O trânsito parado pode lhe dar a chance de ter aquela conversa que você estava adiando.

Até mesmo câncer terminal tem um lado positivo. Você tem tempo para organizar o fim de sua vida e para se despedir. Você não teria essa chance caso seu destino fosse ser atropelado por um trem.

O primeiro passo é praticar a imaginação. Imagine-se estando bem com o pior cenário possível. O segundo é identificar o lado positivo e se imaginar aproveitando os “benefícios da tragédia”.

De novo, não é o tipo de coisa que se faz uma vez e pronto. É um processo que se aprimora a cada repetição.

Mas a boa notícia é que, quanto mais você faz, mais fácil fica. Você pode continuar com os velhos instintos, mas eles só vão durar até que você dê início a seu filme mental. A partir de então, tudo vai melhorar.

Entenda tudo de finanças em apenas 30 dias

Seu dinheiro está em jogo. Se você não entende nada de finanças, mude essa situação agora mesmo. Conheça o curso exclusivo que preparamos para todos os nossos leitores. Uma solução simples e acessível a qualquer pessoa que deseja transformar sua vida financeira.

GARANTA O ACESSO GRATUITO AO CURSO

 

3. Tenha um plano B.

Tendo lidado com o pior cenário possível, você estará mais calmo e mais capaz de avaliar as probabilidades de vários resultados… e vai poder fazer planos para cada um deles.

Imagine cada um. Avalie. Descubra o que pode e o que não pode fazer. Sempre procure pelo lado positivo.

4. Parta para a ação.

Dormir com o inimigo, encontrar o lado positivo da situação e desenvolver um plano de ação farão com que você se sinta 100% melhor – e é possível fazer isso em algumas horas (ou dias, no máximo). Mas a melhora em seu estado emocional não vai durar a não ser que você comece a agir.

Como em todos os aspectos da vida, ação é fundamental para enfrentar desastres. O momento em que colocar em prática seu plano de ação, você estará fazendo progresso… e diminuindo as chances de seu medo se tornar realidade.

Você vai se sentir melhor consigo mesmo assim que começar e permanecerá a se sentir melhor contanto que esteja trabalhando para isso.

Um abraço,
Mark Ford

Leitura sugerida:

– CALOTE: O Brasil está tecnicamente quebrado

– O diagnóstico de Octavio de Barros para a economia

– Como escolher a melhor vida possível

Conteúdo relacionado