Como diferenciar o que é dito do que é fato

Frases como “Contra fatos, não há argumentos” e “Os números não mentem” são uma ferramenta de argumentação muito forte em uma discussão de mesa de bar. Mas em nada refletem a realidade.

Compartilhe:
Como diferenciar o que é dito do que é fato

Sei que o assunto “Copa do Mundo 2018” é passado. A dor da eliminação e da decepção com a Seleção Brasileira é, para muitos, maior do que a paixão pelo bom futebol e a vontade de continuar assistindo à competição. Acho até que é melhor que assim seja. Dessa forma, sofre-se menos e retoma-se a vida normal de forma mais rápida.

No entanto, a Copa e o jornalismo esportivo, como um todo, têm muito a nos ensinar, principalmente quando se trata do mercado de criptoativos.

Vivenciei isso ontem na pele, quando me deparei com a seguinte manchete: “Brasil cai nas quartas da Copa pela 3ª vez neste século”.

Um pouco sensacionalista? Talvez. Mas não há nenhuma mentira nisso. 2006, 2010 e 2018. Três vezes dentre as cinco possíveis neste século.

Mas será que esses números são realmente tão ruins quanto parecem?

Essa reflexão pode nos mostrar como as palavras, assim como os dados, são extremamente manipuláveis. Utilizando as palavras certas, consegue-se manipular a visão e a compreensão do leitor, utilizando os mesmos dados. Basta dar o tom certo ao que se quer passar.

Voltando à manchete, poderia-se dizer: “Seleção Brasileira é a única a chegar pelo menos nas quartas em todas as Copas do século”. Pronto. Uma informação, antes passada com um certo ar de pessimismo, já nos coloca em um patamar superior e em um cenário extremamente positivo.

Antes que você abra o Google para conferir: sim, essa informação é verídica. Apenas a nossa seleção realizou tal feito “neste século” (sic).

Viu como até os dados e as informações mais absolutas e incontestáveis são manipuláveis?! Frases como “Contra fatos, não há argumentos” e “Os números não mentem” são uma ferramenta de argumentação muito forte em uma discussão de mesa de bar. Mas, como vimos, em nada refletem a realidade.

Esse poder de mudar o foco dos dados e informações é visto diariamente no mercado de criptoativos. Há muitos dados que, se interpretados de forma errônea, podem afetar nossa percepção do comportamento do ativo.

Movimentos de alta, como a recuperação de 20% do preço do bitcoin no começo do mês de julho, geram muita especulação e, consequentemente, diversas notícias surgem. Tenta-se associar o fato (recuperação do preço) às notícias do mercado e, assim, criar um sentimento de mudança de ares e projeções de futuro. Cada movimento de alta é o começo de uma pequena temporada de previsões dos futuristas de plantão.

O mesmo acontece no cenário oposto. Basta uma queda 5%, como a que ocorreu ontem, para os detratores virem a público. “É o fim do bitcoin. A bolha estourou”. Se você nunca ouviu ou leu isso, por favor, me desminta.

A grande questão nos dois cenários, tanto de queda quanto de alta, é apenas uma: devemos nos ater aos fatos e aos fundamentos, e não à forma como são retratados.

O mercado de criptos é volátil, isso é fato. Portanto, movimentos de 20% para cima em duas semanas ou de 5% para baixo em um dia são normais. Devemos ter isso em mente, sempre.

Não é porque o bitcoin, ou o mercado como um todo, passou três semanas em alta, que o movimento de baixa, que se prolonga desde o meio de dezembro do ano passado, acabou. O mês de abril não me deixa mentir.

Também não é porque o bitcoin passou um ano em forte movimento de baixa, como em 2014, que o seu fim está decretado. Nessa ocasião, houve uma queda de 80% no preço do bitcoin e, desde o fim dessa queda, o preço se multiplicou por 30 vezes.

Quem assumiu a queda de 2014 como o “estouro da bolha”, hoje tem — além de zero bitcoin — um enorme arrependimento.

O que quero que você detenha desse texto é: para sobreviver no mercado de criptoativos, e ter sucesso e lucros expressivos nele, você deve se munir de informação e estar sempre à frente do mercado. Assim, você não se deixará levar nem será afetado por especulações ou notícias sensacionalistas.

Quem estuda o mercado e se mune de informações sabe quais são os reais gatilhos de valorização e de recuperação. E também sabe o que é realmente prejudicial e representa risco ao ecossistema.

Se você quiser estar sempre informado e saber, desde já, qual é o próximo grande gatilho de valorização do mercado, eu sugiro que leia sobre o Bitcoin 2.0.

Não é porque o Brasil foi eliminado da Copa que você vai rasgar a sua camisa da Seleção. E, da mesma forma, não é porque o bitcoin caiu “X” por cento em “não sei quantas horas” que você vai sair vendendo tudo.