5 perguntas para Bel Pesce

A “menina do Vale do Silício” dá dicas de empreendedorismo e contesta críticos do seu sucesso

5 perguntas para Bel Pesce

Olá,

Hoje quero apresentar uma entrevista com a empreendedora Bel Pesce, de 28 anos. Ela ficou conhecida após lançar o livro Menina do Vale, em 2012, no qual contou suas experiências profissionais no Vale do Silício, região da Califórnia conhecida como o berço das mais famosas startups dos Estados Unidos.

Nascida em São Paulo, ela se formou pelo renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT) – com graduações em Engenharia Elétrica, Ciências da Computação, Administração, Economia e Matemática – e estagiou na Microsoft, Google e Deutsche Bank.

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Após se formar, Bel partiu para o Vale do Silício, onde trabalhou na startup Ooyala e fundou a própria empresa, dedicada a desenvolver o aplicativo de finanças Lemon Wallet. No mesmo ano do lançamento livro, que foi disponibilizado on-line sem custos e teve mais de 1 milhão de downloads, a empreendedora retornou ao Brasil. Em 2013, criou a FazINOVA, escola que ajuda pessoas a desenvolverem seu lado empreendedor.

Por seu trabalho, Bel foi considerada, em 2015, uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo pela rede britânica BBC. Ela também coleciona prêmios que recebeu de publicações, como as revistas Forbes e Época, por sua influência em divulgar o empreendedorismo.

Confira abaixo nosso bate-papo.

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Bel, você é a favor de escrever um plano de negócios ou recomenda o método Lean Startup (que diz para não escrever o plano e partir logo para os testes)? Qual é a medida certa entre planejar e colocar a mão na massa?

Depende do momento do negócio. Para quem está começando uma empresa, é muito importante planejar o básico para conseguir colocar a mão na massa. O que vale nesse ponto é avaliar quais são as maiores incertezas do negócio e planejar quais testes serão feitos para, assim, conseguir informações reais.

Muitas vezes, as pessoas planejam muito, e fazer um plano de negócios pode travar o processo. A verdade é que não tem como prever o futuro, ainda mais criando um negócio. Grande parte das estimativas serão um chute até que você comece e veja os resultados.

Se você encontrar produtos que vão de encontro das necessidades do mercado, que tenham forma de distribuição e descobrir os custos relacionados ao empreendimento, aí sim deve mergulhar no plano de negócios. Mas, no primeiro momento, desenvolva o modelo de negócios (usando o quadro conhecido como Canvas), crie proposta de valor, caminhos de distribuição e teste para ter resultados reais.

Como você escolhe seus parceiros/sócios? Que tipo de pessoa busca ter ao seu lado?

Eu gosto de pessoas com perfil e visão complementares aos meus, com as quais eu já tenha trabalhado antes. Acho raro dar certo se não for assim. Tem de ser uma pessoa que você respeita e com a qual consegue discordar de forma construtiva para o projeto.

Não é uma batalha de egos, vocês estão juntos. É preciso ter maturidade para que a decisão beneficie o negócio. Então, transparência, respeito e complementariedade são necessários.

Muitas pessoas que querem se tornar empreendedoras pedem conselhos a você. O que mais escuta sobre seus temores/problemas? E o que indica para isso?

Os maiores temores são sobre o investimento, o dinheiro para começar. É claro que a falta de dinheiro pode ser uma trava inicial, mas, na maioria das vezes, você consegue testar em menor escala sem grandes investimentos.

No entanto, o maior temor deveria ser construir algo que ninguém quer comprar ou que não tenha proposta de valor clara, sem canais de distribuição.

As pessoas escutam histórias de sucesso de empreendedorismo e acham que, quando começarem, já vão estourar. Pensam que é só sair do trabalho e, de forma mágica, construir uma empresa bilionária. Na prática, não é assim.

Pense grande, mas planeje a execução do dia a dia. Se alguns dos passos forem equivocados, não pense que é hora de desistir. Pergunte-se como evitar o erro na próxima, e o que isso ensina. O pior é travar e não fazer nada.

Qual é o segredo para resiliência pessoal frente aos desafios? O que faz quando as coisas não saem como planejado?

Tudo é expectativa. Se acha que empreender vai ser um conto de fadas, vai se frustrar. Você precisa de muito estômago e resiliência para levar seus projetos adiante. É muito difícil ter as respostas certas, mas vai ter de tomar decisões.

Algumas vezes, você vai dar tiros no escuro e não vai acertar o alvo. O segredo para a resiliência é conseguir desenhar ações menores para diminuir os tombos e aumentar a evolução com base no aprendizado. Também é importante entrar sabendo o quão difíceis as coisas podem ser.

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É muito comum pessoas que se destacam rapidamente serem “atacadas” por críticos. Você mesma precisa lidar com o rótulo que alguns lhe deram de “empreendedora de palco”. Como você lida com esses ataques ao seu sucesso pessoal e ao trabalho? E o que recomenda aos jovens que estão começando a ganhar fama no mundo empreendedor?

Empreendedor de palco é aquele que ensina o que não viveu. Uma pessoa que não me conhece, entra nas minhas redes sociais e me vê dando uma palestra para milhares de pessoas, pode não entender o que faço. Eu faço uma palestra por semana, mas no resto do tempo eu toco vários negócios.

Tenho escola com mais de 200 mil alunos, com professores e vários cursos; tenho editora, com diversos livros publicados, meus e de outros autores; tenho agência que faz branding [construção e gerenciamento de marcas] de diversas marcas e que cuida das mídias sociais de diversas pessoas públicas; e ainda tenho uma startup chamada BeDream que faz curadoria de conteúdo, de pessoas e de recursos para realizar sonhos.

Então, me chamar de empreendedora de palco é preguiça de entender o impacto dos meus negócios, que já tocaram 30 milhões de pessoas em mais de 43 línguas. Se isso não é empreender, eu não sei o que é.

Tem também a questão da própria mídia focar no sucesso e não na jornada. Quem observa superficialmente pode achar que é fácil empreender. Eu prego o contrário: o quanto é difícil. Só quem já viveu o empreendedorismo consegue perpetuar sua mensagem.

E eu não concordo com a afirmação de que me destaquei rapidamente. Alguns projetos, como o livro Menina do Vale, tiveram visibilidade grande e muitos downloads orgânicos. O conteúdo era real, por isso tocou as pessoas.

Além disso, existem muitos pessimistas no mundo. Não digo que você deve ser um otimista cego, mas nunca vi pessimistas crescerem. Quem está disposto a ajudar e vive para o empreendedorismo não tem tempo para intriga.

Agora, quem você quer seguir? Alguém realizador ou “reclamão”? Quem são suas referências? 

Mão na massa!

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Toda vez que toco no assunto, recebo uma enxurrada de e-mails, mas não resisto a falar do polêmico posicionamento da rede de franquias Habib’s em relação ao governo do PT. Veja alguns dos e-mails que os leitores me enviaram após meu post no Blog do Criando Riqueza:

“Uma empresa deve definir seus valores sem escolhas nos campos político, religioso ou esportivo. O objetivo de uma empresa é realizar a sua função vendendo produtos ou serviços em prol de uma sociedade melhor, um mundo melhor, logo deve respeitar minorias, o meio-ambiente, e buscar satisfazer clientes, funcionários e acionistas. Ao tomar uma decisão dessas como a do Habib’s, ela corre o risco de reduzir a sua parcela de clientes, prejudicando o seu resultado e por conseguinte os resultados aos entes envolvidos na sua missão.”

Amaro C.

“Acho péssimos seus comentários sobre o Habib’s, pois parece que é a favor dos que protestam. Os manifestantes têm direito de se manifestar, porém não têm o direito de atrapalhar quem quer trabalhar. Se considera a atitude do Habib’s condenável, não menos condenável é a sua postura usando um veículo de informação com tanta penetração quanto é esta publicação, influenciando a opinião de milhares de pessoas.”

Agenor B.

E você, o que acha?

 

Ao trabalho!

André Zara

 

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