Reversão à máxima

Um ativo que sobe demais uma hora acaba tendo seu preço corrigido, pois os investidores percebem “que não era para tanto”. O mesmo acontece no sentido oposto. Em outras palavras, os preços tendem a retornar à média, após picos ou quedas exageradas.

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Reversão à máxima

Em 1985, os economistas comportamentais Werner De Bondt e Richard Thaler publicaram um artigo intitulado “Does the Stock Market Overreact?” (O mercado de ações reage exageradamente?). No texto, basicamente eles analisavam como se comportaram os preços de dois grupos de ações: das que subiram muito e das que caíram muito.

A conclusão do estudo foi que as vencedoras tendiam a se tornar perdedoras e vice-versa. Ou seja, ter “shorteado” ações que subiram exageradamente e comprado as que caíram muito traria retornos maiores que a média.

Isso pode ser explicado pelo fato de que os investidores não são totalmente racionais — como propunha a teoria clássica da economia — e reagem exageradamente em algumas situações, gerando claro reflexo nos preços.

Um ativo que sobe demais uma hora acaba tendo seu preço corrigido, pois os investidores percebem “que não era para tanto”. O mesmo acontece no sentido oposto. Em outras palavras, os preços tendem a retornar à média, após picos ou quedas exageradas.

Dado que o resultado dos estudos conduzidos por De Bondt e Thaler estão mais ligados ao comportamento dos investidores do que aos ativos em si, podemos trazer a mesma ideia para o ambiente das criptomoedas. Afinal, mercado = pessoas = comportamento.

De fato, após o bitcoin ter escalado até os 20 mil dólares e boa parte das altcoins também ter buscado suas máximas históricas, o mercado inevitavelmente acabou corrigindo os preços. O que, por alguns, é interpretado como bolha, pode ser visto como uma reversão à média, ou pelo menos, a um preço mais “justo” (se estivéssemos falando em bolha no sentido popular da palavra, provavelmente teríamos ido a zero e lá ficado).

Paralelamente, uma queda exagerada também tende a trazer os preços de volta a patamares mais elevados. Enquanto o sobe e desce do mercado acontece — com grande volatilidade, diga-se de passagem —, vamos encontrando um preço de ajuste.

Porém, algo que não está contemplado na teoria de De Bondt e Thaler e que faz muito sentido para o mercado de criptomoedas é, posteriormente à regressão à média, a reversão à máxima.

Como tratamos de um mercado novo e em estabelecimento, no qual muito capital ainda pode ser introduzido, há, claramente, espaço para crescimento dos ativos.

Assim, da mesma forma que o investidor é, por vezes, irracional ao ponto de sobreprecificar ou subprecificar um ativo, tem também em mente níveis psicológicos de preço. Dessa forma, o mercado tende a esperar que, cedo ou tarde, os criptoativos voltem a buscar suas máximas históricas.

Olhando de forma mais ampla, realmente o mercado não poderia crescer indefinidamente e, ao atingir 20x de valorização em 2017, uma correção foi inevitável, mas apenas para que possamos ver, em um futuro não tão distante, os preços de volta ao topo. Precisamos, apenas, dar tempo ao mercado.

Se isso acontecer — algo que acreditamos verdadeiramente —, o upside (potencial de ganho) se torna muito maior que o downside (potencial de perda). Veja, se o bitcoin custa 8 mil dólares hoje e pode voltar a 20 mil no futuro, temos mais a ganhar do que a perder. Isso é assimetria positiva.

Nesse meio tempo, um grande conjunto de notícias negativas abalaram o mercado, trazendo os preços até os patamares atuais. É aquela coisa: quando as criptos estão se valorizando, más notícias parecem ter pouco impacto, até impactarem de fato. E quando as criptos estão caindo, as boas notícias parecem ter pouco impacto, até o fazerem.

Quando isso acontecer, é preciso estar preparado. Ou melhor, é necessário se preparar antes que aconteça.

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