Você não sabe o que aconteceu…

As pessoas da indústria financeira tradicional acabam tendo uma visão enviesada sobre os criptoativos, mas inevitavelmente se rendem ao longo do tempo, assim como o CEO do JPMorgan

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Você não sabe o que aconteceu…

Outro dia o gerente do meu banco me ligou. Não sou daqueles que dá muita bola pra papo de banco, mas já que estava com algum tempo livre, resolvi ficar na linha.

G: “Oi Sr. Vinicius, aqui é o Guilherme, da sua agência na Joaquim Floriano. Tudo bem?”

V: “Boa tarde, Guilherme. Tudo certo, e você?”

G: “Ótimo! Então, Sr. Vinícius, eu estou entrando em contato porque vi um dinheiro parado na sua conta-corrente…”

(Nota: por favor, não deixe dinheiro na conta-corrente. Invista!)

G: “… E eu tenho um investimento para te indicar, que acho que o Sr. vai gostar.”

V: “É aquele PIC que me dá direito a concorrer a um Ford Ka por mês? Se for, esquece.”

G: “Não, não, Sr. Vinicius. É uma criptomoeda nova, que acabamos de incluir na nossa plataforma. Olha, vou dizer para o Sr., eu não era muito confiante nesse tipo de investimento, mas confesso que está bombando. Muitos clientes aqui da agência já começaram a investir nessa moeda digital. O que acha de direcionar um pouco do dinheiro que está parado na sua conta para esse investimento?”

Certo, calma lá.

Dificilmente uma conversa dessas aconteceria nos dias de hoje. Porém, não seria impossível imaginar essa situação daqui alguns anos, quando os bancos precisarem, de fato, se render.

Explico.

Há uma enorme cruzada dos bancos contra as criptomoedas. “É fraude”, “É esquema Ponzi”, “Isso é dinheiro de adolescente”, são algumas das coisas que escutamos por aí.

“É uma questão de interesses”, eu responderia.

Como o Caio bem comentou no Empiricus 24/7 da última semana, atualmente, qualquer pessoa da indústria financeira tradicional necessariamente acaba tendo uma visão enviesada sobre os criptoativos.

Exemplo disso é o que disse no ano passado Jamie Dimon, CEO do JPMorgan: “Isso é uma fraude!”.

Mas, espera. Ouvi dizer que ele voltou atrás recentemente. Pois é, Dimon disse à CNBC essa semana que se arrepende de ter chamado o Bitcoin de fraude.

A gente conhece esse papo, Jaiminho.

Na minha humilde visão, por mais que a indústria financeira tradicional busque criar barreiras às criptomoedas e tente falar mal delas, inevitavelmente passará a se render ao longo do tempo.

Talvez nem falem por mal, mas por não entenderem de fato do que se trata.

Warren Buffett também acredita que essa história de moedas digitais vai acabar mal, mas pelo menos ele é sincero ao dizer que não investe em algo que não entende.

Portanto, fica sempre a pergunta na minha cabeça: quanto do discurso contra as criptomoedas não é, na verdade, motivado pela falta de entendimento das instituições?

Se parar para pensar, acreditar que as criptomoedas e a tecnologia por trás delas simplesmente não passam de moda e vão deixar de existir quando o mercado se der conta de que se trata de uma bolha é o mesmo que voltar alguns anos na história e dizer que os projetos do Vale do Silício nunca valeriam nada, pois não passavam de apostas malucas em tecnologias novas.

Faça essa reflexão. Quando algo surge e é capaz de transformar sistemas ineficientes em algo que funciona de forma melhor, você realmente diria que isso não passa de hype ou moda?

Pois é, não parece fazer sentido. Portanto, melhor do que se opor à tecnologia é aceitá-la, entendê-la e, por que não, ganhar dinheiro com ela, comprando as próximas criptomoedas em ponto de decolagem.

Se mover na direção contrária de uma força muito grande, além de contraproducente, pode fazer o tiro sair pela culatra.

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