Ganhe dinheiro com seus problemas

Saiba criar ou melhorar negócios percebendo demandas do cotidiano

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Ganhe dinheiro com seus problemas

Olá, meu nome é André Zara e neste nosso primeiro contato vou rapidamente me apresentar.

Nasci em São Paulo e passei parte da infância no interior do estado, nas cidades de Presidente Prudente e Bragança Paulista. Desde que voltei à capital me mudei bastante também e considero mudanças positivas.

Estou aqui para começar a conversar com você sobre empreendedorismo. Trabalho com esse tema há muitos anos, mas não apenas é por isso que estou aqui. É pelo meu fascínio por histórias reais de empreendedores de sucesso. Foi isso que me trouxe até a sede da Empiricus, em São Paulo, e me colocou na equipe do Criando Riqueza.

Escreverei neste espaço uma newsletter semanal sobre empreendedorismo, direcionada principalmente a todos que estão interessados em criar um negócio ou melhorar um existente. O empreendedorismo tem muitos aspectos e o sucesso vem para os que estudam e se empenham.

Eu disse “principalmente”, pois não falarei apenas para esse público. Também falarei para pessoas que hoje têm pouco ou nenhum contato com o universo do empreendedorismo. Afinal de contas, uma nova fonte de renda, promissora e bem estruturada, não faz mal a ninguém, não é mesmo?

Eu não pretendo ser o dono da verdade e ter todas as respostas – mas vou conversar com quem as têm. Também não prometo ser infalível – errar é um importante aspecto de empreender e ensina a melhorar. Quero dar um caminho para que você resolva os seus problemas e enxergue oportunidades, tendo sempre uma mentalidade voltada para os negócios.

Uma relação pessoal

Falando em problemas, essa é o tema da nossa primeira conversa. Eu sempre escuto de pessoas interessadas em criar uma empresa algo como “eu adoro cozinhar, quero abrir um restaurante”. Ótimo, esse é um dos segredos de se dar bem: fazer o que realmente ama.

Mas de que isso adiante se você não encontrar clientes? Uma das melhores maneiras para fazer isso é resolvendo um problema deles.

Algumas grandes companhias já surgiram com esse princípio. O Netflix, por exemplo, foi criado em 1997, para quem não se lembra, entregando DVDs pelo correio na casa das pessoas. O criador Reed Hastings teve a ideia quando esqueceu de devolver um filme alugado e pagou multa de US$ 40. Ele pensou: muita gente passa pela mesma situação, seria legal não ter de sair de casa para resolver isso.

E esse conceito de criar algo em cima de problemas pode ser uma grande sacada, como diz Marcilio Riegert, CEO da aceleradora Start You Up, do Espírito Santo. Para quem não sabe, as aceleradoras selecionam empresas promissoras, investem dinheiro e dão monitoria para garantir o sucesso. Em troca, se tornam sócias delas. E como as aceleradoras escolhem e apostam nos novos negócios? “Um dos itens principais é analisar que ‘dor’ elas resolvem no cotidiano do consumidor”, explica. Por isso, as 32 empresas aceleradas pela Start You Up têm foco em solucionar algo e, seus criadores, uma relação pessoal com o problema experimentado.

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A aceleradora procura empresas que resolvem problemas globais para poder crescer, como, por exemplo, vagas de estacionamento (não seria bom chegar e encontrar um espaço já reservado? Sim, já existe uma companhia para isso, a Payparking). “O grande diferencial que buscamos é um empreendedor que tenha um propósito, acima da vontade de ficar rico e famoso, para depois responder o como fazer”, diz Marcilio.

Ele também lembra como muitos negócios estabelecidos não percebem essa importância e acabam atropelados: “Não foram as cooperativas de taxi que inventaram os aplicativos de celular. Elas não tinham nenhum problema, mas os consumidores sim. Por isso, empreendedores criaram aplicativos como Uber e Easy Taxi.” Por isso, fique atento se a sua empresa ainda está atendendo ou pode melhorar nas soluções”.

 



Dica extra do Marcilio Riegert:
“Pense em como criar empresas e resolver os problemas com pouca grana. Se conseguir isso e trabalhar bem com recursos limitados, vai ter sucesso quando tiver mais dinheiro para investir”.

Problemas são nossos amigos

Imagine que você está assumindo uma área da empresa que não domina dentro uma companhia em franca expansão. O que fazer?

Pois foi o que aconteceu com o engenheiro Christian De Cico ao receber a missão do pai de liderar o setor administrativo da empreiteira da família, na cidade de São Carlos (interior de São Paulo), em 2012.

Oito meses depois, e um curso para entender do que se trata a contabilidade, ele começou a perceber que uma das suas maiores dores de cabeça vinha das notas fiscais. Umas sumiam nas mãos dos colaboradores no caminho, outras sequer chegavam. “Fui cavando até entender a raiz do problema que gerava um efeito cascata em diversos setores, causando descontrole e até multas por não recolher impostos”, diz.

 

Com isso identificado, o caminho óbvio, fácil e rápido foi ir ao mercado buscar uma solução. Mas ela não existia. Em 2014, a empresa resolveu o assunto internamente ao criar um software que consultasse e armazenasse as notas.

O sistema desenvolvido começou a funcionar tão bem que ele parou de incomodar os fornecedores e clientes, o que gerou perguntas. E como em cidade pequena as notícias correm rápido, logo todo mundo queria saber como a empreiteira tinha feito. “Os empresários me ligavam e mandavam e-mail constantemente. Foi quando percebi que, como eu, independente do porte ou segmento, todos tinham o mesmo problema”, conta.

A oportunidade parecia clara e, logo, ele reuniu 70 empresas para um teste gratuito para melhorar o produto. No final de 2014, com a confiança alta, foi hora de ir ao mercado e lançar a Arquivei, uma solução totalmente online que permite atender clientes em todo o Brasil na gestão de notas fiscais. Um ano depois, os 70 clientes se tornaram 14 mil (entre eles o McDonald’s e todas suas lojas) e de quatro funcionários agora, já são 21. Com o crescimento rápido, o engenheiro passou a ser conselheiro na empreiteira da família e se dedicar totalmente a sua jovem empresa.

Faça como Christian De Cico fez:

– Encontre a raiz do problema, não os sintomas.

– Encontrou? Pesquise no mercado se existe uma solução adequada. Mesmo que exista, ela pode ser melhorada?

– Outras pessoas/empresas têm o mesmo problema ou é algo particular? Se for uma questão muito específica pode não haver mercado. Se sim, quem são e onde estão os clientes?

– Organize teste de produto/serviço gratuitamente.

Propósito de vida

A filha de Ronaldo Canova vivia reclamando por não conseguir tomar sorvete – é alérgica a corantes. Ele sempre respondia: “Você é sortuda, porque assim come corretamente. As pessoas ingerem muita química e nem sabem”.

Com isso em mente, em 2012, Ronaldo sentiu aquele desejo de abrir próprio negócio, porém, queria fazer a diferença na vida das pessoas. Começou a se interessar pelo mercado de sorvetes e o destino deu uma força quando sua mulher conheceu o dono de uma fazenda de orgânicos, que já vendia polpa de frutas, o que era o diferencial de mercado que Ronaldo procurava.

Conversando com o dono da fazenda (hoje também sócio da empresa) soube que ele tinha parentes com intolerância a lactose.

Outro sócio, engenheiro de alimentos, também tinha filha com a intolerância. “Senti uma demanda, não só para a questão da alimentação saudável, mas também de pessoas com restrição não atendidas pela indústria tradicional”, relembra. Por isso, a primeira aposta foi o Sorbet, um sorvete sem leite e gordura.

 

O lançamento da marca La Naturelle, que tem base em Osasco, logo chamou a atenção, tanto de pequenas lojas especializadas como de grandes redes, como Pão de Açúcar. E até segmentos que Ronaldo nem imaginava vieram correndo: a colônia judaica, por restrições religiosas, queria o sorvete sem leite. Com o sucesso, o faturamento da empresa começou a dobrar a cada ano. Em 2014, decidiram abrir a primeira loja própria, na rodovia Castelo Branco, que serve o sorvete e outros produtos foram sendo acrescentados – este ano a novidade é pão de queijo orgânico. “Hoje focamos na questão do orgânico e estamos criando produtos com leite, porque os clientes pediram”.

Com isso, o foco da empresa passou a ser desenvolver novidades com base nos desejos do consumidor, seja o escutando na loja própria, dos donos das empresas que revendem os produtos e do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). “Não adianta sentar em uma sala e tentar adivinhar o que as pessoas desejam. É preciso ouvir e dar o que elas querem”. Hoje a La Naturelle tem produtos em 300 pontos de venda, espera crescimento de faturamento de 15% neste ano e planeja abrir outra loja, desta vez na cidade de São Paulo, em 2016.

“Não adianta sentar em uma sala e tentar adivinhar o que as pessoas desejam. É preciso ouvir e dar o que elas querem”

– Ronaldo Canova, CEO da La Naturelle

 

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Mão na massa!

 Agora que você já entendeu, proponho um exercício. Para ser empreendedor é preciso ter um comportamento voltado para negócios e é isso que vamos desenvolver juntos.

 Nesta semana, quero que toda vez que você entrar em uma empresa ou usar um serviço pense no problema que ele resolve – e se realmente resolve.

 Pense com a cabeça de consumidor, mas depois analise detalhes de como o negócio monta sua estrutura para isso, desde a localização, equipe, etc.

 Como segunda parte do exercício comece a anotar os problemas do seu cotidiano e rascunhar como um negócio poderia ajudar a resolver.

 Se quiser dividir comigo e com os outros leitores, mande um e-mail e vamos iniciar a nosso brainstorming. E fique ligado que semana que vem eu vou mostrar uma ferramenta para transformar essas ideias em modelos de negócios.

 Abraço e sucesso!

André Zara é um apaixonado por empreendedorismo. Formado em jornalismo pela FMU/FIAM/FAAM, trabalha com esse tema há quase dez anos. Entrevistou centenas de empresários e especialistas em negócios para os jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, publicações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e do Sebrae-SP. Por onde passou, deixou saudades. Agora ele estará com você aqui no Criando Riqueza, todas às sextas-feiras, escrevendo sobre pequenas empresas e novos negócios.

 

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