Aposentadoria ou pit stop?

Se você vai se aposentar, mas não tem dinheiro suficiente para parar de trabalhar, saiba: nunca é tarde para empreender

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Aposentadoria ou pit stop?

Nota da editora: 

Nem sempre o planejamento da aposentadoria sai como o esperado. Chegar perto dos 60 anos não significa, para a maioria das pessoas, ter a possibilidade de ficar com as pernas para o ar e viajar mais. Recebemos muitos e-mails de leitores que nos dizem que estão beirando a aposentadoria, mas ainda não têm condições de parar de trabalhar. A ideia da newsletter de hoje é mostrar que existem pelo menos dois caminhos para conseguir uma renda extra via empreendedorismo. Em outras newsletters, a equipe do Criando Riqueza pretende dar outros tipos de orientações para quem já se enquadra nesse estágio de vida e também para quem não quer passar apuros quando chegar a essa etapa.

 

Olá,

Você está aposentado ou próximo dessa etapa? E como está seu planejamento financeiro para esse período? Aqui no Criando Riqueza falamos muito dessa preparação para garantir sua segurança. No entanto, para uma pessoa que trabalhou a vida inteira, ficar em casa de pijama, ainda que seguro financeiramente, pode ser bem chato (meu pai, por exemplo, quase enlouqueceu após seis meses aposentado).

Se você tiver o desejo, o empreendedorismo pode ser uma opção para ter renda extra nessa fase da vida e ainda trazer a satisfação pessoal com uma nova carreira de empresário. Mas, como sempre falo nas newsletters, não é um caminho fácil. É uma situação muito diferente de ser empregado, na qual cabe a você a responsabilidade de tomar todas as decisões.

Mas existem maneiras de se prevenir contra falhas e desperdício de dinheiro.

Avaliação de risco

Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), análise mais completa sobre empreendedorismo realizada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), indivíduos na faixa etária de 55 a 64 anos são os menos ativos em termos de atividade empreendedora inicial (apenas 8%, entre os 23 milhões estimados). E é simples de explicar: pessoas mais jovens tendem, naturalmente, a se aventurar mais.

Há também a questão do risco: 27% das empresas fecham após um ano, conforme dados do Sebrae. Por isso, nunca se deve colocar todos os ovos na mesma cesta de investimentos. O empreendedorismo deve ser uma parte que, mesmo em caso de falha, não comprometerá sua segurança financeira, que é a prioridade. Aqui, vale a máxima do empreendedorismo: o planejamento diminui os riscos.

Se você for conservador, pode optar por uma franquia, cuja mortalidade é muito mais baixa que a média: apenas 3%. Essa diferença é grande, pois você compra um negócio pronto e testado, com marca, apoio logístico, marketing etc. Escolhendo bem o franqueador – que tem todo interesse que você sobreviva e floresça -, a probabilidade de falha é menor.

E existem opções para todos os bolsos, começando pelas chamadas microfranquias,  que custam até R$ 80 mil. Nesta semana, o portal de economia O Financista fez um apanhado e apontou 7 franquias para investir gastando até R$ 60 mil.

Em uma busca rápida no site da Associação Brasileira de Franchising (ABF), encontrei ofertas a partir de R$ 3.900. Pelo investimento tão baixo, geralmente, o franqueado pode operar de casa. Mas não vá esperando grandes faturamentos. Não existe milagre…

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O diretor de inteligência de mercado da ABF, Claudio Tieghi, conta que o aposentado pode escolher se vai ser apenas um sócio-investidor, tendo um parceiro ou familiar comandando a operação, ou se vai realmente colocar a mão na massa.

Para quem deseja participar ativamente, existem algumas opções. Se o investimento for grande, acima de R$ 500 mil, a pessoa pode contratar uma equipe profissional e só supervisionar a operação. Se o valor ficar abaixo disso, para viabilizar o negócio, terá que assumir funções diretas.

Mas lembre-se que com franquias sempre existe uma dupla escolha: o franqueador busca um perfil específico de empreendedor. Mesmo que você tenha o dinheiro para investir, ele pode lhe recusar.

O dono da franquia também pode exigir um plano de sucessão, por causa da sua idade. Isso quer dizer que você pode ter que escolher um familiar para comandar a empresa ou até vender a unidade, quando estiver mais idoso. É uma estratégia de saída e pode ser bem interessante para que o investimento não perca valor com o tempo. “Franquias tradicionais, que já estão na segunda ou terceira geração de franqueados, lidam bem com essa questão e estão prontas para ajudar na transição”, afirma Claudio.

Ao pensar no investimento é importante considerar o valor total, levando em conta três pontos: taxa da franquia, instalação da unidade e capital de giro. Esse último item costuma ser negligenciado, o que é um problema, porque, se a franquia não decolar no período de seis meses a um ano, você pode ter que colocar mais dinheiro e abalar suas finanças pessoais. Quando a franquia já estiver bem, você poderá estabelecer um salário mensal, como se fosse um funcionário, e assim sair no lucro.

Mas, com mais de três mil franquias operando no Brasil, como escolher a certa para mim?

“Prefira o tipo de negócio em que você se sinta mais à vontade e que trará satisfação pessoal. Lembrando que, se quer um restaurante, por exemplo, não precisa saber cozinhar. Você não precisa entender de tudo, porém terá que supervisionar o cotidiano da operação para dar certo”, diz o diretor da ABF.

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Para quem quer se aprofundar mais e entender como funciona o sistema de franquias deixo como dica o Projeto Franquias Brasil, parceria entre a ABF e o Sebrae, que promove cursos em todo o Brasil sobre conceitos do franchising. As novas turmas começam em fevereiro. Veja no site.

Como escolher a franquia certa:

  • Opte pelo setor em que ficará mais feliz em empreender
  • Analise quanto dinheiro tem para investir
  • Considere que o investimento tem três pontos: taxa de franquia, instalação do ponto de venda e capital de giro
  • Entre no site da ABF e veja preços e perfil das franqueadoras

 

No relatório mensal “Você Investidor” de fevereiro, que será disponibilizado aos assinantes na semana que vem, vou escrever uma recomendação para quem busca uma franquia em 2016. Ao assinar, você recebe os relatórios mensais e ganha o curso “Investimentos para Leigos”.

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Amo minha franquia

O engenheiro mecânico José Vitor Barbosa Barreto, 60 anos, se aposentou cedo, mas, em vez de ficar parado, decidiu continuar a trabalhar na empresa fabricante de lâmpadas em que já estava empregado. Em 2001, no entanto, veio a crise e, com ela, a demissão.

O engenheiro não queria ficar parado e logo procurou outro emprego, mas, como já estava “velho” para o mercado, acabou desistindo após não conseguir se recolocar.

Juntou-se a um amigo que ficou desempregado na mesma época para empreender. Eles pensaram em abrir a própria marca e também pesquisaram muitas franquias. Por indicação de um conhecido, foram conversar com o dono da franquia Divino Fogão, Reinaldo Varela.

O franqueador, contudo, não aceitou os sócios, por avaliar que eles não tinham experiência e, talvez, não fossem gerir corretamente a franquia.

No entanto, José Vitor não desistiu e insistiu tanto que Reinaldo acabou por aceitá-lo ao fim.


O engenheiro aposentado José Vitor em sua franquia do Divino Fogão

Com o acordo, os dois sócios abriram a primeira unidade em Jundiaí (SP), em fevereiro de 2002, com recursos próprios. “Por descontrole, achamos que tínhamos todo o dinheiro, mas gastamos mais do que o planejado e ficamos devendo para os fornecedores”, conta José Vitor.

Os sócios foram ao banco, mas o empréstimo demorou tanto para ser aprovado que eles conseguiram se segurar sozinhos nos primeiros oito meses (para isso, não retiraram nenhum dinheiro da empresa no período). Depois de um ano, a franquia se mostrou lucrativa e eles respiraram aliviados. “No começo, também não conseguíamos tirar férias, mas depois fomos nos organizando para poder nos ausentar. Tendo gerentes confiáveis e nunca saindo na mesma época que o outro sócio, conseguimos ajustar”, diz o empresário.

Em 2006, a unidade de São José dos Campos (SP) perdeu o franqueado e José Vitor e o sócio foram convidados a assumir. Como tinham apenas 50% do investimento necessário, o franqueador assumiu a outra metade e o negócio foi fechado, com os sócios responsáveis por tocar a segunda operação.

Há três anos, apareceu outra oportunidade com a abertura de um shopping em Jundiaí. Novamente eles foram convidados pela franqueadora a participar e ficaram somente com 40% da franquia, mas como operadores da unidade. “Gosto de seguir padrão da franquia, porque já foi testado e tenho todo o suporte da marca. Pretendo continuar investindo, se houver novas oportunidades, e trabalhando até os 80 anos”, afirma o engenheiro.

Meu negócio

Franquias são muito boas, mas você estará engessado pelo modelo de negócios do franqueador. Eu já conversei com muitos deles: um do ramo de alimentação mandava até fotos para mostrar como deveria ser montado exatamente o buffet de saladas. Lógico que existe muita pesquisa envolvida nisso, mas, se deseja ter algo com a sua cara, o melhor é abrir o próprio negócio.

Para isso, você precisa estudar muito sobre empreendedorismo (lendo sempre as newsletters do Criando Negócios) ou contratar uma consultoria. Novamente: é melhor gastar tempo e dinheiro antes, do que depois com o negócio já funcionando.

Eduardo Peres, sócio-executivo da GlobalTrevo Consulting, conta que é comum assessorar profissionais com perfil sênior e prestes a se aposentar, interessados na consultoria para abrir uma empresa. Eles geralmente usam a bagagem profissional para empreender em áreas de seu conhecimento e nas quais se sentem confortáveis atuando. “Apesar de a idade ser um complicador para a tomada de risco, sua familiaridade com o setor ajuda a diminuir esse fator”, diz.

O trabalho da consultoria é elaborar todo o plano de negócio, fazer pesquisa de mercado, análise de concorrência, precificação etc. Enfim, tudo necessário para acertar a estratégia e diminuir riscos. “Como usa recursos próprios e tem um conhecimento maior pela experiência de vida, esse público é mais crítico e discute mais sobre os planos propostos”, afirma Eduardo.

No entanto, o que a consultoria não faz é sugerir onde a pessoa deve investir, para impedir conflitos de interesse. “O que oferecemos é uma visão externa sobre a ideia e receitas para a empresa dar certo, evitando, assim, previsões otimistas demais, muito comum entre empreendedores”, explica. Outra vantagem é poder retornar à consultoria após a abertura da empresa para atualizar a análise estratégica e pesquisar a satisfação do consumidor.

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Sonho realizado

A gaúcha Yamara Eichner, 60 anos, trabalhou a vida inteira como empregada no setor de plásticos e borracha. Especialista em tecnologia de polímeros, quando se aposentou, em 2008, decidiu apostar no empreendedorismo. “Era algo que sempre quis. Como passei a vida inteira desenvolvendo tecnologia e inovação para os outros, senti que era hora de fazer isso para mim”, conta.

Naquele momento, ela também decidiu mudar o ramo de atuação, pois sempre teve o desejo de trabalhar com biotecnologia. Ao pesquisar setores para atuar com um sócio, descobriu que havia um mercado interessante de óleos essenciais para cosméticos com função de aliviar dor e dar conforto ao usuário. Como na região de São Leopoldo (RS) havia fornecedores da matéria-prima, decidiu, em 2009, registrar formalmente a empresa Naturoils.

Para se prevenir, Yamara começou o negócio com investimento próprio e do sócio. “Minha experiência como funcionária de empresas que tomaram dinheiro emprestado do banco não é boa, por isso eu não quis essa preocupação. No entanto, isso fez com que nosso crescimento fosse mais devagar”, diz.

Em 2010, surgiu uma oportunidade: a incubadora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) abriu vagas para empresas interessadas em receber apoio de infraestrutura e intelectual para desenvolvimento. Yamara inscreveu a Naturoils e foi aprovada.

No período de três anos de incubação, a empresária obteve ajuda para estruturar seu modelo de negócios e ainda teve contato com outros empreendedores da incubadora, a maioria jovens desenvolvendo startups. “Percebi que não tinha os mesmos desafios deles, pois eu já tinha a experiência de fazer tecnologia dar dinheiro. Eles ficavam nos planos e cálculos, enquanto eu já entendia o processo de como lucrar”, avalia.

Hoje, a empresa continua a se desenvolver num ritmo lento, mas já se paga. Não tem funcionários e terceiriza a fabricação da linha com 15 produtos, cuja produção anual é de 2 mil unidades, sendo comercializada por 10 revendedores, entre farmácias e clínicas de estética da região.

A meta para este ano é dobrar o número de revendedores. “Sabemos que o investimento é de médio e longo prazo, mas, como empresária, hoje consigo controlar melhor meus horários e tenho menos estresse”, conclui.

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Mão na massa!

Agora que já sabemos os riscos e as oportunidades, comece a avaliar seu perfil. Qual a sua cara: franquia ou marca própria?

Depois, inicie sua pesquisa. Se deseja uma franquia, vá ao site da ABF e olhe os preços e as áreas de atuação.

Se decidir pela iniciativa própria, pesquise sobre o setor e o público-alvo. Para mais segurança do seu investimento, busque uma consultoria com experiência e leia as nossas newsletters anteriores no site www.criandoriqueza.com.br.

Se tiver dúvidas, mande um e-mail para mim.

Ao trabalho!

André Zara

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