Você foi iludido pelo dinheiro?

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Você foi iludido pelo dinheiro?

Ainda lembro daquelas noites de domingo, assistindo ao Fantástico em família, com a bacia de pipoca no colo.

“Miiiister M”, ecoava a voz inesquecível do Cid Moreira. Eu, ainda criança, achava difícil desgrudar os olhos dos truques de mágica – ou melhor, do ilusionismo – que o homem mascarado realizava.

Uma hora você vê, outra não vê. De repente, fomos enganados por uma ilusão de ótica criada no palco.

O ilusionismo é divertido, mas só enquanto é uma brincadeira.

Trago este tema porque ouço por aí alguns haters das criptomoedas dizerem que elas são pura ilusão. Muitos atacam o Bitcoin, dizendo que ele é uma fraude, irreal, abstrato por não ser físico.

Posso até respeitar esse ponto de vista, mas não consigo concordar com ele.

Na minha humilde opinião, a maioria das pessoas que critica o Bitcoin, chamando-o de ilusão, não entende realmente como ele funciona. Teve preguiça de ir atrás de informação.

Pior ainda é que essa mesma pessoa que não entendeu o Bitcoin e todas as suas “criptoprimas”, achando que não passam de uma ilusão financeira, não se deu conta de que o próprio dinheiro é uma ilusão.

Isso mesmo, os reais que você tem na conta-corrente ou os dólares que guarda para a viagem do ano que vem também são uma completa ilusão.

Ok, você pode me dizer que existem moedinhas que valem alguns centavos ou até mesmo notas de papel de dois, cinco, dez, cinquenta reais…

Mas as notas e moedinhas são apenas a representação física de um dinheiro que não existe – assim como o bitcoin. Ou você acha que todo dólar emitido nos EUA tem um pedacinho de ouro como lastro? Isso não existe desde a década de 1970.

E fica ainda pior se pegarmos um dado publicado por James Surowiecki em 2012 sobre as reservas americanas de dólares.

Naquela época, apenas 10% de toda a reserva de dinheiro dos EUA existia na forma de notas de papel ou moedas. Ou seja, de 10 trilhões de dólares, 9 existiam apenas de forma virtual.

Algum problema com o bitcoin agora?

O dinheiro não ser físico nem “real” não é o problema. Já aprendemos há anos a aceitar que ele só existe no meio de um monte de bytes de informação. Problema mesmo é o fato de o dinheiro ao redor do mundo todo estar concentrado na mão de poucas instituições, e não na das pessoas.

Daí que emergiu a descentralização. Ela é, no fim das contas, uma forma de proteger a humanidade dela mesma. Não há um ponto central capaz de fazer todo o sistema ruir como em 2008.

Aliás, entre as várias histórias interessantes que existem por trás da criação do Bitcoin (umas, lenda; outras, verdade), uma pouco contada na mídia é a do Bloco Gênese.

O blockchain – tecnologia por trás do Bitcoin e de várias outras criptomoedas – funciona como uma sequência de blocos de dados.

O primeiro bloco dessa cadeia é chamado de “Genesis Block” ou Bloco Gênese. Nele, além das informações usuais, está gravada a seguinte frase: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks”.

Essa é a manchete de uma edição do jornal britânico “The Times”, que anunciava os efeitos pós-crise global. Mais uma evidência de que a descentralização das criptomoedas surgiu para consertar nosso sistema financeiro.

Sei que dinheiro virtual pode parecer ilusão, mas ilusão mesmo é acreditar cegamente no dinheiro que está aí na sua carteira.

E já que sexta-feira é dia de maldade…

Será que precisamos mesmo de um órgão central?

Um abraço!

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