Como criar uma fintech

Confira os setores mais promissores e as histórias de duas startups que estão apostando pesado no negócio

Como criar uma fintech

Olá,

Nesta semana, continuaremos falando das startups do segmento financeiro, as fintechs, mas com outra abordagem. Depois do panorama geral da última newsletter, pretendo oferecer dicas práticas e apresentar casos de empresas do setor para inspirar você.

Essas empresas estão entrando num nicho explorado há pouco tempo, mas que tem despertado interesses diversos e gerado algumas preocupações.

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Parte integrante do sistema financeiro mais “tradicional”, o leitor Raphael A. dividiu comigo suas impressões sobre o tema:

“Acredito que o modelo bancário que temos hoje está com os dias contados! Sou bancário e percebo a insatisfação dos clientes com a estrutura dos bancos. Seria longo detalhar aqui o que tenho observado, porém é possível resumir que apenas o internet Bank, o suposto ‘gerente pessoal’, não surte mais o efeito de outrora. Há uma demanda muito grande por especialistas em gestão financeira pessoal e em investimentos focados nos objetivos do cliente.”

Na esfera global, o Comitê de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), que atua como braço operacional para assuntos financeiros do G-20 (grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo), fez um alerta no mínimo curioso. Segundo comunicado emitido no fim de fevereiro, assinado pelo diretor Mark Carney, que também é presidente do Banco da Inglaterra (BoE), uma das prioridades da entidade em 2016 é ficar de olho nas fintechs e “avaliar as implicações sistemáticas das inovações tecnológicas nas finanças e o risco que pode surgir das rupturas operacionais”. Isso é medo ou prudência, senhor banqueiro?

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Apostas e barreiras

Bruno Diniz, formado em comércio internacional e com oito anos de atuação em bancos de investimentos, acompanha o movimento de fortalecimento das fintechs na América Latina há três anos, mas em 2015 decidiu mergulhar de cabeça no setor. Ele se tornou representante brasileiro da NextBank (plataforma aberta e colaborativa de eventos focada em fintechs, com base em Singapura) e ainda fundou a InnerCore Solutions, consultoria para empresas de serviços financeiros.

“Tudo ainda é muito novo, inclusive uma definição clara sobre o que é uma fintech. Muito se fala do aspecto tecnológico, mas gosto da explicação que diz que o diferencial é trazer um novo modelo de negócios ao segmento e colocar o usuário no centro do serviço”, diz.

Bruno espera o início da consolidação de alguns modelos de fintechs ainda neste ano e avalia que nem todas as empresas vão sobreviver – como já vimos em outras newsletters, a mortalidade nas startups é sempre alta.

Veja abaixo os setores de potencial na visão do especialista e confira uma recomendação antes de ingressar no mercado.

– Block Chain é uma plataforma tecnológica por trás dos registros e transações feitos em Bitcoin (moeda criptografada). Além dos valores, ela pode certificar outros ativos digitais. Por enquanto, a única empresa no Brasil é a Original MY, que certifica contratos, obras artísticas (como música), marcas e patentes, entre outros.

– Bidu é uma startup que funciona como corretora on-line, mas tem potencial para expandir a atuação. No exterior, algumas empresas começam a explorar o uso de sensores para analisar o valor dos prêmios. Por exemplo, seu carro recolhe dados que serão avaliados pelas seguradoras e, se você for um bom motorista, pagará menos. Isso será potencializado pela tendência de Internet das Coisas, que fará surgir novas fintechs. Parece futurístico? Então veja o programa da seguradora britânica Nationwide.

Legislação:

Para quem deseja atuar no setor, é imperativo entender as regras e as restrições. Bruno lembra da startup alemã Lendico, plataforma de empréstimos on-line entre pessoas físicas, que, para agir no Brasil, teve que se tornar correspondente bancária do banco BMG, instituição credenciada a liberar empréstimos aos usuários. Ou seja, mudou o modelo de negócios…

A Broota, plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo) que conecta investidores a empreendedores, também teve de mudar a ideia inicial para conseguir operar. A intenção era funcionar de acordo com os modelos gringos de equity crowdfunding (que funciona com o financiamento direto do investidor para a empresa), mas esbarrou nas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Por isso, a Broota teve que começar a atuar apenas por meio de oferta pública de valores mobiliários, enquadrando-se nas regras de pequenas e médias empresas, com as captações sempre informadas previamente.

A CVM ainda estuda como regulamentar o equity crowdfunding (veja aqui a análise feita por ela no ano passado), mas o processo não tem data para acontecer. Segundo a assessoria de imprensa, há previsão de realização de audiência pública ainda neste ano.

“Os modelos de fora terão de ser ‘tropicalizados’ para a realidade brasileira”, reforça Bruno, que sugere a contratação de uma boa assessoria jurídica.

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Players

Conversei com dois empreendedores de startups para entender melhor os desafios do dia a dia.

Criado em 2015 em parceria com o Sebrae, o aplicativo de celular Qipu ajuda Microempreendedores Individuais (MEI) a fazer a contabilidade e a emitir Nota Fiscal Eletrônica. Miguel Galves, cofundador da startup, que tem entre os investidores, Romero Rodrigues, criador do Buscapé, diz que a ideia surgiu em 2014, após uma conversa com a entidade sobre como poderiam ajudar empresários com faturamento de até R$ 60 mil.

O aplicativo, utilizado por mais de 100 mil pessoas, é gratuito. Então, como a empresa, que não revela quanto recebeu de recursos do Buscapé, ganha dinheiro? “Como o MEI tem baixo faturamento, optamos por não cobrar diretamente. Sabemos que a categoria é uma porta de entrada para o empreendedorismo e, conforme [os empreendedores] crescerem e saírem do regime, queremos oferecer serviços mais avançados. No entanto, ainda estamos desenvolvendo e testando soluções internamente”, diz Miguel.

Segundo ele, o mercado de fintechs no Brasil é muito promissor, já que a burocracia brasileira é grande e a tecnologia pode auxiliar na agilização dos negócios. “Para ter sucesso, as startups precisam simplificar processos e ofertar tecnologias fáceis de usar”, observa.

A corretora on-line Bidu explora o segmento de seguros. Criada em 1995 como uma empresa tradicional do ramo, ganhou foco on-line em 2011.

“Em 2011, um dos sócios, que fazia uma viagem à Inglaterra, percebeu iniciativas do gênero e viu que elas poderiam dar certo no Brasil”, conta Rodolpho Gurgel, CEO e sócio da Bidu . Desde então, os clientes podem cotar e adquirir apólices as mais variadas (como de veículos, de residências e de celular) pela plataforma.

Em 2011, a Bidu recebeu um primeiro aporte (de valor não divulgado) da seguradora MBS Seguros e do fundo de capital de risco (venture capital) Monashees Capital.

Em 2012, houve mais investimentos, desta vez dos grupos Bertelsmann e Otto Capital Partner. Em 2014, houve uma terceira rodada de investimentos, no valor de R$ 20 milhões, do fundo Amadeus Capital, com participação da Monashees Capital, Bertelsmann e Otto Capital Partner.

Com a mudança, a empresa notou que, além de em qualidade na tecnologia e em atendimento ao cliente, precisava investir no aspecto educacional do consumidor da plataforma, explicando os detalhes e o passo a passo para tornar o assunto e a compra mais palatáveis.

Hoje, a Bidu tem cerca de 30 mil clientes diretos, mas o número real é maior por causa de parcerias com corretoras menores, que também utilizam a plataforma para fechar vendas. “No começo, nosso público-alvo era o consumidor do segmento de carros mais vendidos. Atualmente estamos entrando em nichos, inclusive em cidades distantes, com seguros para carros blindados e seguros residenciais”, conta Rodolpho.

Segundo ele, para quem está fora do mercado, parece que o surgimento das fintechs é recente, mas são empresas que estão batalhando há muito tempo, com o desafio de adaptar os modelos surgidos no exterior. “Este momento de crise no Brasil é favorável para nós, pois facilitamos a vida do consumidor”, avalia.

Mão na massa!

O mundo das fintechs é bem interessante, mas acho importante deixar impressões sobre dois aspectos comuns nas conversas com os entrevistados. A primeira é a bagagem dos empreendedores, que têm experiência prévia no mundo das startups ou no das finanças. E a segunda é o suporte financeiro dos grandes grupos, que não é para qualquer aventureiro.

Como falamos, as fintechs são um nicho muito específico, mas creio que os empreendedores interessados não devem se intimidar. Lógico que conhecer bem o ramo é uma das chaves para o sucesso, porém não é só isso. Você se lembra de nossa primeira newsletter, que falava sobre como usar problemas para criar negócios? Então, se você detectou algo e não encontrou concorrente, pode ter achado sua ideia para uma startup. E pode ficar tranquilo que estou de olho nas novidades para apresentar para você.

Na próxima semana, já aviso que vamos polemizar! Vocês devem ter visto, no nosso novo blog, o posicionamento da rede de franquias Habib’s em apoio às manifestações contra a presidente Dilma. Nossa proposta é discutir o que ocorre se um franqueado não apoia o posicionamento. Quais os limites da relação entre franqueadoras e franqueados?

Isso mesmo, vamos entrar em uma área cinzenta. Não perca!

Ao trabalho!

André Zara

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