Como selecionamos os melhores investimentos

Os aprendizados com o mercado financeiro tradicional indicam pontos de sucesso no mercado de moedas digitais. Confira cinco dicas de como selecionar os melhores criptoativos.

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O Crypto Talks continua a todo vapor em vídeo também. Confira.

A maioria das vezes em que entro no YouTube para passar o tempo, alguns vídeos de pessoas recomendando criptoativos me chamam atenção e eu paro para vê-los. Tenho a impressão de que absolutamente todos os mais de mil ativos já foram recomendados por alguém ou por algum canal.

Os argumentos para defender quase todas as recomendações se baseiam em premissas como “possui um projeto interessante”, “o time é bem capacitado” e “pode substituir o bitcoin”. A meu ver, algumas justificativas são vagas e a maioria é pautada em “dicas quentes” ou simplesmente no hype da novidade do ativo.

Do nosso lado, gostamos de ir mais a fundo e buscar frameworks que nos possibilitem selecionar os ativos da forma mais objetiva possível, sem ter que recorrer a “achismos”, que quase sempre têm bases emocionais.

Foi aplicando os aprendizados do mercado financeiro tradicional que chegamos a alguns dos indicadores de sucesso de um ativo no mercado cripto. Como não desejo me alongar muito, gostaria de mostrar cinco dos que levamos em consideração em nossas análises.

#1 – Equipe e governança:

Esse ponto é fruto do que já estávamos acostumados a fazer quando avaliávamos empresas tradicionais. Sempre olhamos para a equipe que está por trás do ativo e buscamos saber quais são suas credenciais, se os membros estão trabalhando full time, qual é o tamanho do time e a quantidade de áreas que existem dentro da equipe.

Além disso, sempre é necessário pesquisar em mais de uma fonte para verificar o que está sendo falado. Fazemos isso porque várias vezes vemos currículos invejáveis de fundadores que, na verdade, são pura maquiagem dos fatos. Nessas horas, um trabalho de um fim de semana na Google vira “ex-funcionário da Google”, acompanhado de uma foto ao lado do Larry Page.

#2 – Valor transacionado:

Essa métrica é a mais quantitativa possível e mostra se existem pessoas utilizando a rede desenvolvida. Quanto maior a quantidade de transações e também o valor médio transacionado, mais valor tem a rede. Pode ser que o projeto ainda não esteja de pé e, para estágios iniciais, essa métrica não faz sentido.

No entanto, redes como a do bitcoin, ethereum, bitcoin cash e ripple têm que ser medidas dessa forma. Por exemplo, no blockchain do bitcoin vimos o valor das transações médias subindo de aproximadamente US$ 4 mil para mais de US$ 80 mil. Isso nos mostra que a rede ficou ruim para microtransações, mas continuou servindo para grandes movimentações.

#3 – Produto:

Pergunta simples e binária: já existe pelo menos alguma versão alfa que reproduza o que será a plataforma final? Nesse caso, se ainda não existir nada para dar uma ideia, conta ponto negativo. Claro que você tem que ter em mente em qual estágio de desenvolvimento está investindo no ativo.

É muito mais simples investir em uma plataforma que já está funcionando e busca apenas melhorias, como a do ethereum, do que em um projeto que ainda vai desenvolver o prometido. No entanto, o potencial de ganhos é mais favorável para aquele projeto que ainda não saiu do papel, mas tem uma equipe capaz de executá-lo. Nesse quesito, a escolha depende de quanto risco pretendemos tomar.

#4 – Market cap:

É muito mais fácil avaliar um projeto que está no topo em relação ao market cap do que aquele mais abaixo. O crucial é saber que os ativos no topo do ranking têm mais informação disponível do que aqueles em posições mais baixas. Isso faz com que se tenha uma massa crítica tanto de defensores quanto de detratores do ativo, o que ajuda na elaboração de uma análise concreta.

Podemos tomar como exemplo o bitcoin, que, por ser o criptoativo de maior market cap, é o que atrai primeiramente a atenção das pessoas, e também é a porta de entrada para adquirir outras criptomoedas. Como mencionei, por estar em destaque, o bitcoin tem muitos defensores e muitos detratores, o que nos proporciona uma visão mais clara sobre seu futuro do que temos sobre o futuro dos ativos fora do top 10 em market cap.

#5 – Perspectivas macro:

Esse ponto está relacionado a fatores externos, como as perspectivas para o futuro do mercado. Não tenho dúvidas de que a tokenização e a descentralização farão parte do mundo de todos, mas ainda é incerto quais serão as primeiras fronteiras que esses dois conceitos atravessarão.

Além disso, existe um ponto que precisa ser resolvido muito antes da disseminação dos criptoativos: a usabilidade. Basta lembrar do começo da internet, de como era complicado utilizar a rede e a quantidade de passos necessários para se conectar. Isso afastou as pessoas comuns em um primeiro momento. Foi apenas quando houve uma melhora na usabilidade que a grande massa começou a aderir.

É exatamente esse aspecto que penso ser necessário melhorar para que os criptoativos cheguem a todos. Precisamos de projetos que caminhem na direção de entregar usabilidade. As equipes e ideias que conseguirem fazer isso serão as mais bem-sucedidas nos próximos anos, pois tanto o grande público deseja entrar nesse mercado de maneira mais fácil quanto a comunidade de cripto clama por soluções mais amigáveis.

É em linha com essa análise que sugerimos todos os ativos no Crypto Alert.