Entrevista com Davi Bertoncello, presidente do Hello Group

Confira bate-papo com dono de conglomerado de empresas de marketing de apenas 33 anos

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
Entrevista com Davi Bertoncello, presidente do Hello Group

“davi-bertoncello-presidente-hello-group”

Olá,

Hoje quero dividir com você uma conversa muito interessante que tive com o Davi Bertoncello, um exemplo de jovem empreendedor que deu certo. Aos 33 anos, ele é presidente e fundador do Hello Group, conglomerado de marketing composto pelas marcas Hello Research (agência de pesquisa de mercado e inteligência), Hello Sports (especializada em marketing esportivo) e NoBeta (mídia digital).

Em 2014, Davi foi listado entre os maiores empresários brasileiros com até 40 anos pela revista Exame PME, pela capacidade de sua empresa de desvendar os desejos do consumidor brasileiro. Hoje, comanda uma equipe de mais de 50 pessoas e já atendeu clientes como Magazine Luiza, Corinthians, Multiplus, Brasil Kirin, Sony, Itaú e Riachuelo.

Na entrevista, ele conta como, em 2010, planejou deixar a carreira de publicitário bem-sucedido para apostar e inovar em um segmento sobre o qual tinha pouco conhecimento, o de pesquisa de mercado. E fala também como continuou os negócios expandindo e abrindo outras empresas. Confira abaixo.

Como surgiu seu desejo de empreender?

Minha mudança foi baseada na insatisfação com a indústria da propaganda. Para crescer na carreira, o publicitário precisa ser individualista. No meu último ano na área, em 2010, eu trabalhava na campanha de um cliente que teve excelentes resultados. Quando fui mostrá-los e pedir um aumento, meu chefe na agência falou que “só se eu ganhasse o festival de Cannes”, não importando o resultado do cliente. Para mim, existia uma dissonância. Como já tinha experiências parecidas em outras agências nas quais trabalhei, percebi que era eu que estava em desacordo com o modelo do mercado. Achei que era hora de empreender.

Por causa da minha profissão, eu tinha alguma experiência com pesquisa de mercado, mas nunca tinha trabalhado com isso. A área se apresentou como uma oportunidade interessante para negócios. Se eu fosse tentar algo no ramo da publicidade, seria difícil inovar, e o esforço teria de ser maior. A minha experiência em entender o cliente e suas necessidades me deu segurança para apostar em técnicas digitais para pesquisa. Quando entrei no mercado, nem 10% das pesquisas eram feitas digitalmente, a maioria das análises era face a face. Hoje isso já avançou um pouco, mas aqui na Hello esse número corresponde a 50%.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Como foi o início da empresa?

Peguei todo o dinheiro que juntei em 10 anos trabalhando com publicidade, mais o da demissão, e me planejei para não ter entrada de capital por nove meses. Em 2011, aluguei uma casa em que só tinha uma mesa e meu computador. Assim nasceu a Hello Research. Fiquei trabalhando sozinho por três meses. Meus amigos me perguntavam porque eu não fazia isso de casa para não ter custo. Mas, para mim, casa não é trabalho. O tempo passou e, de repente, tinha duas pessoas trabalhando comigo, depois três, e assim a empresa foi crescendo.

Eu tive um bom planejamento financeiro e sorte. Programei-me para viver com pouco dinheiro, separando-o para investir na empresa e nas minhas despesas pessoais. Depois de seis meses testando o modelo de negócios, fechamos o primeiro trabalho. Fiquei feliz, mas esse dinheiro não deu para nada (risadas). Porém creio que foi um tempo curto para começar a dar certo.

Qual foi a coisa mais complicada no começo da operação?

Foi a organização da empresa. Estava acostumado a trabalhar em companhias com 500 funcionários e uma grande estrutura. Eu me surpreendi na Hello quando fui procurar papel e caneta e não encontrei. Não foi a burocracia, mas colocar a empresa para funcionar “no automático”, com café, papel, canetas etc.

Mas, ao mesmo tempo, não ter concepções prontas sobre como funciona uma empresa de pesquisa me permitiu formatar a organização de maneira diferente, mais parecida com uma agência, com separação entre atendimento e núcleos de pesquisa. Hoje, isso funciona muito bem e nos dá um diferencial competitivo.

Como fez para conseguir clientes?

É preciso se acostumar com parcerias sem dinheiro. No começo, é você contra o mundo. Como ninguém te conhece, você precisa ofertar algo de graça, o que é comum no mercado. Isso serve para maturação e abre oportunidades de atrelar sua marca a de outras grandes empresas. Um exemplo foi a pesquisa que fizemos para a ONU na Rio+20, que nos deu grande destaque.

Qual é o seu estilo de liderar a equipe?

Eu tento ser o “cara legal”. Uma das coisas que me deixavam chateado quando trabalhava era ter um chefe bom tecnicamente, mas de comportamento questionável com as pessoas.

Por isso, uma das minhas premissas é ser o chefe que gostaria de ter tido. Moldei a empresa assim. Mas não tem nada a ver com ser bonzinho. Quando o funcionário trabalha oito horas por dia, ele tem tempo de chegar em casa e descansar para ser mais produtivo. Além disso, os funcionários não são uma extensão de mim, eles têm ideias próprias e não posso tratá-los somente como operacional.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar com marketing esportivo, em 2013?

No momento em que achei que a Hello Research estava andando sozinha, surgiu a oportunidade da Hello Sports. Ela aconteceu de forma orgânica. Nós produzimos uma pesquisa antes da Copa de 2014 sobre as marcas esportivas mais lembradas, então fomos convidados pelo time do Corinthians para um projeto pioneiro, que unia uma equipe de futebol e uma empresa de inteligência de mercado. Identificamos várias oportunidades, mas, como não havia quem fizesse a operação, lançamos a Hello Sports.

E, no ano passado, surgiu mais uma oportunidade de negócios?

Sim, a NoBeta. Ela surgiu de um investimento-anjo que fiz com a ideia de um amigo, o André Pontual. A empresa foi criada para fazer grandes veículos de comunicação monetizarem suas redes sociais. A ideia é interessante: o Corinthians, nosso primeiro cliente na plataforma, por exemplo, tinha 10 milhões de seguidores no Facebook e não ganhava dinheiro com isso.

No começo da NoBeta, como eu não podia ficar integralmente lá, e o volume de trabalho nos dois primeiros anos de uma startup é surreal, ajudei com pesquisas fornecidas pela Hello Research e grana de investimento inicial na empresa. Eu gosto muito do movimento das startups e sempre procuro ajudar quem me procura para conselhos. A mortalidade dessas empresas é muita alta, por isso devo ser um cara de sorte: acertei três das três tentativas.

Novidade! Empiricus Long & Short

A nova série da Empiricus que já nasce um sucesso.

Quer investir sem usar o seu dinheiro? Clique abaixo e descubra.

Saiba mais

 

Quais os principais erros que percebe nos empreendedores iniciantes que o procuram buscando conselhos?

Vejo dois erros frequentes. O primeiro é ter uma ideia que resolve uma demanda do consumidor, mas que o cliente não sabe monetizar. E isso é uma meia ideia, pois não dá para sobreviver só com dinheiro de investidor.

O segundo é se apaixonar pela ideia de negócio. Os empreendedores vêm preparados para defendê-la e a encaram como um filho. Você não pode ter essa relação, tem de se distanciar. Como trabalhei com publicidade, estou acostumado a trabalhar com ideias. Engraçado que, geralmente, os empreendedores têm uma ideia e estão preparados para protegê-la com unhas e dentes. Mas eu sempre tive 100 ideias para salvar apenas uma.

Além disso, vejo pessoas que não querem contar suas ideias por medo que alguém as copie. Muitos querem minha opinião, mas não querem explicar exatamente como sua ideia funciona. Outros chegam ao ponto de me pedir para assinar um acordo de confidencialidade.

Houve um caso interessante em que estávamos apresentando a plataforma da Nobeta para um grande veículo de mídia. Um dos executivos da empresa me perguntou o que os impedia de copiar o nosso sistema. Eu respondi que ele até poderia tentar e chegar a um resultado parecido. No entanto, ele gastaria milhões de reais e demoraria pelo menos um ano até lançar algo similar, o que me deixava em vantagem. Quem tem medo não faz nada.

Como especialista, quais dicas dá aos empreendedores para fazer boas pesquisas para embasar seus negócios?

É preciso encontrar as respostas certas e a maioria delas está no Google. Você encontra pesquisas feitas por associações do setor, dados oficiais etc. Só isso responderia muitas dúvidas.

Outra coisa: você fez um benchmarking da sua ideia? Uma vez, um garoto veio me contar sua ideia, que era interessante, e eu perguntei quem eram os concorrentes. Ele falou que não tinha, mas eu dei uma busca rápida no celular e achei três ou quatro. Quando fiz a mesma pergunta a outro empreendedor, ele me disse que sua ideia já havia sido desenvolvida por uma empresa, mas que ela havia falido. Eu perguntei o porquê e ele não sabia. Não dá para ignorar isso.

Mão na massa!

Na semana que vem, vou escrever uma newsletter especial sobre como os profissionais liberais podem usar o empreendedorismo para ter mais sucesso em suas carreiras.

Vou apresentar questões muito importantes e dúvidas frequentes sobre precificação e formalização. Se você é um profissional liberal ou conhece um para recomendar este conteúdo, não perca!

Ao trabalho!

André Zara

Conteúdo recomendado