Lugar de mulher é na diretoria!

Sem espaço para o preconceito, confira três histórias inspiradoras de empresárias

Lugar de mulher é na diretoria!

Olá,

Como na próxima terça-feira (8), comemora-se o Dia Internacional da Mulher, quero colocar a mulher no centro desta newsletter. Mas, em primeiro lugar, pretendo deixar claro que não acredito em separação de gêneros no empreendedorismo, pois não existem diferenças. As atitudes necessárias para o sucesso são as mesmas.

Desejo mostrar o empreendedorismo como uma alternativa ao mercado de trabalho, que, conforme diversas pesquisas, ainda é desigual para as mulheres em termos de salário e chances de promoção. Ao ter o próprio negócio, você não enfrentará essas barreiras porque será sua própria chefe!

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Minoria/maioria  

Vimos uma evolução das mulheres brasileiras no mundo do empreendedorismo nos últimos tempos. Em 2015, o total de empreendedores do país era de 39,3 milhões, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o estudo mais completo realizado sobre o tema.

Desse universo, 21 milhões de empreendedores estavam no chamado estágio inicial (desde o planejamento do negócio até empresas abertas com menos de 42 meses de operação) e eram representados em pé de igualdade: 51% eram homens e 49%, mulheres. Mas nem sempre foi assim. Quando a análise foi realizada pela primeira vez, em 2002, a proporção era de 57,6% homens e 42,4% mulheres.

Os avanços no empreendedorismo contrastam com o mercado de trabalho tradicional, no qual velhos problemas persistem. De acordo com o IBGE, as mulheres ainda recebem em média o equivalente a apenas 74,5% do salário dos homens (no Mato Grosso do Sul, a representação é de 65,1%, o menor valor registrado). E você sabe o que é pior? Na avaliação, constatou-se que elas tinham mais estudo (8 anos, em média) do que os homens (7,5 anos).

Mas o Brasil não está em descompasso com o mundo. A pesquisa da ONU “Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformar as economias para realizar direitos” revelou que as trabalhadoras recebem salário 24% inferior ao dos homens quando exercem a mesma função.

Você pode pensar que isso só acontece na base, mas duas entrevistas que fiz com executivas de alto escalão ao longo da minha carreira de jornalista, me fizeram perceber que o problema é mais abrangente.

– Em 2010, a presidente da companhia de transporte e logística UPS, Nadir Moreno, que fazia parte do Lide Mulher – Grupo de Mulheres Líderes Empresariais, contou que havia uma diferença salarial de até 25% mesmo no topo das empresas.

– No ano passado, a presidente da TAM, Claudia Sender, revelou ter escutado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que, no ritmo atual, vamos demorar 80 anos para superar a diferença de gênero.

Um estudo da consultoria HAYS, com profissionais de nível gerencial, mostrou que uma em cada duas mulheres (48%) considera que não recebe as mesmas oportunidades que os homens que ocupam a mesma posição dentro da companhia.

E você? Já sentiu essa situação no ambiente de trabalho? Agora vou dar três exemplos de empreendedoras para você se inspirar. Confira!

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A líder

cr-negocios-040316-02Cristina Franco é a atual presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Assumiu o cargo em 2013, com toda a experiência de quem está no segmento de franquias desde 1994 – ano em que a empresa de dois sócios lançou a marca de ensino de informática Bit Company para franqueados. Vindo de uma carreira de executiva em grandes empresas, Cristina viu no empreendedorismo uma forma de segurança, pois, no começo da década de 90, a economia e o desemprego geravam incertezas para todos os brasileiros empregados.

“Apesar de não ter tido uma experiência prévia em empreendedorismo, nunca tive medo de assumir riscos. Creio que ter competido como nadadora quando era adolescente me deu essa base. O esporte ensina a ter força mental, tanto para ganhar quanto para perder”, afirma.

Ao fundar a Bit Company em 1992, ela e os sócios foram pioneiros no mercado, pois a internet engatinhava no país. Foi uma aposta no futuro que se provou acertada. Quando a empresa foi vendida (por valor não divulgado) para o Grupo Multi, em 2010, já tinha mais de 200 unidades.

Mas, novamente, a visão de mercado que a fez criar a empresa também levou a executiva a se desfazer dela. “Foi uma decisão pragmática, pois sabíamos que o mercado de educação vinha se consolidando, desde 2007, com grandes grupos de educação e idiomas. Negócio é como filho, você não cria para si, mas para o mercado”, conta.

Cristina deixou claro em nossa conversa que empreender é fazer escolhas e que essas escolhas também dizem respeito à vida pessoal. “Optei por ter apenas um filho, que nasceu em 1985, por causa da carreira. Mesmo podendo, sabia que outros tornariam minha vida mais complexa.”

Por ter tido que lidar com essas e tantas outras questões pertinentes à condição feminina, quando assumiu a presidência da ABF, Cristina instituiu um comitê para debater o papel das mulheres no mercado de franquias, unindo franqueadoras, franqueadas e executivas do setor.

Segundo estudo da associação, em 2015, 46% das franqueadoras não tinham mulheres em cargos executivos. “Temos que reconhecer a importância da discussão e nos posicionar para alcançar a igualdade de gêneros”, defende a presidente da ABF. A missão do comitê é desenvolver lideranças femininas, discutindo a equidade de gêneros no âmbito empresarial.

Cristina também é mentora de empreendedoras no programa Winning Women da Ernest Young há dois anos, junto com outras empresárias de sucesso. “É muito recompensador, porque vejo os resultados de crescimento das empresas na prática”, conta.

Além dos papéis de presidente da ABF e de mentora, Cristina assumiu, no ano passado, o comando da rede de franquias de lavanderias 5àsec, com mais de 400 unidades espalhadas pelo país. “Eu cheguei com a missão de profissionalizar a gestão.  Estou muito feliz com o momento, pois esse é o benefício de ser bem-sucedida: posso escolher
os desafios que me fazem feliz”, completa.

Dica da Cristina:

“Sempre busque conhecimento, pois é importante estar atualizada no mundo complexo de hoje. E seja resiliente: vai haver momentos de dificuldade e você pode até quebrar, mas tem de saber se levantar para ter sucesso. ”

 

Profissional liberal empreendedora

Quando a mãe de Carla Sarni, uma cabelereira viúva, comprou uma loja de roupas na cidade de Pitangueiras, no interior de São Paulo, sua primeira providência foi ensinar os segredos dos negócios à filha de 12 anos. “Quem sabe vender nunca passa fome”, dizia.

E ela seguiu o conselho à risca. Quando cursou a faculdade de odontologia em Alfenas (MG), vendia produtos da loja da mãe para se manter e, quando a situação apertava, também oferecia doces e água na frente da faculdade. “Nunca tive vergonha, pelo contrário, isso me ajudou a fazer muitos amigos”, relembra Carla.

Em 1994, foi para São Paulo exercer a profissão de dentista. No terceiro consultório em que trabalhou, na zona leste da cidade, conseguiu tocar o negócio como queria. E foi lá que solidificou os pilares centrais de sua futura rede de franquias, a Sorridents: qualidade no serviço, facilidade de pagamento e preço justo.

Em 1995, comprou o consultório onde trabalhava por R$ 120 mil, com uma entrada de R$ 20 mil e com o parcelamento em 10 vezes dos outros R$ 100 mil, fruto de muito suor. “Para conseguir honrar o compromisso, atendia os clientes das 8h às 22h, inclusive aos sábados”, revela. Aplicando sua fórmula, começou a expandir a atuação para as salas comerciais vizinhas e convidou outros especialistas para trabalhar na empresa.

Nesse ritmo de trabalho, conseguiu abrir a primeira unidade da marca Sorridents em 2001 e, quatro anos e 23 unidades depois, passou a planejar o negócio de franquia, concretizado em 2006.

Mas não pense que foi fácil. No comando de uma rede com 203 unidades – e planos de abertura de outras 50 este ano –, Carla teve que superar muitos desafios pessoais, inclusive uma crise matrimonial (o marido trabalha com ela na empresa) e falta de tempo para os dois filhos pré-adolescentes. “Como mulher, sempre tive de lidar com a sobrecarga de trabalho. Tento passar o máximo de tempo de qualidade com a família, mas não dá para ficar muito tempo longe do negócio”, admite.

Dica da Carla:

“Acredite no seu sonho, mas saiba que ele tem prazo de validade. Você precisa ter metas e cumpri-las para ter sucesso. ”

 

Negócio de mulher

Em 2008, a bancária Agda Oliveira, de Brasília, realizou um conserto em seu carro que jamais esqueceu: o mecânico a enganou e inventou problemas para o veículo. “Com o prejuízo, resolvi nunca mais ser enganada e fui fazer um curso para entender mais sobre o assunto”, conta.

Agda tomou gosto pelo funcionamento dos carros e, como já sonhava em abrir o próprio negócio, decidiu unir os interesses. Fez cursos no Sebrae e pesquisou o mercado, com foco em abrir uma oficina só para mulheres que, como ela, tinham dificuldade na hora de contratar um serviço confiável. Nos dois anos seguintes, manteve as preparações e tentou convencer o marido a investir os R$ 60 mil guardados para a compra da casa própria no negócio. Teimosa que só, conseguiu.

Sua oficina mecânica foi aberta em 2010 com apenas um funcionário – um mecânico homem. Mas o plano de segmentar o público não deu certo de início, já que ainda não tinha clientes.

“No começo, foi difícil convencer as pessoas de que mulher podia entender de mecânica – inclusive outras mulheres desconfiavam”, lembra. Após um ano, com uma carteira de clientes já formada, decidiu pintar o espaço de rosa e focar nas consumidoras, o que não agradou a todos. Seu mecânico, considerado um excelente profissional, não se sentiu confortável e pediu demissão.

cr-negocios-040316-03(Agda Oliveira, no centro, na cerimônia do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios)

E quais os diferenciais para atrair o público feminino? Agda conta que passou a explicar com detalhes para cada cliente os problemas e o funcionamento do carro, com uma aproximação didática para dar transparência ao serviço.

Outra inovação foi transformar seu pior dia de movimento de clientes no melhor. Assim surgiu a “TPM” (terça pra mulheres), com a oferta de descontos e de serviços de beleza para as consumidoras, realizados por meio de parcerias, enquanto esperam o concerto do carro.

Pelas inovações, Agda foi premiada com o troféu Mulher de Negócios do Sebrae de 2012, competição que reconhece nacionalmente empresárias, objetivo dela desde o primeiro ano de empresa aberta, em 2010. “Consegui na terceira tentativa. Eu queria e fui atrás, pois adoro desafio. O bom é que o concurso dá feedback, por isso, em cada tentativa sabia o que tinha de melhorar. Eu precisava amadurecer a empresa e fidelizar os clientes para que falassem bem de mim”, revela.

Hoje, sua oficina tem oito funcionários (três mecânicas mulheres), e Agda diz atender 400 clientes por mês, 70% mulheres. “Atualmente estou focada na fidelização de clientes. Em vez de fazer ações generalistas busco atuar cliente por cliente. Analiso o serviço que cada uma comprou e entro em contato, geralmente pelo WhatsApp, para entender como melhorar”, afirma.

Um sonho antigo é abrir franquia do seu negócio. “É um grande investimento financeiro. Já tive vários interessados, mas preciso que o franqueado seja uma mulher para entender a alma do negócio”, diz a empreendedora.

Mão na massa!

Quero deixar registrado que foi uma aula de empreendedorismo entrevistar as empresárias! Mesmo com todos os desafios, elas lutaram e tiveram sucesso. Espero que sirvam de inspiração para você.

Na próxima semana, vou falar de um segmento de empresas que está despontando. São as chamadas “fintechs”, as startups voltadas para o setor financeiro. Elas lutam para entrar em um mercado gigantesco e com muito dinheiro. Fique ligado!

E, como sempre, se tiver sugestões ou dúvidas é só me mandar um e-mail. Quem já fez isso sabe que eu respondo. Adoro bater papo!

Ao trabalho!

André Zara

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