A guerra da manteiga

Não é apenas a margarina que nos mostra situações esdrúxulas. De fato, quando uma disrupção surge, ela sempre assusta mais aqueles que estão sentados em cima do status quo.

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A guerra da manteiga

“A engenhosidade do gênio humano depravado culminou na produção de margarina e suas abominações afins.”
Joseph Very Quarles, ex-senador de Wisconsin, EUA

Não é um embate como Coca-Cola vs Pepsi, mas há quem goste mais de margarina do que de manteiga (ou vice-versa) e defenda uma delas.

Quando eu era criança, não conseguia notar a diferença entre elas.

Sempre chamava uma pelo nome da outra, pois, para mim, só importava aquele gostinho salgado e gorduroso na fatia de pão.

Da minha infância até a vida adulta, vi várias notícias de uma ser melhor do que a outra, de uma não ter gordura saturada, etc.

Ouvi isso e aquilo em defesa dos dois lados. Quase a mesma coisa em relação ao ovo de galinha, que ora faz bem, ora faz mal.

Mas o ponto não é sobre nutrição e alimentação nos dias de hoje. A questão com a margarina data de 1870, quando o produto chegou aos Estados Unidos.

Até a década seguinte, existiram, pelo menos, 37 empresas produzindo margarina.

Você pode não saber, mas até ela foi controversa. Os antigos produtores de manteiga começaram uma verdadeira cruzada contra esse novo composto e tal indústria.

Primeiramente, os lobistas conseguiram aprovar o “margarine act”, passando a cobrar impostos proibitivos dos produtores.

Somado a isso, existiu um lobby focado em espalhar notícias falsas sobre o processo de produção da margarina.

Um bom exemplo foram os cartazes que sugeriam que a margarina era feita com partes de gatos e serragem.

Então, no início do século 20, alguns Estados americanos baniram a comercialização local da margarina.

E os lobistas não pararam por aí: em 1902, 32 Estados instituiram a “pink law”, que obrigou que as margarinas fossem tingidas artificialmente de rosa para se diferenciar da manteiga.

Meu Deus! Até onde pode chegar a insanidade dos reguladores em ouvir o lobistas…

Mas não é apenas a margarina que nos mostra situações esdrúxulas. Em um mundo em que já existiu a escravidão e onde pessoas eram divididas entre raças e gêneros superiores e inferiores, o caso da margarina seria bobagem.

Atualmente, o embate mais evidente é sobre os criptoativos e suas abominações afins, diria Joseph V. Quarles.

De fato, quando uma disrupção surge, ela sempre assusta mais aqueles que estão sentados em cima do status quo.

Não é à toa que tanto os bancos quanto o sistema financeiro sempre estão prontos para desqualificar todo e qualquer tipo de ativo digital que não lhe convém.

P.S.: Para pegar o voo hoje eu já escolhi a minha leitura. Ela tem tudo a ver com que acredito e com o que verei nos três dias de evento em Nova York.

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