Startups invadem o setor financeiro

Tendência abre mercado bilionário para empreendedores

Startups invadem o setor financeiro

Olá,

Hoje vamos falar de uma tendência que está fazendo bastante barulho no mundo das startups: a multiplicação das chamadas fintechs, empresas de tecnologia focadas no setor financeiro.

Muitos acham que este é o início de uma revolução, de um progresso que ameaça principalmente os bancos e que vai mudar a forma como as pessoas lidam com o dinheiro. Mas não estamos falando apenas da área bancária. As startups estão investindo na criação de tecnologia para gestão de negócios, financiamento, seguros, pagamentos etc.

Se esse modelo já mudou a estrutura do varejo (com o e-commerce) e do transporte (com o Uber), por que não mudaria esse segmento tão burocrático e cheio de reclamações do consumidor?

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Nova onda  

Quem é leitor do Criando Riqueza sabe que sempre incentivamos vocês a questionarem as soluções apresentadas pelos bancos e a procurarem alternativas em outros tipos de instituições financeiras. Nosso guru do WBC, Mark Ford, foi ainda mais enfático ao recomendar que você “demita” seu gerente de banco.

A insatisfação com o modelo bancário tradicional abre espaço para as fintechs entrarem em cena e resolverem as “dores” dos consumidores. E como dói. Entre as 10 empresas mais reclamadas em 2015 na lista do Procon-SP, três eram instituições financeiras…

Movimento semelhante já foi visto no mercado de terminais de pagamentos. Até 2010 havia exclusividade entre as bandeiras de cartões e as operadoras, o que praticamente garantia um monopólio do mercado pela Cielo e pela Redecard. Com o fim do modelo, que permitia que cada uma tivesse direito sobre as bandeiras de cartão de crédito Visa e Mastercard, respectivamente, as startups começaram a explorar o mercado. O foco era facilitar a vida dos empreendedores, obrigados a pagar o aluguel das “maquininhas”.

Fique atento, pois no relatório “Você Investidor” de abril vou falar das opções de pagamento mais vantajosas para os empreendedores. Não perca!  

 

Companhias como a Payleven logo desenvolveram opções para pequenas empresas, oferecendo um dispositivo de leitura que, acoplado ao smartphone, permitia ler a tarja magnética de cartões de crédito, criando assim uma opção para pagamento.

“Quando começamos, em 2012, o termo fintech ainda não existia, ele foi cunhado recentemente. Nosso primeiro produto foi lançado para entender o consumidor e solidificar nossa proposta de valor, que é simplificar a vida dos empreendedores”, afirma Adriana Barbosa, diretora-geral e responsável por fundar a unidade da Payleven (empresa de origem europeia) no Brasil.

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Em outubro de 2013, a empresa foi pioneira no Brasil ao oferecer um leitor que reconhece o chip dos cartões, o que também permitiu o recebimento por débito. O foco continua nos autônomos, nos profissionais liberais e nos microempreendedores. Hoje, a Payleven tem mais de 170 mil usuários no país. A meta audaciosa para 2016 é dobrar esse número.

A Payleven não cobra mensalidade e nem taxa de adesão, mas é preciso pagar pelo leitor, vendido em 12 parcelas de R$ 32,90. Cobra-se uma taxa que varia entre 2,49% e 3,39% por operação, de acordo com as modalidades (débito ou crédito) e o volume: quanto mais vendas, menores as taxas.

No ano passado, a Payleven teve mais uma sacada para seu público: fez parceria com a Visa para atender os consumidores não bancarizados. Segundo a Febraban, eles representam 40% da população economicamente ativa. “Descobrimos que parte dos possíveis clientes não tinha nosso sistema de pagamento por não ter conta. Por isso, criamos um cartão pré-pago pelo qual eles podem receber diretamente. Hoje, 10% dos usuários já o utilizam.”

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Possibilidades

Para mapear esse movimento de startups no Brasil, a empresa especializada em inovação nos negócios, Clay Innovation, criou, em 2015, o FintechLab, um site de notícias e eventos para empreendedores e investidores. A iniciativa tem um levantamento muito interessante de fintechs e de sua distribuição por setor (a última atualização é de setembro do ano passado, mas deve haver uma nova edição em março).

“Começamos a perceber que o movimento está se solidificando há dois anos e, atualmente, estimamos que existem cerca de 150 startups do tipo no Brasil”, afirma Marcelo Bradaschia, cocriador do Fintechlab e sócio da Clay Innovation.

Analisando o mapeamento do Fintechlab (que distribui as empresas em nove setores) vemos algumas tendências:

– O segmento de pagamentos, no qual empresas como a Payleven atuam, representa o maior em número de startups. “O setor é o mais concorrido por causa do varejo e do comércio on-line que sempre precisam de soluções melhores”, diz Marcelo. A abertura do mercado de adquirentes, em 2010, também contribuiu para a maior demanda.

– O desenvolvimento de sistemas para gestão financeira, como o da Conta Azul (focada em pequenas empresas), é outro mercado interessante. “Qualquer solução que automatiza e facilita processos é bem aceita no Brasil por causa da burocracia”, avalia o sócio da Clay Innovation.

– Uma área ainda pequena, mas que, segundo Marcelo, vai crescer muito, é a de Big Data e Analytics para gestão de um grande volume de informações geradas por transações financeiras. O desafio é fazer com que esses dados deem contexto e vantagens para negócios.

– Apesar das incertezas sobre a demanda relacionada ao Bitcoin (moeda criptografada) aqui no Brasil, vislumbra-se um potencial no desenvolvimento da plataforma na qual as transações são certificadas, a block chain. “Ela pode revolucionar o mercado, pois certifica as operações como um cartório. Como funciona em nuvem, de forma direta entre dois usuários e é impossível de alterar, é uma opção segura e barata para homologar transações”, aponta Marcelo.

Financiamento de projetos  

Em fevereiro, o Sebrae-SP divulgou uma pesquisa chamada “Lado A e Lado B – Startups” que mostra em quais áreas os investidores estão mais interessados. Os segmentos preferidos são os de educação e de tecnologia (ambos mencionados por 30% dos entrevistados), de saúde (27%), de transporte/mobilidade urbana (20%) e, por último, de serviços financeiros (17%).

“Os investidores ainda estão observando o desenvolvimento do mercado, principalmente porque alguns segmentos são altamente regulamentados. Mas, conforme cada vez mais empresas forem bem-sucedidas e atraírem consumidores, isso deve mudar”, explica Marcelo.

Não cumprir a regulação pode levar ao fim dos negócios, como no caso da startup Fairplace. Lançada em 2010, ela seguia o modelo de empresas americanas de permitir a pessoas que emprestassem dinheiro diretamente umas a outras, com taxas menores que as dos bancos, por meio de sua plataforma on-line. No entanto, no mesmo ano de fundação, diante da investigação de que estaria atuando como uma instituição financeira sem autorização, a empresa suspendeu as operações. Por isso, é importante conhecer as regras do setor no qual você pretende atuar.

Entre os casos positivos, já vimos grandes investimentos de fundos em empresas como Moip, Guiabolso, Conta Azul e Nubank, que têm foco em cartão de crédito e ganhou grande destaque  na mídia. Nós até analisamos se vale a pena ter um Nubank. Confira aqui.

Globalmente, os investimentos em fintechs estão muito aquecidos. Segundo a KPMG, os aportes se multiplicaram em seis vezes nos últimos três anos, atingindo US$ 20 bilhões em 2015.

Algumas pessoas já falam de um momento “Uber” para os bancos, fazendo uma analogia ao impacto que a startup provocou no negócio dos taxistas. Eu, pessoalmente, não acredito nisso, pois os bancos têm muito dinheiro e lobby político forte o suficiente para impedir mudanças nas regulamentações. O que deve acontecer é uma assimilação do conceito e investimentos das próprias instituições financeiras nas fintechs.

Mão na massa!

Agora que você já sabe mais sobre essa oportunidade, se estiver interessado em agir, recomendo que visite nosso site e releia as nossas newsletters sobre como começar seu negócio. Temos informações muito úteis, com exemplos de várias startups que começaram com pouco investimento!

Também vale a pena conferir dois eventos sobre o tema para se aprofundar. Do dia 18 ao 20 deste mês acontecerá o Startup Weekend São Paulo Fintech. Em maio (ainda sem data confirmada), também em São Paulo, ocorre o Fintech Venture Days, evento patrocinado pelo banco Santander (não falei que eles estão por dentro da tendência?), que vai premiar as melhores startups que desenvolvem soluções para o setor financeiro.

Na semana que vem, vamos continuar a falar das fintechs. Vou me aprofundar em casos de empresas que exploram o segmento de serviços financeiros.

Gostaria também de fazer uma observação sobre nossa última newsletter, cujo tema foi empreendedorismo feminino. Recebemos muitos comentários positivos, mas uma minoria de homens (e, sinto dizer, de mulheres) nos respondeu com ofensas e piadas de mau gosto. Isso só provou que esse é um assunto necessário e que devemos continuar colocando o dedo na ferida!

Ao trabalho!

André Zara

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