Como escolher um sócio

Saiba o que você deve considerar antes de fechar uma parceria de negócios

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Como escolher um sócio

Olá,

Hoje quero discutir um assunto muito sério. Como sempre digo, empreender é um caminho difícil. Por isso, muitos preferem ter um sócio para dividir o trabalho, os riscos financeiros e as preocupações de um negócio. A estratégia é boa, mas, se não selecionar bem o parceiro, você estará plantando a semente de um grande problema que pode até causar o fim de sua empresa.

Quem nunca ouviu uma história de desentendimento entre sócios? E a coisa fica pior quando os parceiros são da família, uma receita para estragar os almoços de domingo, se tudo der errado.

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Recentemente, testemunhei alguns casos que me levaram a abordar o assunto com você. De fato, achei tão importante que preparei um conteúdo especial no relatório Você Investidor de junho. Consultei diversos especialistas para falar sobre o tema:

 

  • Como escolher a pessoa ideal para ser seu sócio;
  • Tipos mais comuns de sociedades empresariais;
  • Como definir cotas e retirada de lucros de um negócio;
  • Cuidados necessários no contrato social para se prevenir de problemas;
  • Como avaliar se vale a pena se tornar sócio de uma empresa já existente; e
  • Empresa familiar – um caso sobre como lidar com os desafios de convivência.

 

CLIQUE PARA TER ACESSO AO RELATÓRIO

 

É um material bem completo para ajudar você a não errar e não passar por situações que tenho presenciado. Um mercadinho perto de casa fechou, após menos de um ano, por problemas pessoais entre os donos – um casal com um filho recém-nascido. Intempestivos e passionais, os cônjuges viviam brigando publicamente por causa de ciúmes. Infelizmente, as discussões afetivas acabaram com o empreendimento justamente quando ele começava a dar certo. O resultado foi um duplo prejuízo: casamento encerrado, negócio fechado.

Uma amiga também se desentendeu com o sócio recentemente, após dois anos de parceria, e agora está em dúvida se fica no negócio ou se abandona todo o investimento e o trabalho de construção da marca da empresa. O problema é a incompatibilidade de gênios: o sócio da minha amiga não acredita em processos, planejamento e controle financeiro. É um excelente técnico, mas sem nenhuma preocupação com gestão, o que a sobrecarrega com todas as decisões difíceis.

Com essas histórias comuns em mente, apresento aqui algumas dicas para você selecionar seu futuro sócio.

A pessoa certa

O mais comum ao escolher um sócio é recorrer a amigos ou familiares. Ninguém é mais confiável, certo? Não necessariamente. De nada adianta ter afinidade se vários outros fatores não estiverem presentes para que a parceria seja benéfica nos negócios.

Para responder a essa questão, conversei com o Gustavo Junqueira, da Inseed Investimentos, gestora de fundos de private equity que seleciona empresas para investir. Com 47 empresas no portfólio, o sócio-diretor se tornou especialista em escolher parceiros e revelou as etapas do processo de seleção da gestora.

Avaliação psicológica – antes de fazer os investimentos, o candidato a sócio do fundo passa por uma análise feita por psicólogos que avaliam seu perfil e os aspectos comportamentais de empreendedorismo que podem melhorar. Como lembra Gustavo, isso é importante, pois, no começo, todo mundo quer agradar e faz de tudo para vender. É claro que você não vai pedir que seu futuro sócio faça uma avaliação psicológica, mas a dica é pensar sobre o assunto. O importante é descobrir se os seus perfis são complementares. Alguns são mais tímidos; outros mais extrovertidos. Além disso, ninguém domina todas as áreas do negócio. Você é mais vendedor? Talvez seja interessante procurar alguém que goste de administração. Claro que isso não é um dogma, mas, com certeza, há benefícios em ter um sócio cuidando de uma área com a qual você não tem afinidade e experiência.

Avaliação monetária – essa é uma questão sensível, porém é necessário analisar a vida financeira pessoal do futuro sócio, já que os problemas dele podem se refletir na empresa, inclusive juridicamente. Leve em consideração como ele age com suas finanças pessoais e reflita se você se sentirá seguro ao se afiliar. É importante saber: segundo o SPC Brasil, não é permitido que pessoas físicas chequem outras pessoas físicas – você só poderia fazer isso se tivesse um CNPJ. Uma opção é ter uma conversa franca (e delicada) com o futuro parceiro. Quanto dinheiro você reservou para o negócio? Como conseguirá se manter enquanto a empresa não der lucro?

 

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Vale ainda ficar atento às dicas da professora de marketing da Emory University (EUA) e autora do livro Partnering with the Frenemy (Parceria com o Amigo/Inimigo , em tradução livre), Sandy Jap. A autora diz, com base em suas pesquisas, que as parcerias de negócios mais falham do que têm êxito e analisa por que muitos sócios começam como amigos e se tornam inimigos.

Sandy indica cinco passos para ajudá-lo na escolha do sócio ideal:
Encontre alguém com habilidades que você não possui e que o complete como empreendedor;
Busque alguém que seja direto e franco com você;
Pense em como as relações pessoais serão afetadas se o negócio der errado. Vale a pena arriscar?;
Melhor escolher alguém confiável e previsível. Você deve fugir de oportunistas carismáticos e de pessoas capazes de pequenas trapaças; e
Procure parceiros dentro de toda a sua rede de contatos, não se concentre só na família.

Muitos sócios ou poucos sócios?

A pesquisa “Causa da Mortalidade das Startups Brasileiras”, feita pela Fundação Dom Cabral em 2012, mostra que um dos três principais fatores para o fechamento das empresas é o número de sócios.

Segundo o estudo, a cada sócio que trabalha em tempo integral na empresa, a chance de descontinuidade aumenta em 1,24 vez. As principais razões levantadas para os problemas são o desalinhamento de interesses pessoais e profissionais dos fundadores, os desentendimentos e o mau relacionamento, bem como a falta de identificação pessoal dos fundadores com o negócio.

“É razoável pensar que o grau de envolvimento dos sócios exigido na gestão de uma startup e o alto dinamismo necessário para a tomada de decisões nesse tipo de empresa dificultam a sintonia entre pessoas diferentes. Enquanto em um negócio tradicional a atuação de cada profissional é bem definida e o cenário necessário para uma melhor performance é mais estável, em uma startup os empreendedores assumem mais de uma função e precisam pivotar [ mudar a estratégia de negócio, na linguagem das startups] com frequência para encontrar o caminho mais promissor”, revela a pesquisa da Fundação Dom Cabral.

Apesar de a análise ser focada em startups, considero que ter muitos sócios pode tornar qualquer empresa mais lenta e dificultar a tomada de decisões. Quanto mais gente você tem que convencer, mais difícil será atingir o consenso sobre uma ação. Pense sobre isso!

Mão na massa!

Não deixe de conferir mais detalhes no relatório Você investidor de junho. Vale a pena!

Também quero avisar aos leitores que, a partir do mês de junho, não enviaremos mais as newsletters do Criando Negócios às sextas-feiras em seu e-mail. Os conteúdos produzidos por mim ficarão disponíveis para nossos assinantes e para os membros do clube WBC Brasil.

Ao trabalho!

André Zara

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